Governador Jerônimo defende endurecimento contra facções, reforço policial, nega ideologização da segurança pública e aposta em inteligência na Bahia

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou que o Estado precisa agir com firmeza contra facções criminosas, fortalecer o aparato policial e ampliar investimentos em inteligência, tecnologia e controle institucional, diante do avanço da violência e da elevada letalidade policial. Em entrevista publicada pela revista Veja em janeiro de 2026, o chefe do Executivo baiano defendeu que segurança pública não deve ser tratada como pauta ideológica, detalhou ações do governo na área, comentou a relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e analisou o cenário político e eleitoral para 2026.

Bahia lidera indicadores de violência e pressiona gestão estadual

A Bahia ocupa posição de destaque nos rankings nacionais de violência, com 3.371 homicídios registrados entre janeiro e novembro de 2025, superando estados mais populosos como São Paulo e Rio de Janeiro. O governador reconheceu a gravidade do quadro, mas sustentou que o fenômeno está ligado à atuação do crime organizado e ao fluxo interestadual e internacional de armas e drogas.

Segundo Jerônimo, o Estado não possui indústria de armas nem laboratórios de drogas, mas enfrenta a circulação constante de armamentos pesados e grandes volumes de entorpecentes. Para ele, o enfrentamento do problema exige cooperação federativa, sobretudo no controle de fronteiras pela União, sem isentar os estados de responsabilidade.

O governador afirmou que seu governo investe na contratação de policiais, na aquisição de viaturas, equipamentos, câmeras corporais e sistemas de inteligência, além de ações integradas com políticas sociais em áreas vulneráveis, buscando fortalecer a presença do Estado.

Letalidade policial, uso da força e controle institucional

Em 2025, a Bahia registrou 1.490 mortes decorrentes de ações policiais, número superior à soma de São Paulo e Rio de Janeiro. Questionado sobre os dados, Jerônimo afirmou que não há orientação para violência indiscriminada e que a atuação policial deve ocorrer dentro da legalidade.

Segundo o governador, “bandido bom é bandido preso e entregue à Justiça”, para que seja julgado, condenado e ressocializado. Ele rejeitou a equiparação entre a polícia e o crime organizado, defendendo que a força estatal atua sob regras e deve prestar contas à sociedade.

Nesse contexto, destacou a importância de corregedorias fortalecidas, ouvidorias ativas e uso de câmeras corporais, como instrumentos para reduzir abusos, proteger agentes e garantir transparência na atuação policial.

Segurança pública fora da disputa ideológica

Jerônimo Rodrigues criticou a politização do debate sobre segurança pública e afirmou que o tema não pertence à esquerda ou à direita, mas ao Estado. Segundo ele, a sociedade exige respostas concretas diante do avanço das facções, e o governo não pode recuar.

O governador reconheceu o dilema entre investir em áreas sociais e adquirir armamentos, afirmando que sua preferência é ampliar escolas, creches e equipamentos culturais, mas que o crime organizado dispõe de armamentos potentes, exigindo capacidade equivalente do Estado para enfrentá-lo.

Ele também afirmou que a Bahia e o Ceará, governados pela esquerda, são frequentemente explorados politicamente pela oposição, apesar de enfrentarem desafios semelhantes aos de outros estados brasileiros.

Programas, articulação institucional e relação com Lula

Entre as iniciativas destacadas está o programa Bahia pela Paz, voltado à formação diferenciada de policiais e à integração entre forças de segurança, Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e órgãos de direitos humanos.

Jerônimo afirmou manter diálogo constante com o presidente Lula e ministros da área, defendendo maior financiamento federal da segurança pública, autonomia das polícias e padronização nacional de dados. Ele citou a discussão de uma PEC da Segurança como instrumento para fortalecer o pacto federativo no setor.

Balanço administrativo e indicadores sociais

Ao analisar os cinco mandatos consecutivos do PT na Bahia, Jerônimo comparou o período atual com a hegemonia política anterior, liderada pelo carlismo. Segundo ele, os governos petistas ampliaram políticas sociais, fortaleceram a participação popular e expandiram serviços públicos, embora com estilos administrativos distintos.

O governador citou a construção de hospitais de alta complexidade, a ampliação da educação em tempo integral — com cerca de 700 escolas nesse modelo — e investimentos em infraestrutura. Reconheceu, porém, que 46% dos baianos ainda vivem abaixo da linha da pobreza, atribuindo parte do problema a fatores históricos e climáticos do semiárido.

Cenário eleitoral e disputas para 2026

Jerônimo Rodrigues afirmou que “não existe eleição fácil” e que o resultado de 2026 dependerá do cenário nacional e da avaliação do governo Lula, que, segundo ele, tem melhorado na Bahia. O governador minimizou pesquisas desfavoráveis, lembrando que o PT venceu cinco eleições consecutivas no estado.

Sobre alianças, destacou a relação histórica com o PSD, citando Jaques Wagner e Rui Costa, e confirmou que Rui manifestou interesse em disputar o Senado. Jerônimo também comentou a polarização política nacional, defendendo o dissenso democrático, mas alertando contra a radicalização e a deslegitimação do processo eleitoral.

Principais temas e ideias abordados pelo governador Jerônimo

Segurança pública como política de Estado
Defesa de um modelo institucional, técnico e permanente, desvinculado de disputas ideológicas.

Enfrentamento ao crime organizado
Ações firmes contra facções armadas, com fortalecimento do aparato policial e da inteligência.

Controle e transparência policial
Ênfase em câmeras corporais, corregedorias e ouvidorias para reduzir abusos e preservar a legalidade.

Cooperação federativa
Cobrança de maior atuação da União no controle de fronteiras e financiamento da segurança.

Dilema entre repressão e políticas sociais
Reconhecimento da tensão orçamentária entre investimentos sociais e capacidade repressiva do Estado.

Continuidade administrativa do PT
Balanço positivo de políticas públicas, com admissão de desafios persistentes na pobreza e na violência.

Cenário eleitoral de 2026
Cautela, valorização de alianças e defesa da convivência democrática em ambiente polarizado.

Citações centrais do governador Jerônimo

“Eu trabalho sempre para que o Estado seja forte, para que a polícia seja forte e a intensidade da ação policial seja a de investigar, prender e entregar à Justiça.”

“Bandido bom é bandido preso e entregue à Justiça, para que ele possa ser julgado e, uma vez condenado, pague a pena e viva em um ambiente de ressocialização.”

“Eu não gosto de usar dinheiro para comprar armas em vez de fazer mais teatros, escolas e creches. Mas o crime organizado tem armamentos potentes. O Estado também precisa ter para enfrentá-lo.”

“Segurança pública não é um tema da esquerda ou da direita. É uma questão de Estado.”

“Não existe eleição fácil. Nós vamos depender muito do cenário nacional.”


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