Publicado originalmente nesta quinta-feira (29/01/2026), no jornal Tribuna da Bahia, o artigo “A suprema crise do STF”, de autoria do jornalista Joaci Góes, reacende o debate público sobre a credibilidade institucional do Supremo Tribunal Federal, ao associar denúncias de corrupção, decisões judiciais controversas e a atuação de ministros da Corte a um quadro mais amplo de crise moral e política no Brasil. O texto articula referências históricas, críticas ao Judiciário e apontamentos sobre o governo Lula, situando o STF no centro de uma controvérsia que extrapola o campo jurídico e alcança o debate ético e institucional.
No artigo, Joaci Góes recorre à célebre frase do jornalista Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, para estabelecer o tom da crítica: “Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos”. A citação é utilizada como metáfora para o momento atual vivido pelo país, com ênfase no Supremo Tribunal Federal, que, segundo o autor, enfrenta um período de desgaste moral sem precedentes.
O texto sustenta que denúncias envolvendo ministros da Suprema Corte produzem um impacto institucional distinto daquele observado em casos semelhantes no Executivo ou no Legislativo. Isso porque, diferentemente de parlamentares e governantes, os integrantes do STF são escolhidos sob o requisito constitucional de notável saber jurídico e reputação ilibada, condição que lhes confere um papel simbólico central na arquitetura democrática brasileira.
Ministros citados e repercussões políticas
Entre os nomes mencionados no artigo estão os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, apontados como figuras centrais em episódios associados a decisões judiciais polêmicas e a controvérsias recentes envolvendo o sistema financeiro e o governo federal.
Joaci Góes argumenta que, caso as acusações recaíssem sobre membros do Executivo ou do Legislativo, os efeitos seriam diluídos pela lógica política e pelo peso numérico dessas instituições. No entanto, quando atingem o STF, produzem um abalo sistêmico, capaz de gerar instabilidade institucional e repercussões eleitorais, especialmente em um ano de disputas políticas sensíveis.
Lava Jato, anulações e o legado institucional
O artigo também resgata o contexto da Operação Lava Jato, destacando a anulação das condenações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um marco decisivo para a configuração atual do STF. Para o autor, as decisões que invalidaram o processo conduzido pelo então juiz Sérgio Moro contribuíram para consolidar um perfil da Corte percebido como excessivamente tolerante com práticas questionáveis no âmbito político.
Nesse ponto, Joaci Góes associa o desgaste do Judiciário à percepção pública de impunidade, afirmando que decisões judiciais têm repercussões diretas sobre a confiança da sociedade nas instituições e sobre o próprio funcionamento do Estado de Direito.
Banco Master e conexões com o poder
Outro eixo central do artigo é o caso Banco Master, classificado pelo autor como um escândalo de grandes proporções. O texto menciona o empresário Daniel Vorcaro, citado como personagem relevante nas articulações políticas e econômicas que cercam o episódio.
Segundo o artigo, encontros fora da agenda oficial e contratos firmados com figuras influentes da República alimentam suspeitas de advocacia administrativa e tráfico de influência, ampliando o alcance político do caso. O autor sustenta que os desdobramentos do escândalo ainda não estão plenamente conhecidos e podem ganhar maior visibilidade com a retomada das atividades do Congresso Nacional.
Ética, tolerância e degradação moral
Na parte final do texto, Joaci Góes recorre a reflexões do jornalista Roberto Pompeu de Toledo para alertar sobre os riscos de naturalização da desonestidade na vida pública. A tolerância reiterada a práticas irregulares, segundo o autor, pode conduzir a um estágio de degradação moral coletiva, no qual a corrupção deixa de ser exceção e passa a ser regra.
Nesse contexto, o artigo defende a importância de iniciativas institucionais voltadas à ética, como a proposta da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo para a criação de um código de ética formal, visto como instrumento necessário diante das fragilidades expostas no sistema de Justiça.











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