Ipea em 2025: estudos sobre economia, violência, desigualdade, clima e BRICS orientam políticas públicas e ampliam o protagonismo do Brasil

Em 2025, o Ipea consolidou-se como referência em pesquisa aplicada ao analisar economia, violência, desigualdade, justiça fiscal, clima e cooperação internacional. Seus estudos influenciaram políticas públicas, fortaleceram o debate público e ampliaram o protagonismo do Brasil em agendas globais, reafirmando o papel da evidência científica na construção de um país mais informado e estruturado.
Ipea em 2025: estudos sobre economia, violência, desigualdade e clima influenciaram políticas públicas e reforçaram o papel da evidência científica no Brasil.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) encerrou 2025 reafirmando seu papel estratégico na formulação e avaliação de políticas públicas no Brasil. Em um contexto de desafios econômicos, tensões sociais, debates sobre segurança pública e crescente protagonismo internacional do país, o Instituto produziu estudos, notas técnicas, relatórios e iniciativas de comunicação que transformaram dados em subsídios concretos para decisões governamentais e para o debate público qualificado. Ao longo do ano, a atuação do Ipea se estendeu da análise macroeconômica à violência urbana, da justiça fiscal à agenda climática, consolidando-se como referência nacional e internacional em pesquisa aplicada .

Economia em foco: crescimento moderado e leitura de conjuntura

O acompanhamento da economia brasileira foi um dos eixos centrais da atuação do Ipea em 2025. Diante de incertezas globais, política monetária restritiva e pressões externas, o Instituto monitorou de forma contínua indicadores como Produto Interno Bruto (PIB), inflação, consumo, investimentos, crédito e setor externo, oferecendo análises detalhadas sobre os impactos das políticas econômicas na vida das famílias, das empresas e do setor público.

No primeiro trimestre de 2025, o PIB cresceu 1,4% em relação ao trimestre anterior, impulsionado principalmente pelo desempenho do setor agropecuário (+12,2%), pela Formação Bruta de Capital Fixo (+3,1%) e pelas exportações (+2,9%). No segundo trimestre, o ritmo desacelerou para 0,4%, refletindo o ciclo de alta de juros do Banco Central e o ambiente internacional adverso, marcado pela valorização do dólar e por tarifas punitivas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Já no terceiro trimestre, o crescimento foi de 0,1% na comparação trimestral e 1,8% na comparação interanual, desempenho ligeiramente acima das projeções anteriores. Diante desse cenário, o Ipea revisou sua estimativa de crescimento do PIB em 2025 de 2,2% para 2,3%, mantendo a projeção de 1,6% para 2026, com viés de alta, segundo suas análises de conjuntura.

Atlas da Violência 2025: avanços desiguais na segurança pública

Outro destaque do ano foi a divulgação do Atlas da Violência 2025, que revelou que o Brasil atingiu a menor taxa de homicídios em 11 anos, mas manteve um quadro de profundas desigualdades territoriais e sociais. O estudo mostrou que crianças, adolescentes, jovens e mulheres negras continuam sendo os principais alvos da violência letal, além de populações indígenas em regiões específicas do país.

Embora algumas capitais tenham registrado quedas expressivas nas mortes violentas, o levantamento apontou o avanço da criminalidade em cidades médias e pequenas, muitas vezes associado à disputa entre facções criminosas. O Atlas também chamou atenção para a existência de homicídios ocultos, subnotificados nos registros oficiais, reforçando a necessidade de políticas públicas baseadas em evidências e de enfrentamento estrutural das desigualdades que sustentam a violência.

Estudos aplicados: evidências que influenciaram políticas públicas

Em 2025, o Ipea consolidou sua atuação como produtor de pesquisa aplicada com impacto direto na formulação de políticas públicas. Estudos sobre medicamentos genéricos demonstraram que políticas de incentivo à produção e distribuição desses fármacos ampliam o acesso da população a tratamentos essenciais, reduzem gastos das famílias e fortalecem o Sistema Único de Saúde (SUS).

