Caso Banco Master: inspeção do TCU no Banco Central amplia pressão institucional e expõe indícios de corrupção na República

A inspeção do TCU nos documentos do Banco Master mantidos no Banco Central ocorre em meio a investigações criminais que apontam indícios de corrupção institucional e tentativas de captura do Estado. O mercado reage com cautela, enquanto o STF aguarda novos desdobramentos para definir a competência do caso. O episódio ultrapassa a esfera financeira e se projeta como um teste relevante para a integridade das instituições da República.
Inspeção do TCU no caso Banco Master ocorre em meio a investigações no STF e indícios de corrupção institucional, ampliando impactos políticos, jurídicos e financeiros.

Sábado, 03/01/2026 — O Tribunal de Contas da União (TCU) iniciou, em pleno recesso do Judiciário, uma inspeção técnica presencial nos documentos sob guarda do Banco Central do Brasil (BCB) relativos à liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro de 2025. A medida amplia a pressão institucional sobre um dos mais graves escândalos financeiros recentes do país e ocorre em paralelo às investigações criminais da Polícia Federal, sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em um contexto marcado por indícios consistentes de corrupção institucional, tráfico de influência e tentativas de captura regulatória.

A iniciativa foi deflagrada após o Banco Central encaminhar ao TCU nota técnica explicativa sem a totalidade dos documentos comprobatórios, sob alegação de sigilo bancário. Diante dessa limitação, a Corte de Contas designou equipe técnica para análise in loco, em ambiente controlado — procedimento reservado a casos de alta sensibilidade institucional e sistêmica. A inspeção terá prazo inicial de 30 dias, prorrogável, permanecerá sob sigilo e antecede eventual deliberação colegiada.

Segundo informações oficiais, a unidade técnica do TCU deverá concluir a análise e encaminhar relatório ao gabinete do relator, etapa indispensável para qualquer avanço processual. Apenas após esse rito o processo poderá ser apreciado pelo colegiado, resguardado pelo sigilo decorrente da presença de dados bancários sensíveis.

O presidente do TCU, Vital do Rêgo, destacou que a Corte atua como órgão de controle de segunda ordem, sem competência para substituir o juízo técnico-prudencial do Banco Central. A observância rigorosa do procedimento, segundo o entendimento predominante, não é mero formalismo, mas uma barreira institucional contra decisões precipitadas, especialmente em um ambiente de elevada pressão política e econômica.

Nos bastidores, ministros avaliam que qualquer tentativa de suspensão da liquidação por medida cautelar seria rejeitada pelo plenário, uma vez que decisões monocráticas no TCU exigem homologação imediata. O entendimento consolidado é de que não há respaldo constitucional para interferência direta da Corte de Contas em decisões prudenciais da autoridade monetária.

Enquanto isso, o mercado acompanha o caso com apreensão crescente, diante dos riscos à previsibilidade regulatória, de eventuais impactos sobre o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e das repercussões associadas às apurações que envolvem a tentativa de venda do Banco Master ao BRB, carteiras de crédito com inconsistências e operações simuladas que fundamentaram a atuação do regulador e das autoridades criminais.

Isolamento do relator e desconforto interno

A atuação do relator do processo tornou-se foco de desconforto institucional. Fontes do tribunal indicam que seu respaldo no colegiado é limitado e que qualquer avanço além da inspeção técnica seria interpretado como extrapolação de competências.

O perfil do ministro — indicado por forças políticas do Congresso e sem trajetória prévia no controle externo — reforçou resistências internas. O caso é tratado como delicado e de alto risco sistêmico, tanto pelas conexões políticas e financeiras do controlador do banco quanto pelo potencial impacto no mercado e no sistema de garantias.

Reação do sistema financeiro e risco de instabilidade

A mera hipótese de reversão da liquidação extrajudicial provocou apreensão entre agentes financeiros, sobretudo pelo risco de interrupção de pagamentos a investidores via Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Técnicos alertam que uma decisão desse tipo comprometeria a previsibilidade regulatória e poderia ampliar prejuízos.

O relator sinalizou a interlocutores que não concederá liminar antes da conclusão da inspeção, comprometendo-se a seguir exclusivamente as recomendações da área técnica e do Ministério Público junto ao TCU. Ainda assim, o episódio expôs fraturas institucionais e elevou o grau de vigilância sobre o caso.

Origem da crise: BRB, créditos inexistentes e operações simuladas

O escândalo tem raízes no segundo semestre de 2024, quando o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, passou a ser monitorado por estratégia agressiva de captação, com promessa de retornos muito acima do mercado. A situação se agravou com o anúncio da venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB), em março de 2025.

Antes da conclusão da operação, o BRB adquiriu R$ 12,7 bilhões em carteiras de crédito do Master. Posteriormente, o Banco Central identificou graves inconsistências, incluindo créditos inexistentes, rejeitou a transação em setembro e comunicou indícios de crimes financeiros ao Ministério Público Federal.

As apurações passaram a integrar a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e chegaram ao STF. Depoimentos e acareações revelaram contradições relevantes entre o controlador do banco, ex-dirigentes do BRB e representantes do Banco Central, reforçando suspeitas de documentos fraudulentos, operações simuladas e tentativas de legitimação artificial de ativos.

*Com informações do jornal Folha de S.Paulo, Estadão, O Globo, Veja e Metrópoles.

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