Éden Valadares admite pré-candidatura em 2026, prioriza reeleição do presidente Lula e promete oposição ao magalhismo na Bahia

Éden Valadares afirmou que a prioridade do PT é a eleição de 2026, com foco na reeleição de Lula e Jerônimo Rodrigues e na ampliação das bancadas. Admitiu eventual pré-candidatura construída coletivamente, reafirmou oposição ao magalhismo na Bahia e alertou para os riscos da influência das Big Techs, defendendo soberania digital e regulamentação das plataformas.
Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação do PT, aborda cenário eleitoral de 2026, a sucessão municipal de 2028 e os desafios impostos pelas plataformas digitais ao processo democrático.

O secretário nacional de Comunicação do Partido dos Trabalhadores (PT), Éden Valadares, afirmou que a eleição geral de 2026 constitui a prioridade absoluta da legenda, com todos os esforços concentrados na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador da Bahia Jerônimo Rodrigues e na ampliação das bancadas estadual e federal do campo governista. Embora tenha ressaltado que não há definição prévia sobre candidaturas individuais, o dirigente não descartou a possibilidade de vir a disputar um mandato eletivo, desde que essa decisão resulte de uma construção coletiva no partido.

A declaração foi feita durante entrevista ao programa Política Ao Vivo, quando Valadares foi questionado sobre o cenário político futuro, incluindo a eleição municipal de Salvador em 2028. Segundo ele, não existe candidatura natural no PT para a sucessão na capital, e qualquer debate sobre nomes deve considerar a relevância histórica, política e social de Salvador no contexto baiano e nacional.

Foco estratégico em 2026 e cautela sobre 2028

Valadares enfatizou que o partido atua sob a compreensão de que antecipar disputas futuras pode comprometer a estratégia eleitoral imediata. Para o dirigente, a eleição de 2026 exige disciplina política, unidade interna e coordenação nacional, sobretudo diante do objetivo de consolidar o projeto político iniciado com o retorno de Lula à Presidência da República.

Ao tratar especificamente da sucessão municipal em Salvador, o secretário destacou que o tema ainda não foi debatido internamente e que a definição ocorrerá no momento adequado. Para ele, a capital baiana demanda responsabilidade política compatível com seu peso institucional e simbólico, o que afasta decisões precipitadas ou personalistas.

Nesse contexto, Valadares reiterou que não possui “fetiche” por candidaturas. Lembrou que suas experiências eleitorais ocorreram no âmbito interno do PT, quando concorreu e venceu disputas como a de presidente estadual da legenda, cargo exercido após obter cerca de 60% dos votos, período no qual afirma ter se dedicado integralmente à organização partidária na Bahia.

Trajetória política e posicionamento ideológico

O secretário nacional de Comunicação também relembrou sua atuação no movimento estudantil, na União Nacional dos Estudantes (UNE) e em diferentes funções exercidas nos governos petistas, inclusive durante a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff. Atualmente, ocupa uma posição estratégica na direção nacional do partido, responsável por formular e articular a comunicação política da legenda.

Apesar de afirmar que uma candidatura não integra seus planos imediatos, Valadares foi categórico ao definir seu posicionamento político. Segundo ele, independentemente do papel que venha a desempenhar — como dirigente partidário, integrante do governo ou eventual candidato — sua atuação será de oposição ao magalhismo que, em sua avaliação, busca se reafirmar na Bahia.

Ao tratar do tema, o dirigente diferenciou o fenômeno histórico do carlismo daquele que hoje se manifesta na política baiana. A referência, segundo Valadares, é ao magalhismo contemporâneo, associado à tentativa de reatualização de um projeto de poder familiar liderado por ACM Neto e sustentado por aliados como o atual prefeito da capital, Bruno Reis. Para o dirigente petista, trata-se de uma visão política que procura preservar práticas hierárquicas e centralizadoras, incompatíveis com as transformações sociais e institucionais vividas pela Bahia nas últimas décadas.

