Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, construiu império do Credcesta com conexões políticas e estruturas empresariais opacas, revela Folha de S.Paulo

Reportagem da Folha de S.Paulo, publicada nesta segunda-feira (26/01/2026) por Alexa Salomão e João Pedro Pitombo, revela que a trajetória do empresário Augusto Lima, associado ao crescimento do Credcesta e à sua passagem pelo Banco Master, ganhou novos contornos após sua prisão, em novembro de 2025, na Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes em carteiras de crédito vendidas pelo Master ao BRB (Banco Regional de Brasília). Segundo reconstituição jornalística baseada em documentos e relatos de pessoas próximas, o avanço do Credcesta pelo país ocorreu em meio a estruturas societárias pouco transparentes, relações empresariais complexas, uso intensivo de fundos de investimento e articulações políticas na Bahia e em outros estados, além de conexões com agentes e empresas citados em investigações paralelas do setor financeiro.

Da vitrine pública ao centro de um escândalo financeiro

Em novembro de 2023, Augusto Lima apareceu como anfitrião em um evento de alto prestígio no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), em Salvador, quando lançou o Instituto Terra Firme ao lado da esposa Flávia Péres. A cerimônia reuniu secretários, deputados, procuradores, conselheiros de contas, empresários e artistas, sob trilha da orquestra Neojibá, associada a políticas culturais estaduais.

Na ocasião, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) anunciou parceria com a entidade. O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), mencionou vínculo escolar com Lima. O ambiente serviu como demonstração pública de poder, acesso institucional e capital político, consolidando a imagem de um empresário em ascensão acelerada.

Esse capital simbólico se alinhava ao desempenho do negócio que o projetou nacionalmente: o Credcesta, criado em 2018 e expandido para 24 estados e 176 municípios, com forte presença no mercado de consignado e produtos associados a servidores públicos.

Cronologia da ascensão: Credcesta, Master e o inquérito policial

A ascensão ocorreu em ritmo incomum. A partir de 2018, Lima saiu do circuito baiano e ganhou espaço em polos financeiros como a Faria Lima, ampliando o alcance do Credcesta.

Em novembro de 2025, a trajetória sofreu inflexão: ele foi preso na Operação Compliance Zero, investigação que mira suspeitas de fraudes em carteiras de crédito e, especificamente, a venda desses ativos do Banco Master ao BRB. Após a prisão, passou a cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica e foi convocado a prestar depoimento na semana seguinte aos fatos relatados. A defesa informou que não comentaria detalhes.

O caso passou a ser descrito, nos bastidores do setor, como parte de um dos episódios mais sensíveis do sistema financeiro recente, devido ao potencial de contaminação por estruturas paralelas, fundos e cadeias de prestação de serviços ao consignado.

Engenharia societária e empresas-chave no entorno do Credcesta

O núcleo empresarial do Credcesta foi associado à PKL One, apontada como dona do produto. A reconstituição do caso destaca arranjos societários nos quais o nome de Augusto Lima não aparece formalmente em determinadas empresas centrais, enquanto executivos ligados ao seu grupo histórico, a Terra Firme, aparecem em posições de direção.

Entre os nomes citados como vinculados ao grupo estão Andrea Novaes Lima e Ana Paula de Almeida Pithon, identificadas como executivas relacionadas à operação. Esse tipo de desenho — com separação entre controle de fato e presença formal — é apontado como elemento típico de estruturas empresariais complexas, sobretudo em cadeias de crédito e tecnologia de consignado.

No plano operacional, o Credcesta se apoia em uma empresa de tecnologia para gestão de consignados: a Consiglog, descrita como fornecedora de sistemas e peça de engrenagem do modelo. A Consiglog é indicada como conectada a uma cadeia de relações que inclui agentes do mercado financeiro e representantes societários.

Reag, fundos, WNT e a interseção com outra investigação federal

Um dos eixos mais sensíveis da narrativa envolve a Reag, gestora de recursos que, em agosto de 2025, foi alvo da Operação Carbono Oculto, investigação que levantou suspeitas de atuação relacionada ao PCC e levou à liquidação da gestora pelo Banco Central.

No circuito do Credcesta, a PKL One teria recebido aumento de capital de um fundo denominado Reag 34, posteriormente rebatizado de Diamond, descrito como detentor do controle da empresa e sob gestão da WNT, citada na segunda fase da Compliance Zero.

