The Economist afirma que presidente Lula não deveria disputar reeleição em 2026 e aponta riscos institucionais ligados à idade e ao legado político

O presidente Lula não deveria se candidatar novamente. Como Joe Biden demonstrou, candidatos com mais de 80 anos representam riscos enormes.

A revista britânica The Economist publicou, nesta terça-feira (30/12/2025), um editorial no qual defende que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não concorra à reeleição em 2026. O texto sustenta que, apesar de o Brasil ter demonstrado resiliência institucional ao longo de 2025, a permanência de Lula no poder por mais quatro anos representaria riscos elevados, sobretudo em razão da idade avançada do chefe do Executivo, que completou 80 anos, e de limitações políticas e econômicas do atual governo.

No editorial, a revista reconhece que o Brasil atravessou um ano politicamente turbulento, marcado pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por envolvimento em uma trama golpista e pelas tensões diplomáticas com os Estados Unidos após declarações do presidente norte-americano Donald Trump. Segundo a publicação, a condução institucional do processo judicial contra Bolsonaro demonstrou maturidade democrática e contrariou críticas de setores da direita americana.

Em agosto, a revista já havia abordado o tema ao estampar Bolsonaro em sua capa, elogiando a resposta das instituições brasileiras diante das ameaças à ordem constitucional. No entanto, ao analisar o cenário eleitoral para 2026, o tom torna-se mais crítico em relação à permanência de Lula no poder.

Idade e saúde como fatores centrais da crítica

O principal argumento apresentado pela The Economist para que Lula abra mão da disputa é a idade. A publicação afirma que um novo mandato implicaria riscos institucionais significativos, caso um presidente octogenário enfrente limitações físicas ou cognitivas ao longo do exercício do cargo. O texto cita o exemplo do ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden, apontando os custos políticos e institucionais associados a uma candidatura em idade avançada, ainda que reconheça que Lula aparenta melhor condição física do que Biden apresentava no fim de seu mandato.

O editorial também relembra problemas recentes de saúde do presidente brasileiro, como a cirurgia cerebral realizada em dezembro de 2024, após uma queda doméstica. Caso seja reeleito, Lula encerraria um eventual quarto mandato aos 85 anos.

Segundo a revista, “apesar de todo o seu talento político, é simplesmente arriscado demais para o Brasil ter alguém tão idoso no poder por mais quatro anos”, acrescentando que carisma não é garantia contra eventuais perdas cognitivas.

Economia, corrupção e limites do atual governo

Além da questão etária, a The Economist aponta críticas à condução econômica do governo. Embora reconheça que o Brasil apresentou crescimento acima do esperado nos últimos anos e tenha avançado na simplificação do sistema tributário, o editorial classifica a política econômica como pouco ambiciosa.

Segundo a publicação, o governo Lula concentra esforços em programas de transferência de renda e em medidas de arrecadação consideradas desfavoráveis ao setor produtivo, ainda que tenha buscado acomodar interesses empresariais com a reforma tributária. O texto também menciona que escândalos de corrupção associados aos primeiros mandatos de Lula continuam a pesar sobre a percepção de parte do eleitorado.

Ausência de sucessão e fragilidade do campo governista

Outro ponto destacado é a falta de um sucessor claro no campo do centro e da esquerda. A revista avalia que Lula não preparou uma liderança alternativa viável e acabou desestimulando possíveis candidaturas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é citado como um nome cogitado, mas considerado pouco competitivo do ponto de vista eleitoral.

Pesquisas de opinião reforçam esse diagnóstico. Levantamento Datafolha realizado em junho de 2025 indicou que 57% dos entrevistados acreditam que Lula não deveria buscar a reeleição, contra 41% que apoiam uma nova candidatura. Em dezembro, outro levantamento mostrou estagnação na avaliação do governo, com 32% classificando a gestão como boa ou ótima, 37% como ruim ou péssima e 30% como regular.

Direita fragmentada e alternativas em disputa

No campo da direita, o editorial observa que Bolsonaro ainda exerce influência política, tentando transferir capital eleitoral ao filho, o senador Flávio Bolsonaro. A revista, contudo, avalia que ele seria um candidato frágil, com baixa popularidade e poucas chances em um confronto direto com Lula.

Como alternativa mais competitiva, a The Economist aponta o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visto como um nome mais jovem, com perfil institucional mais previsível e melhor posicionamento em pesquisas, embora ainda não tenha oficializado candidatura.

Legado, risco e transição política

O editorial da The Economist expõe uma tensão central da política brasileira contemporânea: a dificuldade de promover renovação sem comprometer a estabilidade institucional. Ao mesmo tempo em que reconhece o papel de Lula na defesa da democracia em 2025, a revista questiona se a permanência prolongada no poder não compromete justamente esse legado.

A comparação com Joe Biden revela uma preocupação mais ampla das democracias liberais com lideranças envelhecidas e a ausência de mecanismos claros de transição política. No caso brasileiro, a crítica ganha contornos adicionais pela histórica personalização do poder e pela fragilidade dos partidos em formar novas lideranças nacionais.

Por fim, o texto sugere que uma eventual decisão de Lula de não disputar a reeleição poderia reduzir a polarização e abrir espaço para uma reorganização mais racional do sistema político. Caso contrário, segundo a revista, a responsabilidade recairia sobre a direita, que precisaria se estruturar em torno de um nome capaz de romper o ciclo de antagonismos que marcou a última década.

*Com informações da The Economist e Folha de S.Paulo.


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