O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participa nesta quarta-feira (28/01/2026) da abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, realizado na Cidade do Panamá, onde será o segundo chefe de Estado a discursar, logo após o presidente panamenho, José Raúl Mulino. A presença de Lula ocorre em um contexto de intensa agenda internacional, que inclui a assinatura de acordo bilateral com o Panamá, encontros com líderes regionais, declarações sobre a crise venezuelana, defesa do multilateralismo e o anúncio de uma viagem oficial aos Estados Unidos, em março, para reunião com o presidente norte-americano Donald Trump, em Washington.
O Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe segue até quinta-feira (29) e reúne mais de 2,5 mil participantes, entre chefes de Estado, autoridades governamentais, empresários e acadêmicos. Na programação, estão previstos debates sobre infraestrutura e desenvolvimento, inteligência artificial, comércio internacional, energia, mineração e segurança alimentar, temas centrais para a agenda econômica e estratégica da região.
Além das sessões de debate, está programada uma visita oficial às eclusas do Canal do Panamá, onde será realizada a foto oficial dos chefes de Estado presentes. O local tem papel estratégico para o comércio global e para as exportações brasileiras.
Acordo bilateral e fortalecimento das relações Brasil–Panamá
Durante a visita, Lula deve assinar com o presidente panamenho um acordo de cooperação bilateral voltado à ampliação dos investimentos, da expansão comercial e da integração logística entre os dois países. O Panamá é um parceiro relevante para o Brasil no escoamento de mercadorias, sendo o 15º maior usuário do Canal do Panamá.
Atualmente, cerca de 7 milhões de toneladas de produtos brasileiros exportados transitam pelo canal. O intercâmbio comercial bilateral registrou crescimento de 78% no último ano, alcançando US$ 1,6 bilhão, com destaque para as exportações brasileiras de petróleo e derivados. O Panamá também foi o primeiro país da América Central a se associar ao Mercosul, fator que amplia seu peso estratégico nas relações regionais.
Reuniões bilaterais e articulação regional
A agenda do presidente brasileiro inclui ainda reuniões bilaterais e encontros informais com outros chefes de Estado presentes no evento. Já confirmaram participação líderes do Equador, Guatemala, Bolívia, Chile e Jamaica, o que reforça o caráter regional do fórum e a busca por coordenação política e econômica na América Latina e no Caribe.
A previsão oficial é de que Lula retorne ao Brasil ainda nesta quarta-feira, após cumprir os compromissos no Panamá, enquanto o fórum segue com programação técnica até o dia seguinte.
Viagem a Washington e diálogo com os Estados Unidos
Na chegada ao Panamá, Lula confirmou que realizará uma viagem oficial a Washington, no início de março, para um encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Segundo o presidente brasileiro, a reunião terá como objetivo discutir a retomada e o fortalecimento das relações entre os dois países.
Lula afirmou que Brasil e Estados Unidos são “duas das principais democracias do Ocidente” e defendeu o diálogo direto entre chefes de Estado como instrumento para superar tensões e restabelecer a normalidade diplomática. O encontro foi confirmado após conversa telefônica entre Lula e Trump, ocorrida na segunda-feira (26).
Multilateralismo e temas da agenda internacional
De acordo com nota oficial do Palácio do Planalto, a conversa entre os presidentes abordou diversos temas internacionais, incluindo a situação na Venezuela, o plano de paz para a Faixa de Gaza e o combate ao crime organizado. Lula tem reiterado, em declarações públicas, a defesa do multilateralismo como eixo central da política externa brasileira.
O presidente também citou diálogos recentes com outros líderes internacionais, como o presidente da França, Emmanuel Macron, e o presidente do Chile, Gabriel Boric, reforçando a articulação diplomática em diferentes frentes.
Crise na Venezuela e posicionamento brasileiro
Questionado sobre a crise política na Venezuela e a presença militar dos Estados Unidos no Caribe, Lula afirmou ter conversado duas vezes com a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, nos dias seguintes aos acontecimentos recentes em Caracas. Segundo o presidente brasileiro, novas conversas devem ocorrer nas próximas semanas.
Lula declarou que a solução para a crise venezuelana deve ser construída pelo próprio povo do país, defendendo respeito à soberania e paciência diante de um cenário ainda em desenvolvimento.
Mensagem em memória das vítimas do Holocausto
Na terça-feira (27/01/2026), um dia antes do evento no Panamá, Lula publicou mensagem em redes sociais em alusão ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, instituído pela Organização das Nações Unidas. No texto, o presidente destacou a importância de recordar os horrores do genocídio cometido pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
O presidente ressaltou que o autoritarismo, os discursos de ódio e o preconceito étnico e religioso foram elementos centrais da tragédia, que vitimou milhões de judeus e integrantes de outros grupos perseguidos. Lula lembrou ainda sua participação, em 2004, na articulação internacional que resultou no reconhecimento oficial da data pela ONU, em referência à libertação do campo de concentração de Auschwitz, em 1945.











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