A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), integrante da CPMI do INSS, afirmou neste domingo (11/01/2026) que a comissão identificou “grandes igrejas” e “grandes pastores” como parte de um esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas. Em entrevista ao SBT News, a parlamentar relatou pressões políticas e institucionais para conter o avanço das investigações, motivadas pelo receio de impacto entre fiéis e comunidades religiosas.
Segundo Damares, as tentativas de atravancar os trabalhos são recorrentes desde que surgiram indícios envolvendo lideranças religiosas de grande influência nacional. A senadora declarou que há pedidos explícitos para que nomes não sejam citados nem investigados, sob o argumento de evitar “tristeza” entre fiéis, o que, para ela, configura lobby contra a apuração parlamentar.
Pressões e alcance das investigações
Ao detalhar o cenário, Damares afirmou que a CPMI vem alcançando camadas do esquema não previstas inicialmente, o que teria ampliado a resistência aos trabalhos. Para a senadora, a identificação de instituições religiosas em investigações de desvios envolvendo aposentados provoca reação organizada para limitar a exposição e a responsabilização dos envolvidos.
Ela ressaltou que o alcance das apurações superou as expectativas iniciais dos próprios parlamentares. “Estamos chegando a lugares que jamais imaginávamos”, afirmou, acrescentando que o avanço sobre organizações de grande capilaridade social torna o trabalho politicamente sensível, mas necessário para a responsabilização.
“Nova era” das comissões parlamentares
Ainda na entrevista, Damares sustentou que a CPMI do INSS inaugura uma “nova era” para comissões parlamentares, ao alcançar governos de campos políticos distintos e estruturas diversas. Segundo ela, o colegiado tem compromisso com entregas concretas, independentemente do espectro partidário dos envolvidos.
A parlamentar reforçou que a comissão não atua com seletividade política e que o foco permanece nos mecanismos do esquema, na identificação dos responsáveis e na proteção das vítimas, especialmente aposentados e pensionistas atingidos por descontos e contratos irregulares.
Próximos passos e pedido de prorrogação
O presidente da CPMI, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou que, em fevereiro de 2026, será apresentado o primeiro balanço do relatório preliminar referente às atividades do ano anterior. O encerramento formal da comissão está previsto para março, mas Viana defende a prorrogação por mais 60 dias.
Em nota, o senador argumentou que o prazo atual é insuficiente diante da dimensão nacional e da complexidade do esquema. Para ele, a extensão do prazo é indispensável para aprofundar apurações, rastrear patrimônio oculto, identificar todos os responsáveis e garantir reparação às vítimas.
Números da CPMI e medidas em estudo
Ao longo do último ano, a comissão realizou 28 reuniões e ouviu 26 testemunhas, incluindo dois ex-ministros da Previdência: Carlos Lupi, titular da pasta quando as irregularidades vieram a público, e Onyx Lorenzoni, responsável pelo ministério durante o governo Bolsonaro, período em que teriam começado os desvios.
Entre os resultados parciais já divulgados estão a análise de 4.800 documentos e a identificação de 108 empresas suspeitas. Viana também anunciou que pretende solicitar ao STF a suspensão imediata de quase 2 milhões de contratos de empréstimo consignado considerados suspeitos de irregularidades, medida que pode ter impacto direto sobre o sistema do INSS.
Pressão religiosa e limites institucionais
A menção a grandes igrejas e lideranças religiosas introduz um elemento sensível nas investigações, ao tensionar a relação entre liberdade religiosa, influência social e responsabilização institucional. O relato de pressões para silenciar apurações indica um desafio clássico das CPIs: investigar estruturas com forte poder de mobilização sem comprometer a transparência.
Os desdobramentos dependem da capacidade da CPMI de produzir provas robustas, sustentar pedidos judiciais e resistir a lobbies. Eventuais omissões — como a não divulgação imediata de nomes — podem ser interpretadas como cautela processual, mas também alimentam críticas sobre opacidade. A prorrogação proposta será decisiva para medir a efetividade do colegiado.
Por fim, o pedido de suspensão em massa de contratos consignados, se acolhido pelo STF, poderá gerar impactos econômicos e administrativos relevantes, além de testar os limites de atuação entre Legislativo e Judiciário. O equilíbrio entre celeridade, legalidade e proteção às vítimas será determinante para a credibilidade do relatório final.
*Com informações do jornal O Globo.








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