O senador Jaques Wagner (PT-BA) criticou, na terça-feira (11/08/2026), as propostas da oposição ao governador Jerônimo Rodrigues para a segurança pública e questionou ACM Neto ao recordar uma promessa feita durante a passagem do ex-prefeito pela administração de Salvador. Em entrevista ao programa Política Ao Vivo, Wagner afirmou que havia compromisso de elevar para 3 mil o contingente da Guarda Municipal da capital, meta que, segundo ele, não foi cumprida. O parlamentar também rejeitou abordagens centradas apenas no endurecimento penal e defendeu uma política baseada em inteligência, tecnologia, planejamento e investigação financeira das organizações criminosas.
A manifestação amplia o embate político em torno da segurança pública na Bahia. Wagner classificou como “mero slogan” o discurso de que “bandido bom é bandido morto” e argumentou que a complexidade alcançada pelas principais facções exige instrumentos mais sofisticados do Estado.
Ao direcionar a crítica a ACM Neto, o senador utilizou a gestão municipal de Salvador como referência para questionar a consistência das propostas apresentadas pela oposição.
“Quando ele foi prefeito da capital, falou que o contingente iria chegar nos 3 mil guardas municipais, mas não fizeram isso. Então, como é que se pode falar de segurança se você não cumpriu nem a sua parte?”, declarou.
Wagner cobra promessa sobre Guarda Municipal de Salvador
A referência aos 3 mil guardas municipais foi utilizada por Wagner para confrontar o discurso da oposição sobre segurança. Na avaliação do senador, quem apresenta propostas para a área também deve ser cobrado pelo cumprimento de compromissos assumidos anteriormente em funções administrativas.
A crítica se insere diretamente na disputa entre o grupo político que sustenta o governador Jerônimo Rodrigues e a oposição liderada por ACM Neto. Wagner procura relacionar a discussão sobre segurança não apenas às propostas atuais, mas também à capacidade de execução demonstrada pelos principais atores políticos durante suas passagens pelo poder.
O senador também rejeitou a ideia de que o enfrentamento à criminalidade possa ser resumido ao endurecimento da repressão. Para ele, o avanço das organizações criminosas exige uma estrutura estatal capaz de combinar policiamento, investigação, inteligência e recursos tecnológicos.
PCC e Comando Vermelho são citados como organizações de alcance ampliado
Wagner mencionou PCC e Comando Vermelho para sustentar a avaliação de que as organizações criminosas deixaram de operar exclusivamente em territórios delimitados e passaram a estabelecer conexões entre diferentes estados e além das fronteiras nacionais.
“Eles viraram multinacionais do crime. Nós só vamos vencer o crime organizado com tecnologia e inteligência, porque é disso que eles vivem”, afirmou.
A expressão sintetiza o argumento central apresentado pelo parlamentar: diante de organizações estruturadas em redes e capazes de movimentar recursos, informações e pessoas em diferentes regiões, a resposta estatal precisa combinar capacidade policial com produção de inteligência.
Nesse modelo, o aumento dos efetivos continuaria sendo necessário, mas não seria suficiente isoladamente. Wagner defendeu que a ampliação das corporações ocorra ao mesmo tempo em que os órgãos de segurança atualizam sistemas, técnicas investigativas e mecanismos de identificação.
Reconhecimento facial na Bahia é apontado como instrumento de segurança
Como exemplo da utilização de tecnologia, Wagner destacou o sistema de reconhecimento facial empregado na Bahia. Segundo o senador, a ferramenta permite identificar pessoas procuradas a partir do monitoramento por câmeras e emitir alertas quando há correspondência com registros existentes.
De acordo com os números apresentados por Wagner durante a entrevista, mais de 1.600 pessoas foram presas em 2026 com auxílio do sistema. Desde o início do projeto, o total teria ultrapassado 6 mil prisões.
O parlamentar citou ocorrências em ambientes com grande circulação de pessoas para demonstrar o potencial do mecanismo.
“Nós prendemos gente no Carnaval, naquele tumulto. Recentemente, teve outra prisão no aeroporto, porque o cidadão foi identificado rapidamente”, disse.
Os exemplos foram empregados para defender o reconhecimento facial como ferramenta complementar ao trabalho policial, especialmente em locais nos quais a identificação por métodos convencionais pode ser dificultada pelo grande fluxo de pessoas.
Wagner defende combinação entre efetivo policial, inteligência e tecnologia
Ao desenvolver o argumento, o senador afirmou que a contratação de policiais continua importante, mas precisa ser acompanhada da modernização das corporações.
Essa visão estabelece uma diferença entre ampliar a presença física do Estado e aumentar sua capacidade de investigação. Na avaliação apresentada por Wagner, organizações criminosas que utilizam estruturas financeiras, comunicação articulada e redes interestaduais não podem ser enfrentadas exclusivamente pelo policiamento ostensivo.
