O governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, propôs a criação de um “Conselho da Paz” com assentos condicionados a uma contribuição mínima de US$ 1 bilhão para participação permanente, segundo rascunho do estatuto obtido pela AFP e divulgado nesta segunda-feira (19/01/2026). Idealizado inicialmente para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, o órgão teria alcance mais amplo, reunindo chefes de Estado convidados e concentrando poderes decisórios na presidência do conselho, exercida pelo próprio Trump.
Proposta financeira e desenho institucional
De acordo com o estatuto preliminar, Estados-membros teriam mandato padrão de três anos, com possibilidade de prorrogação automática para aqueles que aportarem mais de US$ 1 bilhão no primeiro ano. O texto estabelece que a renovação de mandatos fica sujeita à decisão do presidente do conselho, criando um arranjo institucional fortemente centralizado.
A Casa Branca informou que a estrutura prevê um conselho principal, um comitê palestino de tecnocratas para governança da Faixa de Gaza e um “conselho executivo” de caráter consultivo. O estatuto descreve o órgão como uma organização internacional voltada a promover estabilidade, restaurar governança confiável e assegurar paz duradoura em áreas afetadas por conflitos, sem restringir formalmente sua atuação ao território palestino.
Lista de convidados e alcance geopolítico
Entre os convidados para integrar o conselho estão Luiz Inácio Lula da Silva, Viktor Orbán, Mark Carney, além dos presidentes Abdel Fattah al-Sissi e Recep Tayyip Erdogan. Também figuram convites ao presidente argentino Javier Milei, ao rei Abdallah II, ao presidente romeno Nicusor Dan e à primeira-ministra italiana Giorgia Meloni.
O Kremlin informou que Vladimir Putin também teria recebido convite. Não houve confirmação sobre eventual convite ao presidente francês Emmanuel Macron.
Críticas a organismos multilaterais e poder concentrado
O documento preliminar adota tom crítico em relação a instituições internacionais tradicionais, afirmando que o novo conselho deve ter “a coragem de se afastar de abordagens e instituições que falharam com muita frequência”, referência interpretada como crítica direta à United Nations. Em linha com essa postura, Trump anunciou neste mês a retirada dos EUA de 66 organizações e tratados internacionais, cerca da metade vinculados ao sistema ONU.
A participação no Conselho da Paz seria limitada a Estados convidados pelo presidente, que também teria a prerrogativa de remover membros, salvo veto de dois terços dos integrantes. O estatuto ainda prevê que, em caso de saída do presidente do cargo, o próprio Trump indicaria seu substituto, reforçando o desenho centralizador.
Composição inicial e resistências
O conselho começou a ganhar forma no sábado (17/01/2026), quando líderes do Egito, Turquia, Argentina e Canadá foram convidados. Trump nomeou ainda como membros Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o negociador-chefe Steve Witkoff e Jared Kushner.
Israel, por sua vez, manifestou oposição à criação de um “conselho executivo para Gaza” subordinado ao novo órgão, que incluiria o chanceler turco Hakan Fidan e o diplomata do Catar Ali Al-Thawadi.








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