A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (13/01/2026), a nona fase da Operação Overclean, com foco no deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA). A ofensiva incluiu o cumprimento de mandado de busca e apreensão no apartamento funcional utilizado pelo parlamentar, em Brasília, além de outros endereços na Bahia e no Distrito Federal. As medidas foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em razão do foro por prerrogativa de função.
Segundo a PF, a operação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, além de investigar indícios de corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em licitações e peculato. Ao todo, foram expedidos nove mandados de busca e apreensão, executados com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal.
Por determinação do STF, também houve o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias vinculadas a pessoas físicas e jurídicas investigadas. A medida busca interromper a circulação de valores de origem ilícita e preservar recursos para eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Avanço da investigação e foco no núcleo político
A 9ª fase da Operação Overclean representa um aprofundamento das apurações iniciadas em etapas anteriores, agora direcionadas ao que a PF descreve como o núcleo político do esquema. Investigadores apontam que o grupo atuava na liberação e execução de emendas parlamentares mediante pagamento de vantagens indevidas, com posterior manipulação de procedimentos licitatórios em municípios baianos.
De acordo com as apurações, emendas destinadas a cidades como Boquira, Ibipitanga e Paratinga, entre 2021 e 2024, teriam sido operacionalizadas por meio de contratos fraudados, superfaturamento de obras e desvio sistemático de recursos. Há indícios de que empresas e operadores financeiros integravam uma estrutura organizada para viabilizar os ilícitos e lavar os valores obtidos.
Em fases anteriores, a PF identificou a atuação de um assessor parlamentar ligado diretamente ao deputado como operador financeiro do esquema. Esse assessor foi alvo de medidas cautelares, incluindo afastamento do cargo, após a apreensão de documentos e registros considerados relevantes para a investigação.
Mandados, patrimônio e bloqueio de ativos
Além do apartamento funcional do parlamentar, os mandados cumpridos nesta terça-feira alcançaram outros imóveis ligados ao entorno do deputado, incluindo um apartamento de alto padrão na Bahia, avaliado em cerca de R$ 50 milhões, que passou a integrar o foco da investigação patrimonial. Também houve diligências na sede regional do Partido Democrático Trabalhista (PDT).
A PF sustenta que o bloqueio dos R$ 24 milhões é proporcional à dimensão do esquema investigado e compatível com a necessidade de preservar ativos para eventual reparação ao erário. Os investigados, segundo a corporação, poderão responder por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro.
Até o momento da publicação desta reportagem, Félix Mendonça Júnior não havia se manifestado publicamente sobre a nova fase da operação. O espaço permanece aberto para esclarecimentos e posicionamento do parlamentar.
Conexão com fases anteriores e o caso Dnocs
As investigações da Operação Overclean tiveram início em dezembro de 2024 e, desde então, vêm revelando um esquema bilionário de corrupção envolvendo recursos públicos federais. Em etapas anteriores, a PF apontou suspeitas de fraudes em contratos vinculados ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), especialmente na Bahia, órgão ligado ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Segundo a Polícia Federal, o grupo criminoso teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão em contratos fraudulentos e obras superfaturadas, direcionando recursos de emendas parlamentares e convênios para empresas associadas a administrações municipais. Parte desses serviços seria inexistente ou executada com valores inflados.
Planilhas apreendidas em fases anteriores indicam a existência de codinomes, repasses periódicos e controle sistemático de pagamentos, o que reforçou, na avaliação dos investigadores, o lastro probatório necessário para avançar sobre autoridades com foro privilegiado.
Operação Overclean e o cerco ao uso político das emendas
A 9ª fase da Operação Overclean marca um ponto sensível na relação entre o Congresso Nacional e os mecanismos de controle do Estado, ao atingir diretamente um deputado federal no exercício do mandato. O caso expõe, mais uma vez, a fragilidade dos instrumentos de fiscalização sobre a destinação de emendas parlamentares, sobretudo em municípios com baixa capacidade técnica de controle.
O avanço da investigação para o núcleo político indica que, para a PF, não se trata apenas de desvios pontuais, mas de um modelo estruturado de apropriação de recursos públicos, com ramificações empresariais, administrativas e partidárias. O bloqueio expressivo de valores e a ampliação das frentes patrimoniais sugerem uma estratégia de sufocamento financeiro do esquema.
