Mortes em ofensiva militar dos EUA na Venezuela chegam a pelo menos 58 e ampliam tensão diplomática na região

Cinco dias após a ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos contra a Venezuela, com o objetivo declarado de capturar e destituir o presidente Nicolás Maduro, o número de mortos confirmados chegou a ao menos 58 pessoas, segundo balanços parciais divulgados por autoridades venezuelanas e governos aliados. O ataque, ocorrido no sábado (03/01/2026), incluiu bombardeios a pontos estratégicos em Caracas e em estados vizinhos, a captura de Maduro e da primeira-dama Cília Flores, e desencadeou forte reação regional e internacional, em meio à ausência de dados oficiais consolidados sobre feridos e danos materiais.

Ataque militar e ausência de números oficiais consolidados

Até a noite de terça-feira (06/01), o governo venezuelano não havia divulgado um balanço oficial completo sobre vítimas, feridos ou prejuízos estruturais decorrentes da chamada Operação Resolução Absoluta, executada por forças norte-americanas sem autorização do Congresso dos Estados Unidos e sem aval do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

As informações disponíveis indicam que, entre os mortos, estão 32 militares cubanos responsáveis pela segurança direta de Nicolás Maduro, 24 integrantes das Forças Armadas venezuelanas e pelo menos duas civis, cujas identidades foram confirmadas nos dias seguintes aos bombardeios. As ações militares atingiram alvos em Caracas e nos estados de Aragua, La Guaira e Miranda, incluindo instalações militares e áreas residenciais.

Vítimas civis e relatos locais

Entre as civis identificadas está Rosa Elena Gonzáles, de 80 anos, moradora de La Guaira, que teve a residência atingida durante os ataques nas proximidades da Academia Militar da Armada Bolivariana. Socorrida em estado grave, ela morreu no hospital e foi sepultada na segunda-feira (05/01), em cerimônia acompanhada por familiares, amigos e jornalistas.

A segunda vítima civil confirmada é a colombiana Yohana Rodríguez Sierra, de 45 anos, que vivia há mais de dez anos na Venezuela e mantinha um pequeno comércio. Sua morte foi confirmada publicamente pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, após um míssil atingir a área residencial de El Hatillo, no estado de Miranda, onde ela morava com a filha. Segundo a imprensa local, o ataque teria como alvo estruturas de telecomunicações próximas.

Reações oficiais e discursos contrastantes

Na terça-feira (06/01), a Força Armada Nacional Bolivariana prestou homenagens aos soldados venezuelanos mortos na operação. O Ministério das Relações Exteriores de Cuba, por sua vez, divulgou imagens e mensagens em tributo aos 32 militares cubanos mortos, classificando a ação dos Estados Unidos como um “ato de terrorismo de Estado”.

Em Washington, o presidente Donald Trump elogiou publicamente a operação durante discurso a parlamentares do Partido Republicano. Sem apresentar números detalhados, afirmou que “muitas pessoas do outro lado”, incluindo cubanos, morreram, e declarou que não houve baixas entre militares norte-americanos. Trump descreveu a ação como “brilhante do ponto de vista tático” e destacou o uso de centenas de aeronaves e tropas em solo.

Bombardeios navais e acusações de execuções sumárias

Além das mortes registradas em território venezuelano, a ofensiva dos Estados Unidos na região inclui ataques a embarcações no Mar do Caribe, sob a justificativa de combate ao narcotráfico. Segundo levantamento do The New York Times, desde setembro de 2025 ao menos 115 pessoas teriam morrido em bombardeios contra 35 embarcações, o que elevaria para 173 o total de mortos em operações militares norte-americanas na região em menos de cinco meses.

Vídeos divulgados pelo próprio Departamento de Defesa dos EUA mostram ataques rápidos, sem margem para rendição. Um dos casos citados é o do colombiano Alejandro Carranza, de 42 anos, morto em setembro de 2025. Autoridades norte-americanas alegam que a embarcação transportava drogas, enquanto a família sustenta que Carranza era pescador e havia saído de La Guajira para uma atividade de pesca regular.

Questionamentos jurídicos e ações internacionais

Em novembro, o governo colombiano designou um representante legal para levar o caso de Alejandro Carranza à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), acusando os Estados Unidos de execução extrajudicial. O episódio passou a integrar o debate regional sobre proporcionalidade do uso da força e respeito ao direito internacional humanitário.

Paralelamente, autoridades venezuelanas reiteraram que a captura de Nicolás Maduro ocorreu sem base legal internacional, com bombardeios a áreas densamente povoadas, incluindo o complexo militar de Forte Tiuna, que abriga não apenas instalações estratégicas, mas também bairros residenciais.

Fronteira colombo-venezuelana segue ativa sob tensão

Enquanto o cenário político permanece instável, a Ponte Internacional Simón Bolívar, principal ligação terrestre entre Venezuela e Colômbia, continua registrando intenso fluxo diário de pessoas e mercadorias. Mais de 15 mil pessoas atravessam o local diariamente, em uma região marcada por comércio informal, migração e presença de grupos armados ilegais.

Moradores e trabalhadores fronteiriços relatam preocupação com um possível novo fechamento da fronteira, diante do agravamento da crise diplomática e militar. Apesar disso, o tráfego segue ativo, sustentando economias locais já fragilizadas por anos de instabilidade política e social.

Impactos regionais e controvérsias institucionais

A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela marca uma escalada sem precedentes recentes na política hemisférica, ao combinar ação militar direta, captura de um chefe de Estado e bombardeios em áreas urbanas, sem respaldo explícito de organismos multilaterais. A ausência de números oficiais consolidados amplia a desconfiança internacional e dificulta avaliações independentes sobre a extensão real das perdas humanas e materiais.

Os discursos contrastantes entre Washington, Caracas, Havana e Bogotá evidenciam uma fragmentação diplomática profunda na América Latina. Enquanto o governo norte-americano exalta a eficácia militar da operação, países afetados direta ou indiretamente questionam sua legalidade e apontam possíveis violações do direito internacional e de direitos humanos.

O acúmulo de denúncias envolvendo mortes em embarcações no Caribe adiciona uma dimensão ainda mais sensível ao conflito, com potencial de gerar sanções, processos internacionais e reconfigurações políticas na região, especialmente em países diretamente impactados pelo fluxo migratório e pela instabilidade venezuelana.


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