Big Techs, eleições e soberania digital

Além das questões eleitorais locais e nacionais, Valadares dedicou parte significativa da entrevista à análise do impacto das grandes plataformas digitais sobre o processo democrático. Segundo ele, a comunicação política migrou de forma decisiva para as redes sociais, onde algoritmos privados exercem influência direta sobre o alcance, a visibilidade e a hierarquização das informações.

O secretário afirmou que há sinais claros de alinhamento político dessas empresas com narrativas conservadoras, citando a presença de executivos de grandes plataformas na posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para Valadares, experiências internacionais recentes reforçam o alerta sobre a possibilidade de interferência indireta nos processos eleitorais.

Nesse cenário, ele destacou a atuação do presidente Lula em fóruns multilaterais, como o G20, onde o tema da soberania digital foi tratado como questão estratégica. Segundo o dirigente, o controle do fluxo de informações por conglomerados privados configura uma forma de “colonialismo digital”, capaz de submeter Estados nacionais a interesses econômicos externos.

Regulamentação das plataformas e defesa da cidadania

Valadares defendeu que o interesse nacional, a proteção dos direitos fundamentais e a integridade da democracia não podem ficar subordinados à lógica do lucro das grandes empresas de tecnologia. Para ele, a prática de condicionar alcance informacional à monetização compromete o debate público e distorce a formação da vontade política do eleitor.

O secretário revelou estar concluindo uma série de artigos sobre o tema, nos quais sustenta que o voto não pode ser determinado por algoritmos privados. Em sua avaliação, a regulamentação das redes sociais é um instrumento necessário para garantir o direito de comunicar, ouvir e ser ouvido sem filtros econômicos ou interferências corporativas.

Segundo Valadares, as eleições de 2026 tendem a ser particularmente desafiadoras justamente pela centralidade das plataformas digitais no processo político. A resposta institucional, afirma, passa por regulação democrática, fiscalização transparente e fortalecimento da cidadania.

Carlismo e magalhismo: distinção conceitual e base teórica

Do ponto de vista analítico, a substituição do termo carlismo por magalhismo decorre de uma distinção histórica e sociológica formulada pelo jornalista e cientista social Carlos Augusto. Segundo essa abordagem, o carlismo constituiu um fenômeno político personalista, ancorado na liderança carismática e centralizadora de Antônio Carlos Magalhães, encerrando-se como ciclo histórico com a morte do ex-senador, em 2007. Tratava-se de um poder concentrado na figura do líder, pouco transferível e dependente de sua presença direta na arena política.

O magalhismo, por sua vez, representa a continuidade estrutural de um projeto de poder familiar, agora desvinculado da liderança fundadora, mas sustentado pelo capital político, eleitoral e simbólico acumulado ao longo de décadas. Essa distinção dialoga com a tradição marxista, especialmente com as formulações de Karl Marx sobre a reprodução das relações de poder e de Antonio Gramsci acerca da hegemonia, entendida como a capacidade de um grupo dirigente manter sua influência não apenas pela coerção direta, mas pela reorganização cultural, institucional e simbólica do poder. Nessa perspectiva, o magalhismo não é uma simples repetição do carlismo, mas sua reconfiguração histórica, adaptada às condições da democracia representativa, preservando traços como centralidade familiar, hierarquização política e controle regional sob novas formas discursivas e eleitorais.

Magalhismo, estratégia eleitoral e disputa pelo controle informacional

As declarações de Éden Valadares evidenciam uma estratégia política clara do PT: manter foco absoluto na eleição de 2026, evitando antecipações que fragilizem a coesão interna, ao mesmo tempo em que delimita com precisão seus adversários históricos na Bahia. A adoção do conceito de magalhismo confere maior precisão histórica ao discurso, ao reconhecer o encerramento do carlismo como ciclo personalista e a permanência de um projeto familiar reconfigurado.

No plano nacional, a ênfase na soberania digital amplia o debate para além da disputa partidária tradicional e insere o papel das Big Techs no centro da agenda democrática. O desafio central será converter esse diagnóstico em políticas públicas eficazes, capazes de equilibrar liberdade de expressão, inovação tecnológica e proteção institucional do processo eleitoral.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Uma resposta

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.