A cadeia narrada inclui ainda o fundador da Reag, João Carlos Falbo Mansur, mencionado como representante de sócio, na pessoa física, em empresa conectada ao entorno do Credcesta (a própria Consiglog). O conjunto, ainda que descrito por vínculos formais e societários, é tratado como um indicativo de intersecção entre mercado de crédito, fundos e redes de relacionamento sob escrutínio policial.

Patrimônio, imóveis e operações financeiras citadas na apuração

A apuração descreve patrimônio atribuído ao empresário e operações financeiras de alto valor. Entre os ativos mencionados está a Ilha do Topete, na Baía de Todos-os-Santos, cujo direito de uso aparece em nome da RC Participações, registrada como ativo de fundo gerido pela Reag.

Também aparecem registros de ganhos milionários envolvendo ações da Akaa Empreendimentos e cotas do Murrien 41, que teriam recebido investimentos do fundo Hans 95, citado como um dos alvos da Operação Carbono Oculto.

O conjunto desses elementos é apresentado como parte de um rastro documental que, na leitura dos investigadores e de fontes ouvidas, ajudaria a mapear a circulação de capital e a formação patrimonial vinculada a cadeias de crédito e fundos.

Origem na Bahia: Terra Firme, associações de servidores e entrada no mercado financeiro

Conhecido como “Guga” entre amigos, Augusto Lima nasceu em Salvador, formou-se em economia em 2002 e iniciou a trajetória profissional passando por atividades ligadas ao Carnaval e à venda de abadás, antes de entrar definitivamente no setor financeiro.

A Terra Firme da Bahia, fundada em 2001, atuava como correspondente bancário. Nos anos seguintes, Lima fundou outras empresas do segmento e ajudou a criar associações de servidores como Asteba e Asseba, que prestavam serviços aos funcionários públicos — inclusive na área financeira.

Esse ponto é relevante para compreender a base social do Credcesta: o produto se apoia em um público com renda previsível e margem consignável, no qual a operação se expande por meio de convênios, parcerias e autorizações governamentais.

A privatização da Ebal e a transformação do cartão em plataforma de crédito

A partir de 2017, Lima se aproximou dos governos petistas na Bahia, quando Rui Costa era governador e Jaques Wagner ocupava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

Nesse período ocorreu a privatização da Ebal, estatal ligada à rede Cesta do Povo, que operava com um cartão de compras. Após leilões sem interessados, surgiu a proposta de transformar o cartão em um pacote de benefícios com serviços financeiros. A Ebal foi arrematada em abril de 2018 por R$ 15 milhões pela NGV SPE Empreendimentos e Participações, a única empresa que apareceu.

O representante no leilão foi o espanhol Ignacio Morales, diretor da Ginso, entidade assistencial que já havia se reunido com Lima e o governo baiano, firmando contrato com a gestão estadual. Lima não figurou como sócio da NGV nem teria comparecido ao leilão.

A então diretora da NGV, a advogada Nayanne Britto, é citada por ter atuado posteriormente no Banco Master e por ocupar posição de direção jurídica no instituto fundado por Lima.

Email revelado pelo UOL, Cartos e o elo com o caso BRB

Um ponto sensível da cronologia é a menção a um email de 3 de março, revelado em reportagem do UOL, que indicaria Augusto Lima organizando a NGV junto com a Cartos, empresa de Henrique Souza e Silva Peretto.

Peretto, segundo o material descrito, seria apontado em 2025 como parte do esquema de venda de carteiras fraudulentas ao BRB — e foi preso no mesmo dia que Lima, também figurando entre os depoentes.

Pouco depois, a NGV transferiu os direitos de exploração comercial do cartão para a PKL One, em um movimento que, na leitura de fontes do caso, deslocou o centro de gravidade da operação para a empresa controladora do Credcesta.

BMG, advogados e a ponte com o Master

Para viabilizar o Credcesta, Lima buscou um banco em São Paulo e procurou o BMG acompanhado do advogado André Kruschewsky Lima, citado como alguém que orbitou negócios no entorno do banqueiro. Ele teria sido sócio da Consiglog e diretor no Master.

Outro nome citado é Luiá Kruschewsky Monteiro, descrita como sócia-diretora da Ebal.

Há versões divergentes sobre por que o BMG não teria assumido a operação: uma indica que o banco não queria sócio em segmento em que já era forte; outra aponta identificação de riscos no pacote do cartão benefício.

A partir daí, Lima foi apresentado à equipe de Daniel Vorcaro, quando o Banco Master ainda operava como Banco Máxima. O acordo teria avançado rapidamente, com parceria na qual PKL e banco dividiam ganhos da operação do Credcesta.