Na área de renda e desigualdade, uma nota técnica revelou que 2024 apresentou os melhores indicadores da série histórica em pobreza, desigualdade e renda média. Os avanços foram atribuídos à combinação entre mercado de trabalho aquecido e fortalecimento das transferências assistenciais, indicando que políticas públicas articuladas podem produzir efeitos estruturais na redução da pobreza extrema.

O debate tributário também foi fortemente influenciado por pesquisas do Instituto. Um estudo do Ipea fundamentou a justificativa do projeto de lei enviado ao Congresso Nacional propondo novas regras para o Imposto de Renda, incluindo a elevação da faixa de isenção, descontos parciais para rendas intermediárias e tributação mínima de 10% para rendas acima de R$ 50 mil mensais. A análise evidenciou a baixa progressividade do sistema atual e o peso dos rendimentos de capital na concentração de renda.

Na educação, estudos mostraram que 73,5% dos professores da educação básica seriam beneficiados pelas novas regras do Imposto de Renda, sendo que metade ficaria totalmente isenta. Pesquisas sobre desigualdades raciais e de gênero reforçaram a persistência de vulnerabilidades no mercado de trabalho e no acesso a oportunidades, especialmente entre populações negras.

A violência no trânsito também ganhou destaque, com estudos sobre acidentes envolvendo motocicletas. O levantamento revelou crescimento expressivo das mortes desse público nas últimas décadas, impacto significativo sobre o SUS e maior incidência entre homens jovens e pessoas pardas, além dos riscos associados à informalidade do mototáxi.

Comunicação científica: o podcast Ponto Ipea

Em 2025, o Ipea ampliou sua estratégia de comunicação científica por meio do podcast Ponto Ipea, que teve duas temporadas ao longo do ano. A primeira abordou a mudança do clima, tratando de temas como transição energética, financiamento verde, desigualdade territorial e povos tradicionais. A série foi reconhecida pelo Celeiro de Soluções da COP30, em Belém, como iniciativa relevante no combate à desinformação climática.

A segunda temporada concentrou-se no trabalho de cuidado, debatendo a invisibilidade e a desvalorização dessas atividades, marcadas por desigualdades de gênero, raça e classe. Participaram pesquisadoras e especialistas de referência nacional e internacional, ampliando o alcance do debate junto à sociedade.

Atuação internacional e protagonismo no BRICS

O ano de 2025 também foi marcado pela ampliação da atuação internacional do Ipea. O Instituto participou da 63ª Sessão da Comissão pelo Desenvolvimento Social da ONU, em Nova Iorque, e da Segunda Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Social, em Doha. Em ambos os fóruns, pesquisadores do Ipea debateram estratégias para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), reforma da arquitetura financeira global e fortalecimento da cooperação internacional.

Com o Brasil na presidência rotativa do BRICS, o Ipea desempenhou papel central na coordenação do BRICS Think Tanks Council (BTTC) e da Rede de Think Tanks para Finanças do bloco. Ao longo do ano, o Instituto promoveu oficinas com mais de 40 especialistas de cerca de 15 instituições, discutindo temas como saúde global, comércio, investimentos, clima, governança da inteligência artificial e desenvolvimento institucional.

No Fórum Acadêmico do BRICS (FABRICS), realizado em Brasília, o Ipea lançou um portfólio que sistematiza mais de 180 mecanismos de cooperação desenvolvidos pelos países do bloco desde sua criação, com o objetivo de fortalecer a governança e orientar novos processos de integração.

COP30 e a agenda climática

A preparação do Brasil para a COP30 contou com atuação destacada do Ipea. Em outubro, o Instituto realizou o seminário “Do Conhecimento à Ação – Diálogo Estratégico para a COP30”, reunindo representantes do governo, academia, organismos internacionais e sociedade civil. Os debates abordaram financiamento sustentável, governança climática, inteligência artificial, modelagem macroambiental e indicadores de adaptação às mudanças climáticas.

Ferramentas como o Geocode BR, desenvolvida em parceria com o IBGE, foram apresentadas como exemplos de uso de dados para apoiar políticas públicas emergenciais em contextos de desastres. O evento também destacou a necessidade de fortalecimento do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) e a integração de políticas ambientais entre União, estados e municípios.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.