O mercado brasileiro de veículos leves eletrificados encerrou 2025 com 223.912 unidades vendidas, crescimento de 26% em relação a 2024 e novo recorde histórico da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O desempenho foi dez vezes superior ao do mercado total de veículos leves, que avançou apenas 2,6% no mesmo período. A Bahia e o Nordeste ganharam centralidade nesse ciclo, impulsionados pela industrialização local, pela expansão do consumo e pela desconcentração regional das vendas.
Somente em dezembro de 2025, os eletrificados somaram 33.905 emplacamentos, alta de 57% sobre dezembro de 2024 e participação recorde de 13% nas vendas mensais de veículos leves. No acumulado do ano, a participação média foi de 9%, evidenciando mudança estrutural no padrão de consumo automotivo brasileiro.
Destaque regional: Bahia e Nordeste avançam acima da média histórica
O Nordeste encerrou 2025 como a terceira maior região em vendas de eletrificados, com 36.596 unidades, equivalentes a 16,3% do mercado nacional. Esse resultado consolida a região à frente do Centro-Oeste e reduz a concentração histórica no Sudeste, cuja participação caiu de 52% em 2023 para 46,4% em 2025.
Nesse contexto, a Bahia assume papel estratégico. A entrada em operação da fábrica da BYD em Camaçari marcou uma inflexão relevante, ao inserir o estado no núcleo produtivo da eletromobilidade nacional. Embora os dados de emplacamento estaduais detalhados não estejam discriminados no balanço agregado da ABVE, o peso industrial da Bahia impacta diretamente a dinâmica regional, fortalecendo cadeias logísticas, atraindo fornecedores e ampliando a oferta de modelos com custos mais competitivos no Nordeste.
A presença industrial baiana contribui ainda para reduzir assimetrias regionais, tradicionalmente concentradas em São Paulo e no Distrito Federal, estados que lideram as vendas nacionais, mas que agora dividem protagonismo com novos polos produtivos.
Comparativo histórico: aceleração clara a partir de 2023
Os dados históricos anexos evidenciam a aceleração consistente do mercado:
- Em 2021, o Brasil vendeu apenas 14.312 veículos BEV e PHEV.
- Em 2023, esse volume já havia saltado para 52.359 unidades.
- Em 2024, o total chegou a 125.624.
- Em 2025, atingiu 181.542 veículos elétricos plug-in, crescimento anual de 44,5% nessa categoria.
Esse avanço coincide com o início da produção nacional e com a maior diversidade de modelos. Em 2025, foram cerca de 400 modelos eletrificados disponíveis, 26% acima de 2024, ampliando o acesso do consumidor fora dos grandes centros tradicionais.
Tecnologias: plug-in lideram, híbridos ganham tração
A comparação entre 2024 e 2025 mostra que os veículos elétricos plug-in (BEV + PHEV) concentraram 81% das vendas de eletrificados em 2025, contra 71% em 2024. Os PHEV lideraram com 101.364 unidades, enquanto os BEV alcançaram 80.178.
Já os híbridos sem recarga externa (HEV e HEV Flex) cresceram em participação, atingindo 42.370 unidades em 2025, reflexo da adaptação do consumidor a tecnologias intermediárias, especialmente em regiões onde a infraestrutura de recarga ainda está em expansão — realidade comum em parte do Nordeste, inclusive na Bahia.
Os micro-híbridos (MHEV), embora não incluídos no conceito principal de eletrificados da ABVE a partir de 2025, apresentaram crescimento expressivo no período anterior, saltando de 16.185 unidades em 2024 para mais de 61 mil em 2025, indicando porta de entrada tecnológica para novos mercados regionais.
Capitais, interior e o papel baiano
Apesar da desconcentração regional, 53% dos emplacamentos de eletrificados em 2025 ainda ocorreram nas capitais, percentual apenas ligeiramente inferior ao de 2024. A tendência revela que o desafio da interiorização permanece, sobretudo em estados de grande extensão territorial como a Bahia.
Nesse cenário, a presença industrial em Camaçari e a expansão da malha rodoviária e logística do estado tendem a favorecer o avanço do consumo no interior baiano, reduzindo custos de distribuição e estimulando políticas locais de mobilidade sustentável.
Bahia como eixo estrutural, não apenas consumidor
Os dados de 2025 confirmam que a eletromobilidade brasileira entrou em fase de consolidação, com crescimento robusto e sustentado. A comparação histórica mostra que o salto não é episódico, mas resultado de mudança estrutural, combinando política industrial, investimento estrangeiro e maior aceitação do consumidor.
Nesse contexto, a Bahia não deve ser analisada apenas como mercado consumidor, mas como eixo estruturante da nova geografia automotiva nacional. A industrialização local altera o equilíbrio regional, fortalece o Nordeste e reduz a dependência do eixo Sul-Sudeste.
Persistem, contudo, desafios relevantes: expansão da infraestrutura de recarga, harmonização tributária e políticas públicas consistentes. O desempenho comparativo indica que, se esses entraves forem enfrentados, o Nordeste — com a Bahia à frente — tende a ampliar sua participação acima da média nacional nos próximos ciclos.
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