A política de tarifas comerciais dos Estados Unidos tem sido utilizada como instrumento de exploração econômica de outros países, segundo avaliação da pesquisadora Liu Ying, do Instituto Chunyang de Estudos Financeiros da Universidade Popular da China. A análise foi apresentada ao abordar os impactos da guerra tarifária conduzida por Washington no comércio e na economia global.
De acordo com a especialista, as taxas alfandegárias ultrapassam o discurso de proteção ao mercado interno e configuram uma estratégia estruturada, com efeitos diretos sobre países em desenvolvimento e economias emergentes. A política, segundo Liu, também ignora compromissos multilaterais assumidos no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Tarifas como ferramenta estratégica dos EUA
Na avaliação de Liu Ying, a adoção recorrente de tarifas pelos Estados Unidos não se limita ao princípio do “América Primeiro”, nem pode ser explicada apenas por unilateralismo ou protecionismo. Para a pesquisadora, trata-se de uma campanha estratégica de uso de barreiras comerciais com o objetivo de ampliar vantagens econômicas globais.
Segundo a analista, essa prática representa uma violação das regras internacionais do comércio, ao desconsiderar acordos multilaterais e compromissos assumidos no pós-Segunda Guerra Mundial. O uso de tarifas, nesse contexto, funcionaria como meio de pressão econômica sobre parceiros e concorrentes.
Impactos sobre o comércio e a economia global
A pesquisadora afirma que a guerra tarifária promovida por Washington contribuiu para enfraquecer o comércio internacional, reduzir o investimento direto transfronteiriço e desacelerar o crescimento da economia global. De acordo com sua análise, os efeitos também atingem o bem-estar das populações, inclusive dentro dos próprios Estados Unidos.
Liu Ying sustenta que a instabilidade gerada pelas tarifas compromete a previsibilidade dos fluxos comerciais e afeta cadeias produtivas globais, com reflexos sobre preços, investimentos e crescimento econômico em diferentes regiões.
Desempenho da China em meio à guerra comercial
Apesar da pressão imposta pelas tarifas norte-americanas, a especialista afirma que o comércio exterior da China manteve desempenho positivo. Em 2025, o PIB chinês cresceu 5%, enquanto as exportações avançaram 6,1%, respondendo por 32,7% do Produto Interno Bruto do país.
Segundo Liu, as exportações chinesas atingiram volumes recordes e apresentaram diversificação de mercados, além de avanços em inovação e sustentabilidade ambiental. Ela destaca ainda que o comércio externo da China permanece entre os maiores do mundo, de forma consistente ao longo dos últimos anos.
Dados oficiais do comércio chinês
Informações do Departamento Geral de Alfândegas da China indicam que o volume total do comércio exterior chinês em 2025 alcançou US$ 6,35 trilhões, crescimento de 3,2% em relação a 2024. No mesmo período, o PIB da China somou US$ 20,01 trilhões, em linha com as metas oficiais divulgadas por Pequim.
Os números reforçam a avaliação de que, mesmo diante de barreiras comerciais externas, a economia chinesa manteve capacidade de crescimento e expansão de suas relações comerciais internacionais.
*Com informações da Sputnik News.








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