Polícia Federal mira deputado Félix Mendonça Júnior na 9ª fase da Operação Overclean por suspeita de desvio de emendas parlamentares; R$ 24 milhões foram bloqueados

Mandado de busca e apreensão cumprido no apartamento funcional do deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), em Brasília, durante a 9ª fase da Operação Overclean, deflagrada pela Polícia Federal em 13/01/2026.
PF mira deputado Félix Mendonça Júnior na 9ª fase da Operação Overclean, com buscas autorizadas pelo STF e bloqueio de R$ 24 milhões por suspeita de desvio de emendas.

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (13/01/2026), a nona fase da Operação Overclean, com foco no deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA). A ofensiva incluiu o cumprimento de mandado de busca e apreensão no apartamento funcional utilizado pelo parlamentar, em Brasília, além de outros endereços na Bahia e no Distrito Federal. As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em razão do foro por prerrogativa de função.

Segundo a PF, a operação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, além de investigar indícios de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em licitações e peculato. Ao todo, foram expedidos nove mandados de busca e apreensão, executados com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal.

Por determinação do STF, também houve o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias vinculadas a pessoas físicas e jurídicas investigadas. A medida busca interromper a circulação de valores de origem ilícita e preservar recursos para eventual ressarcimento aos cofres públicos.

Avanço da investigação e foco no núcleo político

A 9ª fase da Operação Overclean representa um aprofundamento das apurações iniciadas em etapas anteriores, agora direcionadas ao que a PF descreve como o núcleo político do esquema. Investigadores apontam que o grupo atuava na liberação e execução de emendas parlamentares mediante pagamento de vantagens indevidas, com posterior manipulação de procedimentos licitatórios em municípios baianos.

De acordo com as apurações, emendas destinadas a cidades como Boquira, Ibipitanga e Paratinga, entre 2021 e 2024, teriam sido operacionalizadas por meio de contratos fraudados, superfaturamento de obras e desvio sistemático de recursos. Há indícios de que empresas e operadores financeiros integravam uma estrutura organizada para viabilizar os ilícitos e lavar os valores obtidos.

Em fases anteriores, a PF identificou a atuação de um assessor parlamentar ligado diretamente ao deputado como operador financeiro do esquema. Esse assessor foi alvo de medidas cautelares, incluindo afastamento do cargo, após a apreensão de documentos e registros considerados relevantes para a investigação.

Mandados, patrimônio e bloqueio de ativos

Além do apartamento funcional do parlamentar, os mandados cumpridos nesta terça-feira alcançaram outros imóveis ligados ao entorno do deputado, incluindo um apartamento de alto padrão na Bahia, avaliado em cerca de R$ 50 milhões, que passou a integrar o foco da investigação patrimonial. Também houve diligências na sede regional do Partido Democrático Trabalhista (PDT).

A PF sustenta que o bloqueio dos R$ 24 milhões é proporcional à dimensão do esquema investigado e compatível com a necessidade de preservar ativos para eventual reparação ao erário. Os investigados, segundo a corporação, poderão responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro.

Até o momento da publicação desta reportagem, Félix Mendonça Júnior não havia se manifestado publicamente sobre a nova fase da operação. O espaço permanece aberto para esclarecimentos e posicionamento do parlamentar.

Conexão com fases anteriores e o caso Dnocs

As investigações da Operação Overclean tiveram início em dezembro de 2024 e, desde então, vêm revelando um esquema bilionário de corrupção envolvendo recursos públicos federais. Em etapas anteriores, a PF apontou suspeitas de fraudes em contratos vinculados ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), especialmente na Bahia, órgão ligado ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Segundo a Polícia Federal, o grupo criminoso teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão em contratos fraudulentos e obras superfaturadas, direcionando recursos de emendas parlamentares e convênios para empresas associadas a administrações municipais. Parte desses serviços seria inexistente ou executada com valores inflados.

Planilhas apreendidas em fases anteriores indicam a existência de codinomes, repasses periódicos e controle sistemático de pagamentos, o que reforçou, na avaliação dos investigadores, o lastro probatório necessário para avançar sobre autoridades com foro privilegiado.

Operação Overclean e o cerco ao uso político das emendas

A 9ª fase da Operação Overclean marca um ponto sensível na relação entre o Congresso Nacional e os mecanismos de controle do Estado, ao atingir diretamente um deputado federal no exercício do mandato. O caso expõe, mais uma vez, a fragilidade dos instrumentos de fiscalização sobre a destinação de emendas parlamentares, sobretudo em municípios com baixa capacidade técnica de controle.

