A Bahia realizou 1.384 transplantes de órgãos em 2025, volume que representa crescimento de 33% na comparação com o ano anterior e marca o 11º ano consecutivo de aumento no estado, segundo dados contabilizados pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), por meio do Sistema Estadual de Transplantes. O desempenho consolida a expansão da política pública de transplantes na rede estadual, em uma trajetória de crescimento que, na última década, mais do que dobrou a capacidade transplantadora no território baiano.
Legenda da imagem: Infográfico sobre transplantes na Bahia: em 2025, o estado registra 1.384 procedimentos (+33% ante 2024) e mantém fila única com 3.809 pessoas aguardando, segundo dados do Sistema Estadual de Transplantes/Sesab.
A secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, atribuiu o resultado a investimentos contínuos, ao trabalho das equipes e ao fortalecimento da rede, com foco em ampliar o acesso, reduzir o tempo de espera e incentivar a doação de órgãos. Já o coordenador do Sistema Estadual de Transplantes, Eraldo Moura, destacou o caráter integrado do processo, da identificação do potencial doador à realização do procedimento, e apontou como desafio permanente a ampliação da conscientização das famílias, etapa decisiva para efetivar doações no Brasil.
Crescimento sustentado e consolidação da política de transplantes
Os números de 2025 reforçam uma tendência de expansão contínua. De acordo com a série histórica apresentada no balanço, a Bahia passou de 573 transplantes em 2015 para 1.040 em 2024, atingindo 1.384 em 2025. No recorte de 2015 a 2024, o estado mais do que dobrou a quantidade de procedimentos realizados, mantendo crescimento ao longo da década.
O avanço ocorre após um período em que sistemas de saúde em todo o país enfrentaram impactos relevantes da pandemia em 2020, citada no histórico como um marco de pressão sobre fluxos assistenciais. Ainda assim, a trajetória estadual descrita no balanço indica continuidade do aumento e reforço progressivo da capacidade operacional.
Na avaliação da gestão, o desempenho aponta para amadurecimento da rede, com efeitos diretos sobre a assistência. A leitura oficial enfatiza que cada procedimento representa uma possibilidade concreta de continuidade de vida, sustentada por um conjunto de rotinas que dependem de logística, equipes treinadas e articulação entre unidades e serviços.
Como funciona a doação de órgãos no Brasil
A doação de órgãos no Brasil não depende de registro prévio em documento para ser válida. O procedimento é condicionado à autorização familiar, prevista na Lei nº 10.211, de 23 de março de 2001, e, por isso, a orientação é que a pessoa manifeste em vida a intenção de ser doadora e comunique formalmente à família.
Podem ser doadores indivíduos entre 2 e 80 anos, desde que haja autorização de parente de primeiro grau — como pais, irmãos ou cônjuge. A autorização deve ser concedida na presença de duas testemunhas, conforme informado no conteúdo do Sistema Estadual de Transplantes.
Na prática, a decisão familiar torna-se o ponto central do sistema: mesmo quando há potencial doador identificado, o processo só avança se houver consentimento, o que reforça o peso da informação e do diálogo dentro das famílias.
Fila de espera: 3.809 pessoas aguardavam transplante na Bahia em dezembro de 2025
Em dezembro de 2025, o Sistema Estadual de Transplantes registrava 3.809 pessoas na fila de espera por transplante na Bahia. A maior demanda era por rim, com 2.146 pessoas aguardando, incluindo pacientes adultos e pediátricos. Em seguida, aparece a demanda por córnea, com 1.650 pacientes na fila.
No caso específico de córneas, o conteúdo destaca parâmetros operacionais: a captação pode ocorrer em até seis horas após o óbito e, após a retirada, o tecido pode ser armazenado por até 14 dias, o que amplia a capacidade de organização logística para viabilizar o transplante com segurança.
O sistema de fila é descrito como único, atendendo tanto pacientes do SUS quanto da rede privada, o que unifica critérios e ordenamento independentemente da origem do atendimento.
Critérios técnicos e prioridade por gravidade
A organização da lista segue critérios técnicos como tipagem sanguínea, compatibilidade de peso e altura, compatibilidade genética e critérios de gravidade específicos para cada tipo de órgão. Quando há equivalência entre critérios técnicos, a ordem cronológica de cadastro é utilizada como critério de desempate.
Pacientes em estado crítico têm prioridade, de acordo com o material, e situações de extrema gravidade influenciam diretamente a posição na fila. São citados como exemplos de prioridade: impossibilidade total de acesso à diálise para pacientes renais; insuficiência hepática aguda grave em casos de doença do fígado; necessidade de assistência circulatória em pacientes cardiopatas; e rejeição de órgãos recentemente transplantados.














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