Margens consignáveis, exclusividade e o impacto no endividamento do servidor

Na Bahia, o Credcesta obteve exclusividade de 15 anos, com taxa de juros citada em torno de 4,7%, ocupando um adicional de 30% de comprometimento da renda do servidor. Somado a outras linhas, o arranjo elevou para 75% o comprometimento potencial.

Além disso, o servidor poderia empenhar outros 33% com empréstimos em instituições autorizadas pelo governo — e, conforme o relato, muitos também contrataram com o Master — e mais 12% via entidade sindical, incluindo entidades com ligações descritas com Lima.

A combinação de exclusividade, múltiplas margens e canalização por entidades e convênios é apresentada como um ponto central para entender a escala do Credcesta e os riscos associados ao desenho do produto.

Conexões políticas e expansão para outros estados

O texto descreve Augusto Lima e Daniel Vorcaro como perfis distintos, mas complementares em influência. A expansão nacional do Credcesta, por depender de negociação com governos, teria se beneficiado dessa dupla.

Em junho de 2021, o governo Cláudio Castro (PL), no Rio de Janeiro, autorizou margem de 20% e juros de 5,5%, com exclusividade — que só foi suspensa no fim de 2025.

O Banco Master também obteve autorização para operar consignado do INSS, apresentado na ponta como vantagem associada ao Credcesta. Para o consumidor, a distinção entre produto principal e derivação de consignado pode se tornar opaca, o que amplia a necessidade de fiscalização e transparência.

Saída negociada, R$ 1,5 bilhão, Voiter e rebatismo para Pleno

Fontes do setor afirmam que, ao assinar acordo para sair do Master em maio de 2024, Augusto Lima aceitaria deixar a marca Credcesta, mas mediante pagamento de R$ 1,5 bilhão e a entrega de um banco. Como o pagamento teria sido postergado, Lima permaneceu com escritório no Master e manteve controle sobre a operação do Credcesta.

Em abril de 2025, aparece representando o Master em uma premiação interna na sede do banco, evidenciando permanência operacional. O afastamento efetivo teria ocorrido apenas quando obteve aprovação do Banco Central para ficar com o banco Voiter, que rebatizou de Pleno, levando o Credcesta.

Expansão patrimonial e negócios paralelos na Bahia

Com os ganhos do cartão benefício, Lima teria ampliado patrimônio com aquisição de carros, aeronaves, fazendas e realização de eventos sociais de alto padrão, além de investir em outras frentes empresariais.

Em fevereiro de 2025, a Pharos 71 Empreendimento Imobiliário participou de um leilão polêmico da Prefeitura de Salvador por área no Morro Ipiranga. Lima não aparece como sócio, mas a administradora é Andrea, descrita como a mesma associada à PKL.

Esse padrão — presença de administradores recorrentes e ausência do principal interessado em quadros societários — é apontado como elemento que complexifica rastreamento e atribuição de controle, especialmente em negócios com forte sensibilidade pública.

Rede política ampliada: Roma, Ciro Nogueira, Rueda, ACM Neto e Bruno Reis

No campo político, o círculo de Augusto Lima teria se expandido para além do entorno petista. Ele ficou próximo de João Roma, ministro da Cidadania no governo Bolsonaro (2021–2022), e atraiu atenção de Ciro Nogueira, presidente do PP, e de Antônio Rueda, presidente do União Brasil.

Foi por intermédio desse grupo que conheceu Flávia Péres, deputada federal pelo PP e ministra no governo Bolsonaro, com quem se casou em janeiro de 2024, na Ilha dos Frades. O casamento teria restringido registros em redes sociais.

Em sessão na Assembleia Legislativa, Flávia recebeu o título de cidadã baiana proposto pelo deputado estadual Vitor Azevedo (PL). No discurso, Lima citou “amigos políticos” como João Roma, Otto Alencar Filho, Cacá Leão e Sandro Régis.

Dias antes da prisão, segundo revelou o site Metrópoles, um helicóptero atribuído a Lima teria sido usado por João Roma, pelo ex-prefeito ACM Neto e pelo prefeito Bruno Reis em viagem ao interior da Bahia. Bruno Reis afirmou que o deslocamento ocorreu dentro da legalidade.

Depoimentos, aliados e o pós-prisão

Apesar de o texto mencionar que Daniel Vorcaro teria sido abandonado por parte do entorno, pessoas que frequentam o círculo de Lima afirmam que seus aliados permaneceram ativos e fiéis, mesmo após a prisão.

