A avicultura da Bahia encerrou 2025 com crescimento expressivo de 16,3% na produção de ovos e iniciou 2026 com perspectivas consideradas positivas para o setor. Livre de registros de gripe aviária, problema que atingiu outros estados brasileiros no ano anterior, o estado consolidou a liderança no Nordeste ao alojar mais de 152 milhões de pintinhos destinados à produção de frango de corte. O desempenho reforça a posição baiana no mercado interno e cria bases para a retomada das exportações, em um cenário de reorganização da cadeia avícola nacional.
O resultado reflete a combinação entre controle sanitário rigoroso, segurança alimentar e rastreabilidade, exigências observadas pelos criadores e supervisionadas pelos órgãos estaduais. Com isso, a Bahia se mantém como um dos maiores produtores de frango do Norte e Nordeste e ocupa atualmente a 9ª posição no ranking nacional, ampliando sua relevância no agronegócio brasileiro.
Sanidade animal e fiscalização sustentam o crescimento
A sanidade animal permanece como eixo central da política pública voltada à avicultura no estado. A atuação da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), em conjunto com a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), ocorre de forma alinhada ao Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA), com foco na prevenção e no controle de doenças, além da fiscalização de abatedouros frigoríficos.
O trabalho envolve monitoramento constante, ações preventivas e inspeções sistemáticas, garantindo que os produtos cheguem ao consumidor final dentro dos padrões exigidos de qualidade e segurança alimentar. Essa estrutura de defesa agropecuária é apontada como fator decisivo para a estabilidade produtiva observada em 2025.
Segundo o secretário da Seagri, Pablo Barrozo, a ausência de focos de gripe aviária no território baiano está diretamente relacionada à cooperação entre setor público e produtores. De acordo com ele, a integração do sistema de defesa agropecuária foi determinante para preservar a competitividade da avicultura local e proteger a cadeia produtiva.
Perspectivas para 2026 e fortalecimento do mercado interno
As expectativas para 2026 são consideradas favoráveis, especialmente com a retomada das importações por mercados estratégicos, como China e União Europeia. Esse movimento tende a reorganizar o fluxo de produtos no país, reduzindo a entrada de frango de outros estados no mercado interno baiano e fortalecendo a produção local.
De acordo com a avaliação da Seagri, o aumento da oferta local contribui para ampliar o consumo de frango produzido na própria Bahia, consolidando o produto na mesa dos consumidores e gerando impactos positivos sobre emprego, renda e arrecadação no estado.
Diálogo institucional e agenda de oportunidades
A presidente da Associação Baiana de Avicultura (ABA), Kesley Jordana, destaca que o diálogo com os governos estadual e federal tem sido contínuo e produtivo. Segundo ela, a articulação institucional tem favorecido a construção de soluções voltadas ao desenvolvimento sustentável da avicultura baiana.
Entre as prioridades em discussão estão:
- ampliação do acesso a financiamento para modernização das granjas;
- incentivos fiscais para estimular novos investimentos;
- programas de crédito direcionado a pequenos e médios produtores;
- campanhas de valorização da produção local junto ao consumidor baiano.
A avaliação da entidade é que essas medidas podem elevar a competitividade do setor e reduzir desigualdades internas na cadeia produtiva.
Exportações brasileiras de frango alcançam novo recorde
O desempenho da avicultura baiana ocorre em um contexto de forte expansão das exportações nacionais. Em 2025, o Brasil atingiu um recorde histórico ao embarcar 5,324 milhões de toneladas de carne de frango, superando os volumes de 5,14 milhões em 2023 e 5,294 milhões em 2024, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
O resultado reafirma o país como maior exportador mundial de frango, sustentado pela credibilidade sanitária e pela eficiência produtiva da cadeia. Para o assessor técnico da Seagri, Paulo Emílio Torres, o desempenho é fruto da atuação conjunta de produtores, entidades representativas e do poder público, comprometidos com o fortalecimento do agronegócio brasileiro.











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