O deputado federal José Cerqueira Neto, conhecido como Zé Neto (PT-BA), avaliou nesta quarta-feira (21/01/2026) sua participação na Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial, realizada entre 19 e 23 de janeiro em Davos-Klosters, na Suíça. Representando a Câmara dos Deputados, o parlamentar destacou a centralidade do diálogo internacional, os debates sobre infraestrutura sustentável, energia limpa, inovação tecnológica e os desdobramentos geopolíticos provocados pela presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além da forte atuação de países emergentes como Índia e China no redesenho da ordem econômica global.
Fórum reúne lideranças globais e reforça apelo por ação coletiva
A edição de 2026 do encontro, que teve como eixo temático “Um espírito de diálogo”, reuniu líderes dos setores governamental, empresarial, acadêmico e da sociedade civil para discutir caminhos de cooperação diante de desafios globais.
Segundo Zé Neto, o evento superou expectativas em termos de presença e diversidade de atores, com destaque para a delegação da Índia, sinalizando o crescente protagonismo do país no cenário internacional.
O deputado avaliou que o ambiente de Davos refletiu um momento de transição, marcado por tensões geopolíticas, reconfiguração de alianças comerciais e busca por novos consensos multilaterais. Para ele, o apelo por ações coletivas ousadas tornou-se ainda mais relevante diante das incertezas econômicas e políticas que atravessam o sistema internacional.
Presença de Trump gera tensão e reabre debates geopolíticos
Um dos pontos centrais destacados pelo parlamentar foi a participação do presidente norte-americano no fórum. De acordo com Zé Neto, os discursos de Trump causaram apreensão entre líderes europeus ao reafirmar posições consideradas controversas, como as pretensões em relação à Groenlândia e a manutenção de políticas de controle sobre a Venezuela, além de críticas diretas à condução econômica da União Europeia.
Na avaliação do deputado, tais posicionamentos contrastam com o que foi construído ao longo de décadas pelo próprio sistema internacional liderado pelos Estados Unidos, baseado na cooperação multilateral. O cenário, segundo ele, reforçou a defesa de modelos alternativos de articulação econômica, como os promovidos por países do Sul Global e por blocos regionais.
Acordo Mercosul–União Europeia e fortalecimento da bilateralidade
Zé Neto ressaltou que os debates em Davos também foram marcados pela recente consolidação do acordo entre Mercosul e União Europeia, aguardado há cerca de quatro décadas. Para o parlamentar, o acordo simboliza um avanço significativo na integração comercial e política entre os blocos, em consonância com o crescimento de economias como China e Índia.
Durante o evento, o deputado manteve agenda oficial intensa, incluindo encontro com o embaixador do Brasil na Suíça, Guilherme Patriota. Segundo ele, ficou acertada a realização de um evento entre abril e maio para debater os primeiros meses de vigência do acordo Mercosul–União Europeia, com foco na ampliação do conhecimento técnico e na aproximação institucional entre Brasil e Europa.
Infraestrutura, energia limpa e inovação dominam discussões
De acordo com o parlamentar, infraestrutura foi um dos temas mais recorrentes ao longo dos dias de debates em Davos, especialmente sob a ótica da transição energética, do crédito de carbono, da inovação tecnológica e da inteligência artificial. A nova dimensão do trabalho e seus impactos econômicos e sociais também ocuparam espaço relevante nas discussões.
Zé Neto destacou que essas agendas dialogam diretamente com sua atuação parlamentar, sobretudo nas frentes do empreendedorismo e do comércio e serviços, das quais é vice-presidente, além de sua participação em comissões ligadas à segurança, tributação e desenvolvimento econômico. Segundo ele, as informações e contatos obtidos no fórum servirão de subsídio para aprimorar a atuação legislativa no Brasil.
Participação brasileira e atuação do governo federal
O deputado também ressaltou a participação da ministra Esther Dweck, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, que representou o Brasil em diversas agendas. Segundo Zé Neto, a ministra enfatizou a importância do diálogo político e econômico, tanto no mercado interno quanto no externo, alinhada à estratégia de bilateralidade defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na avaliação do parlamentar, embora a presença ministerial brasileira pudesse ter sido mais ampla em 2026, o desempenho da delegação reforçou a imagem do país como ator relevante no debate sobre a nova ordem econômica. Ele afirmou que a experiência acumulada nos primeiros anos do atual governo tende a ampliar a participação brasileira nas próximas edições do fórum.
Reforma tributária brasileira ganha destaque internacional
Outro ponto mencionado por Zé Neto foi o interesse demonstrado por representantes de diversos países — como Suíça, Inglaterra, Índia, China, Indonésia e outros — em relação à reforma tributária brasileira. Segundo ele, o tema foi recorrente em diálogos informais e painéis, sendo visto como um movimento de estabilização e modernização do sistema tributário nacional.
O deputado afirmou que a nova ordem tributária cria maior previsibilidade e alinhamento com práticas internacionais, fortalecendo a capacidade do Brasil de atrair investimentos e promover crescimento econômico. Ele destacou sua participação nos debates que levaram à aprovação da reforma como um dos ativos levados ao fórum.
Atuação parlamentar e articulação com organismos internacionais
Zé Neto lembrou ainda que sua presença em Davos também esteve relacionada à missão de coordenar, no Parlamento brasileiro, o capítulo nacional da rede parlamentar do Banco Mundial, iniciativa criada no ano anterior e que reúne Senado e Câmara. Segundo ele, os contatos e agendas estabelecidos no fórum devem contribuir para o desenvolvimento de projetos e para a troca de informações estratégicas voltadas às diferentes regiões do país.
Ao encerrar sua participação, o parlamentar avaliou a experiência como relevante para o mandato e para o Brasil, ressaltando que os aprendizados e conexões estabelecidos em Davos poderão fortalecer o diálogo econômico internacional, apoiar as políticas conduzidas pelo ministro Fernando Haddad e ampliar a integração do país com outras nações.












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