O embaixador Marwan Jebril, representante da Autoridade Palestina no Brasil, afirmou que os palestinos veem com apoio a eventual participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Conselho da Paz, criado e anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita quinta-feira (22/01/2026), durante entrevista concedida à GloboNews.
Segundo Jebril, a presença de países considerados amigos da causa palestina no comitê é relevante, especialmente diante da participação de Israel no Conselho. O diplomata ressaltou que a decisão final cabe exclusivamente ao governo brasileiro, mas destacou que a inclusão de vozes favoráveis à autodeterminação palestina pode equilibrar o debate.
O embaixador defendeu que o Conselho da Paz conte com países dispostos a sustentar a criação de um Estado palestino, a garantia de liberdade e o reconhecimento de direitos políticos da população palestina.
Composição do Conselho e expectativas palestinas
Marwan Jebril lamentou a ausência de representantes políticos palestinos no Conselho da Paz, mas avaliou que a presença de países como Arábia Saudita, Catar, Egito, Indonésia e Turquia gera expectativa de que o comitê tenha caráter temporário.
De acordo com o diplomata, há coordenação com esses países para que o Conselho tenha duração máxima de dois anos. Após esse período, segundo ele, a expectativa é que as competências administrativas da Faixa de Gaza sejam transferidas ao governo palestino.
Para Jebril, esse formato transitório é essencial para evitar a consolidação de uma estrutura paralela permanente e garantir que a governança palestina seja restabelecida ao final do processo.
Contatos diplomáticos de Lula sobre Gaza
Também quinta-feira (22/01/2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou, por telefone, com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, para tratar da situação na Faixa de Gaza e dos próximos passos após o cessar-fogo.
Segundo o Itamaraty, Lula manifestou satisfação com a interrupção dos combates, discutiu as perspectivas de reconstrução da região e reiterou o compromisso do Brasil com a paz no Oriente Médio.
O diálogo ocorre em meio ao reposicionamento diplomático brasileiro e à discussão sobre o eventual envolvimento do país em iniciativas internacionais relacionadas ao conflito israelo-palestino.
Divergências internas no governo brasileiro
Apesar do apoio manifestado pelo embaixador palestino, a proposta do Conselho da Paz enfrenta resistências dentro do próprio governo brasileiro. Em entrevista ao jornal O Globo, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, declarou ser contrário à participação do Brasil no comitê.
Segundo Amorim, o documento que institui o Conselho não menciona explicitamente a Faixa de Gaza, o que permitiria sua aplicação a outros conflitos internacionais. Na avaliação do assessor, o formato apresentado equivaleria à criação de um novo Conselho de Segurança, com os Estados Unidos exercendo papel permanente de liderança.
Para Amorim, a proposta representaria um esvaziamento do papel da Organização das Nações Unidas (ONU) nas áreas de paz e segurança internacional, posição considerada incompatível com a tradição diplomática brasileira.
*Com informações da Sputnik News.











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