O avanço da investigação para o núcleo político indica que, para a PF, não se trata apenas de desvios pontuais, mas de um modelo estruturado de apropriação de recursos públicos, com ramificações empresariais, administrativas e partidárias. O bloqueio expressivo de valores e a ampliação das frentes patrimoniais sugerem uma estratégia de sufocamento financeiro do esquema.

Ao mesmo tempo, a ausência de manifestações públicas imediatas por parte do parlamentar reforça a necessidade de transparência institucional e de respostas objetivas à sociedade. Em um cenário de recorrentes escândalos envolvendo emendas, a Overclean recoloca no centro do debate a urgência de critérios mais rígidos, rastreabilidade efetiva e responsabilização política e criminal.

Linha do Tempo da Operação Overclean (2024–2026)

Data Fase Resumo da Ação Estados Envolvidos
10/12/2024 1ª fase Deflagração da operação; identificação de cerca de R$ 1,4 bilhão em movimentações suspeitas; prisões iniciais e buscas em empresas e prefeituras ligadas a contratos públicos. BA, SP, GO
23/12/2024 2ª fase Prisão de agente da Polícia Federal suspeito de receber propina para vazar informações sigilosas da investigação. BA, DF
03/04/2025 3ª fase Ampliação das apurações sobre fraudes licitatórias e lavagem de dinheiro; atuação conjunta da PF e da CGU em órgãos públicos e empresas de fachada. BA, MG, SE
2025 (1º semestre) 4ª fase Avanço sobre operadores financeiros e intermediários; apreensão de planilhas, quebras de sigilo e identificação de vínculos com assessores parlamentares. BA, DF
2025 (2º semestre) 5ª fase Consolidação do lastro probatório; foco na engenharia financeira do esquema e no rastreamento de recursos oriundos de emendas parlamentares. BA
14/10/2025 6ª fase Cumprimento de mandados judiciais e bloqueio de bens por determinação do STF; foco em operadores financeiros e empresas contratadas. BA, DF
16/10/2025 7ª fase Afastamento de servidores públicos, novos sequestros de valores e aprofundamento da apuração de contratos fraudulentos, com ênfase na área de educação. BA, RJ
31/10/2025 8ª fase Mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Tocantins; identificação de tentativas de obstrução das investigações e expansão das frentes patrimonial e política. DF, SP, TO
06/11/2025 Desdobramento da 8ª fase Ação contra Danilo de Azevedo Costa, secretário de Educação de Sumaré; apuração de propina e fraudes em licitações financiadas por emendas parlamentares desviadas. SP, TO
13/01/2026 9ª fase Operação autorizada pelo STF contra o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA); buscas em apartamento funcional, diligências na Bahia e no DF e bloqueio de R$ 24 milhões; avanço sobre o núcleo político do esquema. BA, DF

Principais dados da 9ª Operação

  • Nome: Operação Overclean

  • Fase: 9ª fase

  • Data da deflagração: Terça-feira, 13/01/2026

  • Órgão responsável: Polícia Federal

  • Autorizações judiciais: Supremo Tribunal Federal (STF)

Alvo Político

  • Investigado principal: Deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA)

  • Condição: Parlamentar com foro por prerrogativa de função

  • Local de busca: Apartamento funcional em Brasília

Abrangência Geográfica

  • Estados/locais atingidos:

    • Bahia (Salvador, Mata de São João e outros municípios)

    • Distrito Federal (Brasília)

Medidas Judiciais

  • Mandados cumpridos:

    • 9 mandados de busca e apreensão

  • Bloqueio de ativos:

    • R$ 24 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas

  • Finalidade:

    • Interromper fluxo de recursos ilícitos

    • Preservar valores para eventual ressarcimento ao erário

Crimes Investigados

  • Organização criminosa

  • Corrupção ativa e passiva

  • Peculato

  • Fraude em licitações e contratos administrativos

  • Lavagem de dinheiro

Objeto Central da Investigação

  • Desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares

  • Manipulação de processos licitatórios em municípios baianos

  • Uso de empresas e operadores financeiros para execução do esquema

Período Sob Apuração

  • Anos investigados: 2021 a 2024

  • Municípios citados em fases anteriores:

    • Boquira

    • Ibipitanga

    • Paratinga

Evolução da Operação

  • Início das investigações: Dezembro de 2024

  • Foco atual: Avanço sobre o núcleo político do esquema

  • Lastro probatório: Documentos, planilhas, quebras de sigilo e material apreendido em fases anteriores

Apoio Institucional

  • Controladoria-Geral da União (CGU)

  • Receita Federal

Situação Atual

  • Manifestação do investigado:

    • Até o momento, não houve posicionamento público de Félix Mendonça Júnior sobre a 9ª fase

    • O espaço permanece aberto para esclarecimentos

*Com informações da Folha de S.Paulo e Metrópoles.


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