O avanço das investigações e a sequência de depoimentos deve definir se as conexões empresariais descritas permanecerão no campo de relações formais ou se serão enquadradas como parte de um desenho voltado à ocultação de controle e à circulação de ativos sob suspeita.

Linha do tempo e marcos

  • 2001: Fundação da Terra Firme da Bahia (correspondente de instituições financeiras).
  • 2002: Formação em Economia (TCC sobre a indústria do Carnaval).
  • 2017: Aproximação com o governo da Bahia na gestão Rui Costa; Jaques Wagner na área de Desenvolvimento Econômico.
  • Abril/2018: Privatização da Ebal/Cesta do Povo por R$ 15 milhões (arremate pela NGV SPE).
  • 2018: Criação do Credcesta.
  • Maio/2020: Entrada na sociedade/aliança operacional com o Banco Master (à época Banco Máxima).
  • Junho/2021: No RJ, governo Cláudio Castro autoriza margem 20% e juros 5,5% com exclusividade (suspensa apenas no fim de 2025, segundo o texto-base).
  • Novembro/2023: Lançamento do Instituto Terra Firme no MAM-BA com presença de autoridades.
  • Maio/2024: Negociação de saída do Master; exigência descrita de R$ 1,5 bilhão + um banco.
  • Abril/2025: Participação em premiação na sede do Master (Master Open House), ainda representando o banco.
  • Agosto/2025: Operação Carbono Oculto atinge a Reag; gestora é liquidada pelo Banco Central (conforme relato do texto).
  • Novembro/2025: Prisão na Operação Compliance Zero; depois prisão domiciliar com tornozeleira e convocação para depoimento.

Escopo do Credcesta e números-chave

  • Expansão geográfica: 24 estados e 176 municípios.
  • Exclusividade: referência a 15 anos (Bahia).
  • Taxa de juros citada: cerca de 4,7% (Bahia).
  • Comprometimento de renda (Bahia):
    • +30% atribuídos ao cartão benefício,
    • total descrito chegando a 75%,
    • possibilidade adicional de +33% via empréstimo em instituição autorizada,
    • e +12% via entidade sindical.

Investigação e situação judicial

  • Operação Compliance Zero (nov/2025):
    • suspeita de fraudes em carteiras de crédito,
    • foco na venda de carteiras do Banco Master ao BRB.
  • Medidas: prisão, depois prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.
  • Procedimentos: convocação para depoimento na semana mencionada no texto-base.
  • Defesa: informou que não comentaria detalhes.

Empresas, fundos e estruturas mencionadas na reportagem da Folha

  • Credcesta: produto central (cartão/benefício ligado ao consignado).
  • Terra Firme da Bahia: origem empresarial; base operacional anterior ao Credcesta.
  • PKL One: descrita como empresa “dona” do Credcesta; recebeu aumento de capital de fundo ligado à Reag.
  • Reag: gestora citada como ligada a fundos e relações empresariais do entorno.
  • Reag 34 → Diamond: fundo que teria aportado na PKL One (rebatizado).
  • WNT: gestora sob a qual estaria o fundo (citada na 2ª fase da Compliance Zero, segundo o texto).
  • Consiglog: fornecedora de sistemas para gestão de consignado; atua com o Credcesta.
  • RC Participações: vinculada ao direito de uso da Ilha do Topete; aparece como ativo em fundo gerido pela Reag.
  • Akaa Empreendimentos: ações em operação com ganhos citados como milionários.
  • Murrien 41: cotas citadas; teriam recebido investimentos do Hans 95.
  • Hans 95: fundo mencionado como alvo da Carbono Oculto.
  • NGV SPE Empreendimentos e Participações: compradora da Ebal no leilão.
  • Ginso: entidade assistencial ligada ao espanhol que representou a NGV.
  • Cartos: empresa ligada a Henrique Souza e Silva Peretto (citada no email).
  • Pharos 71 Empreendimento Imobiliário: participou de leilão de área no Morro Ipiranga (Salvador).
  • Bancos citados: BMG (tentativa inicial), Master/Banco Máxima (parceria), BRB (comprador das carteiras), Voiter → Pleno (banco assumido/rebatizado).