Ao mesmo tempo, a ausência de manifestações públicas imediatas por parte do parlamentar reforça a necessidade de transparência institucional e de respostas objetivas à sociedade. Em um cenário de recorrentes escândalos envolvendo emendas, a Overclean recoloca no centro do debate a urgência de critérios mais rígidos, rastreabilidade efetiva e responsabilização política e criminal.
Linha do Tempo da Operação Overclean (2024–2026)
| Data | Fase | Resumo da Ação | Estados Envolvidos |
|---|---|---|---|
| 10/12/2024 | 1ª fase | Deflagração da operação; identificação de cerca de R$ 1,4 bilhão em movimentações suspeitas; prisões iniciais e buscas em empresas e prefeituras ligadas a contratos públicos. | BA, SP, GO |
| 23/12/2024 | 2ª fase | Prisão de agente da Polícia Federal suspeito de receber propina para vazar informações sigilosas da investigação. | BA, DF |
| 03/04/2025 | 3ª fase | Ampliação das apurações sobre fraudes licitatórias e lavagem de dinheiro; atuação conjunta da PF e da CGU em órgãos públicos e empresas de fachada. | BA, MG, SE |
| 2025 (1º semestre) | 4ª fase | Avanço sobre operadores financeiros e intermediários; apreensão de planilhas, quebras de sigilo e identificação de vínculos com assessores parlamentares. | BA, DF |
| 2025 (2º semestre) | 5ª fase | Consolidação do lastro probatório; foco na engenharia financeira do esquema e no rastreamento de recursos oriundos de emendas parlamentares. | BA |
| 14/10/2025 | 6ª fase | Cumprimento de mandados judiciais e bloqueio de bens por determinação do STF; foco em operadores financeiros e empresas contratadas. | BA, DF |
| 16/10/2025 | 7ª fase | Afastamento de servidores públicos, novos sequestros de valores e aprofundamento da apuração de contratos fraudulentos, com ênfase na área de educação. | BA, RJ |
| 31/10/2025 | 8ª fase | Mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo e Tocantins; identificação de tentativas de obstrução das investigações e expansão das frentes patrimonial e política. | DF, SP, TO |
| 06/11/2025 | Desdobramento da 8ª fase | Ação contra Danilo de Azevedo Costa, secretário de Educação de Sumaré; apuração de propina e fraudes em licitações financiadas por emendas parlamentares desviadas. | SP, TO |
| 13/01/2026 | 9ª fase | Operação autorizada pelo STF contra o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA); buscas em apartamento funcional, diligências na Bahia e no DF e bloqueio de R$ 24 milhões; avanço sobre o núcleo político do esquema. | BA, DF |
Principais dados da 9ª Operação
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Nome: Operação Overclean
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Fase: 9ª fase
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Data da deflagração: Terça-feira, 13/01/2026
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Órgão responsável: Polícia Federal
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Autorizações judiciais: Supremo Tribunal Federal (STF)
Alvo Político
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Investigado principal: Deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA)
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Condição: Parlamentar com foro por prerrogativa de função
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Local de busca: Apartamento funcional em Brasília
Abrangência Geográfica
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Estados/locais atingidos:
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Bahia (Salvador, Mata de São João e outros municípios)
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Distrito Federal (Brasília)
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Medidas Judiciais
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Mandados cumpridos:
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9 mandados de busca e apreensão
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Bloqueio de ativos:
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R$ 24 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas
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Finalidade:
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Interromper fluxo de recursos ilícitos
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Preservar valores para eventual ressarcimento ao erário
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Crimes Investigados
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Organização criminosa
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Corrupção ativa e passiva
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Peculato
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Fraude em licitações e contratos administrativos
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Lavagem de dinheiro
Objeto Central da Investigação
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Desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares
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Manipulação de processos licitatórios em municípios baianos
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Uso de empresas e operadores financeiros para execução do esquema
Período Sob Apuração
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Anos investigados: 2021 a 2024
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Municípios citados em fases anteriores:
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Boquira
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Ibipitanga
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Paratinga
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Evolução da Operação
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Início das investigações: Dezembro de 2024
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Foco atual: Avanço sobre o núcleo político do esquema
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Lastro probatório: Documentos, planilhas, quebras de sigilo e material apreendido em fases anteriores
Apoio Institucional
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Controladoria-Geral da União (CGU)
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Receita Federal
Situação Atual
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Manifestação do investigado:
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Até o momento, não houve posicionamento público de Félix Mendonça Júnior sobre a 9ª fase
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O espaço permanece aberto para esclarecimentos
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*Com informações da Folha de S.Paulo e Metrópoles.
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