Durante evento oficial em Maceió (AL), na quinta-feira, 23/01/2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou prisão e condenação dos responsáveis pelo esquema envolvendo o Banco Master, que resultou em um rombo estimado em R$ 40,6 bilhões no sistema financeiro nacional. Ao comentar o caso, Lula criticou as desigualdades estruturais do país, afirmou que o prejuízo acabará socializado entre instituições financeiras e destacou que o episódio evidencia a necessidade de rigor na punição de crimes financeiros de grande escala.
Em discurso realizado durante a entrega de 1.337 moradias do Minha Casa, Minha Vida, Lula fez referência direta ao controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, apontado como responsável por fraudes que culminaram no colapso da instituição. Segundo o presidente, “não é aceitável que o pobre seja sacrificado enquanto um cidadão provoca um prejuízo superior a R$ 40 bilhões”, em referência ao impacto sistêmico do caso.
Lula afirmou que o ressarcimento aos investidores ocorrerá por meio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mantido com contribuições do próprio sistema bancário. De acordo com dados divulgados pelo fundo, cerca de 800 mil pessoas serão indenizadas, no maior resgate já realizado pela entidade.
O presidente sustentou que, embora o FGC seja formalmente financiado pelos bancos, o custo final do colapso tende a recair sobre toda a sociedade, ao afetar crédito, spreads bancários e a confiança no sistema financeiro.
Situação judicial e acusações contra Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro é investigado por fraudes contra o sistema financeiro, incluindo a suposta emissão de títulos de crédito sem lastro e outras operações consideradas irregulares pelos órgãos de controle. Ele chegou a ser preso em novembro de 2025, mas obteve liberdade provisória mediante o uso de tornozeleira eletrônica, cumprindo atualmente prisão domiciliar em São Paulo.
Durante o discurso, Lula criticou de forma genérica setores que, segundo ele, relativizam ou defendem a conduta de grandes fraudadores financeiros, sem citar nomes específicos. O presidente não detalhou os alvos da crítica, mas reiterou que crimes dessa magnitude exigem resposta firme do Estado.
Defesa das políticas sociais do governo
Ao contextualizar o caso do Banco Master, Lula associou o episódio à agenda social de seu governo. O presidente citou reajustes reais do salário mínimo, o Bolsa Família e o programa Brasil Sorridente como instrumentos de mitigação das desigualdades.
Segundo Lula, a omissão do poder público diante da pobreza tende a aprofundar a exclusão social, enquanto crimes financeiros de grande escala corroem recursos que poderiam ser destinados a políticas públicas estruturantes.
Cenário político local e aproximações em Alagoas
O evento também evidenciou a aproximação política entre Lula e o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), conhecido como JHC. Apesar de ter apoiado Jair Bolsonaro em 2022, o prefeito adotou tom conciliador e defendeu um “pacto social” envolvendo governo federal, estado e município.
A cerimônia contou com a presença de lideranças nacionais, como Guilherme Boulos, Alexandre Padilha e Renan Filho, que reafirmou o alinhamento político do grupo liderado por Renan Calheiros com o presidente Lula para 2026.
O ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP) não ocupou lugar de destaque no evento e foi alvo de vaias de parte do público, em meio à trégua política instável entre os grupos de Lira e Renan em Alagoas.
Indicações e acordos de bastidores
Nos bastidores, a articulação política envolve a indicação da procuradora Marluce Caldas Bezerra ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), decisão tomada por Lula em julho de 2025. Marluce é tia de JHC, e a nomeação teria sido condicionada, segundo interlocutores, a compromissos eleitorais locais.
O acordo político mais amplo inclui ainda disputas para o Senado, o retorno de Renan Filho ao governo estadual em 2026 e negociações em torno da tramitação do projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
*Com informações do Jornal Folha S.Paulo.











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