O modelo defendido pressupõe o uso de informações integradas, ferramentas tecnológicas e mecanismos capazes de localizar pessoas procuradas, identificar movimentações suspeitas e atingir estruturas econômicas relacionadas ao crime organizado.
Operação Carbono Oculto é citada como exemplo de combate financeiro
No plano nacional, Wagner mencionou a Operação Carbono Oculto, realizada pela Polícia Federal com participação de agentes estaduais, como exemplo de atuação direcionada à estrutura financeira das organizações criminosas.
Segundo o relato apresentado pelo senador, a operação atingiu esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo fintechs e buscou alcançar os mecanismos econômicos utilizados pelos grupos investigados.
“Atiramos na parte deles que mais dói: o bolso. É importante aumentarmos o número de policiais contratados, mas é tão importante quanto trabalharmos na evolução tecnológica das corporações”, afirmou.
A referência à operação reforça a defesa de uma política de segurança que não se limite às prisões de integrantes diretamente envolvidos em crimes violentos, mas também alcance patrimônio, circulação de dinheiro e estruturas utilizadas para financiar ou ocultar atividades ilícitas.
Segurança pública entra no centro da disputa política na Bahia
A manifestação de Wagner combina a defesa de um determinado modelo de política pública com o confronto eleitoral entre governo e oposição. Ao cobrar ACM Neto pela promessa relacionada à Guarda Municipal, o senador tenta deslocar parte do debate das declarações atuais para o histórico administrativo do principal adversário do governador Jerônimo Rodrigues.
Ao mesmo tempo, a crítica ao slogan “bandido bom é bandido morto” estabelece uma diferença de abordagem. Wagner sustenta que o combate ao crime organizado depende de capacidade técnica e institucional, enquanto critica propostas que, em sua avaliação, privilegiam uma linguagem de endurecimento sem enfrentar a sofisticação das estruturas criminosas.
A segurança pública, dessa forma, passa a ser debatida tanto a partir de indicadores e instrumentos de atuação estatal quanto da capacidade de cada grupo político de demonstrar resultados, apresentar projetos executáveis e explicar como pretende enfrentar facções com atuação interestadual e estruturas financeiras complexas.
Linha do tempo dos principais acontecimentos
- Durante a gestão de ACM Neto na Prefeitura de Salvador — Segundo Jaques Wagner, houve promessa de fazer o efetivo da Guarda Municipal alcançar 3 mil integrantes. O senador afirma que a meta não foi cumprida e utiliza o episódio para questionar as propostas da oposição para a segurança pública.
- Desde o início do projeto de reconhecimento facial na Bahia — Conforme os números apresentados por Wagner, mais de 6 mil pessoas foram presas com auxílio da tecnologia.
- 2026 — O senador afirma que mais de 1.600 prisões ocorreram neste ano com auxílio do sistema de reconhecimento facial utilizado na Bahia.
- 11/08/2026 — Em entrevista ao Política Ao Vivo, Jaques Wagner critica propostas da oposição ao governador Jerônimo Rodrigues, cobra ACM Neto pela promessa dos 3 mil guardas municipais e classifica como “mero slogan” a expressão “bandido bom é bandido morto”.
- 11/08/2026 — Na mesma entrevista, Wagner cita PCC e Comando Vermelho, defende inteligência e tecnologia contra o crime organizado e menciona a Operação Carbono Oculto como exemplo de atuação dirigida às estruturas financeiras de organizações criminosas.
A fala de Jaques Wagner coloca frente a frente duas dimensões do debate sobre segurança pública: a cobrança pela execução de compromissos administrativos e a discussão sobre quais instrumentos o Estado deve empregar contra organizações criminosas cada vez mais estruturadas. A referência à promessa dos 3 mil guardas municipais funciona como elemento de disputa política, enquanto a defesa de inteligência, reconhecimento facial e investigação financeira apresenta o modelo que o senador considera mais adequado.
A expansão territorial e econômica das facções tornou o enfrentamento ao crime organizado uma questão que ultrapassa o policiamento ostensivo. A capacidade de identificar procurados, integrar informações, rastrear recursos e comprometer fontes de financiamento assume importância crescente em estratégias dessa natureza. A avaliação dos resultados, contudo, deve considerar indicadores objetivos, efetividade das operações e capacidade das instituições de transformar investimentos tecnológicos e ampliação de efetivos em redução da criminalidade e desarticulação de redes criminosas.
O episódio evidencia que a segurança pública tende a permanecer como um dos principais temas da disputa política na Bahia. Governo e oposição serão cobrados não apenas pelas críticas dirigidas aos adversários, mas pela consistência das propostas, pelo histórico de execução administrativa e pelos resultados das políticas que defendem. Caberá às instituições de segurança, aos governos e aos representantes políticos demonstrar como efetivo policial, inteligência, tecnologia e investigação patrimonial poderão ser articulados em respostas concretas ao avanço do crime organizado.








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