Pessoas e conexões institucionais citadas na reportagem da Folha

  • Augusto Lima (empresário; “Guga” entre amigos).
  • Flávia Péres (deputada federal pelo PP; ex-ministra; esposa).
  • Jerônimo Rodrigues (PT) (governador; anunciou parceria com o Instituto).
  • Bruno Reis (União Brasil) (prefeito; citado no evento e em viagem de helicóptero).
  • Rui Costa (PT) (ex-governador; hoje ministro da Casa Civil).
  • Jaques Wagner (PT) (senador; então secretário; condução/ambiente da privatização da Ebal).
  • Ignacio Morales (espanhol; representante no leilão; diretor da Ginso).
  • Nayanne Britto (advogada; depois atuaria no Master; diretora jurídica do instituto).
  • Henrique Souza e Silva Peretto (Cartos; preso no mesmo dia; citado como parte do caso das carteiras).
  • Daniel Vorcaro (banqueiro; figura central no Master; parceria com Lima).
  • André Kruschewsky Lima (advogado; citado como ligado a Consiglog e Master).
  • Luiá Kruschewsky Monteiro (citada como sócia-diretora da Ebal).
  • Cláudio Castro (PL) (governador do RJ; autorização de margem/juros).
  • João Carlos Falbo Mansur (fundador da Reag; citado como representante de sócio em empresa conectada).
  • João Roma (ex-ministro; citado como próximo; viagem de helicóptero).
  • Ciro Nogueira (senador; presidente do PP; citado).
  • Antônio Rueda (presidente do União Brasil; citado).
  • ACM Neto (ex-prefeito; citado na viagem de helicóptero).
  • Otto Alencar Filho, Cacá Leão, Sandro Régis (citados como “amigos políticos” em evento).
  • Vitor Azevedo (PL) (deputado estadual; propôs o título de cidadã baiana).
  • Ronaldo Vieira Bento (convidado para diretoria do Pleno; sucessor de Roma no Ministério da Cidadania).

Locais e eventos relevantes

  • Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA): lançamento do Instituto Terra Firme (nov/2023).
  • Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA): discurso e cerimônia de outorga de cidadania.
  • Baía de Todos-os-Santos: Ilha do Topete (ativo citado).
  • Ilha dos Frades: local do casamento (jan/2024).
  • Morro Ipiranga (Salvador): leilão de área (fev/2025).
  • Faria Lima (SP): símbolo de inserção no centro financeiro.

Órgãos, operações e fiscalização

  • Banco Central: citado na liquidação da Reag (após Carbono Oculto).
  • Operação Carbono Oculto (ago/2025): suspeitas envolvendo atuação para o PCC (conforme relato do texto-base).
  • Operação Compliance Zero (nov/2025): foco em carteiras de crédito e venda ao BRB.

Crédito consignado como máquina de poder e risco sistêmico

O caso Augusto Lima-Credcesta explicita um traço estrutural do Brasil contemporâneo: o consignado deixou de ser apenas instrumento de crédito e virou infraestrutura de poder, operando por convênios, exclusividades e margens que pressionam o orçamento familiar do servidor. Quando um produto chega ao patamar de permitir comprometimento de renda na casa de 75%, o problema não é só financeiro; é institucional.

Há ainda um ponto incômodo: as relações políticas descritas atravessam governos e ideologias, sugerindo que, em torno do dinheiro, a coerência programática costuma ser secundária. A agenda real passa a ser acesso, facilitação e blindagem reputacional. Isso não prova crime, mas expõe uma cultura: a de que negócios “bem conectados” caminham melhor do que negócios simplesmente bons.

Por fim, a ligação com fundos e gestoras citados em investigações paralelas amplia o alerta para risco sistêmico: quando crédito, fundos e bancos se articulam por cadeias opacas, o preço pode recair sobre o contribuinte, o servidor endividado e a credibilidade do sistema financeiro — e, como a história brasileira ensina, essa conta raramente fica onde deveria.

*Com informações do jornal Folha de S.Paulo e Metrópoles.

Augusto Lima é empresário do setor financeiro associado à criação do Credcesta e à sua atuação no mercado de crédito consignado, com expansão nacional por meio de convênios públicos e parcerias bancárias. Ex-sócio do Banco Master, teve o nome ligado à Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes em carteiras de crédito vendidas ao BRB, envolvendo estruturas societárias complexas, fundos de investimento e conexões políticas em diferentes estados.
Quem é Augusto Lima: empresário do crédito consignado, criador do Credcesta e ex-sócio do Banco Master. Entenda sua trajetória, a expansão nacional do negócio, as conexões políticas e os desdobramentos da Operação Compliance Zero envolvendo o BRB.

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