O artigo “Ditadura, hipocrisia e atraso”, assinado por Joaci Góes e publicado na Tribuna da Bahia nesta quinta-feira (08/01/2026), analisa a repercussão internacional da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e utiliza o episódio como ponto de partida para uma crítica contundente ao autoritarismo, à corrupção sistêmica e às fragilidades institucionais no Brasil. O texto relaciona política externa, atuação dos Poderes da República, escândalos financeiros e o papel dos organismos internacionais, traçando paralelos históricos e institucionais para sustentar a tese de que regimes e consórcios de poder baseados na impunidade tendem a ruir.
A captura de Maduro e o simbolismo político internacional
No artigo, Joaci Góes descreve a prisão de Nicolás Maduro como um episódio de forte carga simbólica. O autor classifica o líder venezuelano como “a expressão máxima do que há de pior na vanguarda do atraso”, afirmando que sua queda funciona como advertência aos governantes que se sustentam “na miséria dos povos que governam”.
Segundo o texto, a operação teria ocorrido de forma rápida e humilhante, sem baixas entre soldados norte-americanos, o que, na avaliação do articulista, reforçou o impacto político do episódio no cenário internacional. Góes sustenta que o desfecho fortaleceu o prestígio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, especialmente diante da fragilidade dos mecanismos multilaterais de contenção de abusos autoritários.
ONU enfraquecida e disputas de narrativa
O autor direciona críticas diretas à Organização das Nações Unidas, apontando a incapacidade do organismo de impedir atrocidades internas contra populações civis ao longo de décadas. Para Góes, a reação internacional à captura de Maduro evidenciou a polarização ideológica que marca o debate sobre soberania e direitos humanos.
No texto, ele afirma que os protestos contra a operação se perderam “nas lamúrias dos que defendem a soberania dos povos exclusivamente sob o prisma de visões ideológicas previsíveis”, sugerindo seletividade moral na condenação de violações, a depender do alinhamento político dos regimes envolvidos.
A posição do Brasil e a tradição diplomática
Ao tratar da reação brasileira, Joaci Góes observa que o presidente optou por uma postura cautelosa, delegando ao Itamaraty a condução das manifestações oficiais. Segundo o artigo, a diplomacia brasileira restringiu-se à defesa do princípio da soberania nacional.
O autor associa essa escolha à tradição inaugurada por Rui Barbosa na Segunda Conferência de Haia, em 1907, quando o Brasil consolidou prestígio internacional ao sustentar a igualdade jurídica entre as nações. Para Góes, trata-se de uma referência histórica utilizada como escudo político em meio às pressões eleitorais internas.
Escândalo do Banco Master e o consórcio de poder
Um dos eixos centrais do artigo é a conexão entre o episódio internacional e o escândalo envolvendo o Banco Master. Joaci Góes sustenta que a repercussão da prisão de Maduro teria funcionado como um “presente dos céus” para integrantes dos três Poderes supostamente envolvidos no caso, ao desviar momentaneamente a atenção pública.
O autor afirma que o episódio do Banco Master, ainda em curso de revelação, tem potencial para se tornar “o mais escandaloso caso de corrupção” da história recente do país, tanto pelo valor das propinas quanto pelo nível dos envolvidos. Para reforçar a crítica, ele cita o jornalista Roberto Pompeu de Toledo, ao mencionar a persistência estrutural da corrupção no Brasil.
TCU, Banco Central e a “Caixa de Pandora”
O artigo também aborda a crise institucional entre o Tribunal de Contas da União e o Banco Central do Brasil, relacionada à liquidação extrajudicial do Banco Master. Para Góes, o embate tende a expor informações sensíveis que podem comprometer figuras públicas apresentadas como “salvadores da Pátria”.
Em tom metafórico, o autor afirma que o conflito institucional se transformará em uma “Caixa de Pandora”, capaz de revelar práticas ocultas e aprofundar a crise de credibilidade das instituições, especialmente diante de condenações judiciais que, segundo ele, recaíram sobre “inocentes covardes”.
8 de janeiro e a crítica ao Judiciário
Joaci Góes encerra o artigo lembrando que 08 de janeiro marca, em sua avaliação, “a data aniversária do maior crime praticado pelo Poder Judiciário contra patriotas brasileiros”. A afirmação insere o texto no debate mais amplo sobre os desdobramentos institucionais e políticos dos atos ocorridos em 8 de janeiro de 2023.
O autor conclui com ironia ao mencionar uma declaração de Donald Trump sobre seu gosto pessoal por “pescar moluscos”, utilizando a imagem como metáfora provocativa dirigida a adversários políticos e a setores que, segundo ele, se beneficiam da tolerância com práticas ilícitas.
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