Um ano de Donald Trump no poder redefine política externa dos EUA com intimidação estratégica, tarifas e pressão sobre aliados

Na terça-feira (20/01/2026), completou-se um ano do retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, período marcado por uma redefinição da política externa norte-americana baseada no uso explícito de pressão política, econômica e militar, inclusive contra aliados históricos. Em doze meses, a estratégia adotada pelo governo norte-americano alterou dinâmicas diplomáticas, fragilizou o multilateralismo e ampliou incertezas no sistema internacional.

Especialistas em relações internacionais apontam que as ações do presidente seguem um método estruturado de intimidação e desestabilização, caracterizado pela imprevisibilidade e pela imposição constante de agendas de curto prazo. Essa conduta impacta diretamente governos estrangeiros, mercados financeiros e alianças estratégicas, como a Otan.

O primeiro ano do segundo mandato confirma a adoção de uma política externa transacional, na qual decisões são orientadas por ganhos imediatos, com efeitos colaterais sobre a estabilidade global e a previsibilidade diplomática.

Método de desestabilização e pressão permanente

Analistas destacam que a estratégia central do governo Trump consiste em manter interlocutores na defensiva, dificultando articulações conjuntas que possam conter as ações norte-americanas. O volume elevado de anúncios, ameaças e recuos cria um ambiente de saturação informacional, obrigando governos e agentes econômicos a reagirem continuamente.

Essa dinâmica permite ao presidente impor agendas de curto prazo, influenciar mercados e ampliar sua margem de manobra política. O método se baseia em pressão constante, sem compromisso com planejamentos de longo alcance ou com uma visão estruturada da ordem internacional.

Apesar da ausência de uma estratégia global consistente, especialistas identificam convicções ideológicas claras, que orientam decisões e discursos do governo.

Poder irrestrito e uso de tarifas como instrumento político

Um dos pilares dessa política é a concepção de poder exercido sem restrições, na qual a superioridade militar, econômica e política dos Estados Unidos é utilizada para impor interesses específicos, sobretudo de grupos que sustentam o governo.

Outro eixo central é a utilização de tarifas comerciais como ferramenta de política externa. A imposição de taxas sobre parceiros e aliados é tratada como mecanismo de obtenção de vantagens econômicas e políticas imediatas. Especialistas alertam que essa abordagem tende a reduzir o comércio internacional e comprometer a eficiência da economia global no médio e longo prazo.

Mesmo diante desses riscos, o governo mantém o foco em resultados imediatos, reforçando a lógica transacional que marca o atual mandato.

América Latina e precedentes de intervenção

Na América Latina, ações recentes ampliaram preocupações regionais. Episódios envolvendo operações militares e ameaças indiretas reforçaram a percepção de ambiguidade estratégica, considerada parte essencial do método adotado por Washington.

A imprevisibilidade dificulta avaliações sobre os próximos passos do governo norte-americano e amplia a insegurança entre países da região, que passam a considerar cenários antes descartados no planejamento estratégico.

Esse contexto reacendeu debates sobre autonomia regional e capacidade de resposta diante de pressões externas.

Fragilidades da estratégia de defesa brasileira

Especialistas em defesa avaliam que a Estratégia Nacional de Defesa do Brasil não está plenamente ajustada ao novo cenário internacional. Um dos principais pontos de atenção é a dependência estrutural das Forças Armadas brasileiras em relação aos Estados Unidos, seja em doutrina, equipamentos ou formação.

Essa dependência cria dificuldades para a construção de uma política de defesa autônoma e para a adaptação a um contexto em que aliados tradicionais também podem representar riscos estratégicos. Analistas defendem a necessidade de revisar documentos de defesa, priorizando autonomia tecnológica, capacidade industrial e logística própria.

A discussão ganhou força diante de precedentes internacionais e da valorização crescente de territórios ricos em recursos naturais estratégicos, realidade que também envolve o Brasil.

Multilateralismo, alianças regionais e novos eixos

Diante desse cenário, especialistas apontam o fortalecimento do multilateralismo e das alianças regionais como caminho para reduzir vulnerabilidades. A cooperação com países que compartilham valores democráticos e respeito ao direito internacional surge como alternativa à política de intimidação.

A aproximação com blocos como a União Europeia e o avanço de acordos comerciais baseados em normas e previsibilidade são vistos como instrumentos de equilíbrio diante da instabilidade provocada pela política externa norte-americana.

Esse reposicionamento exige coordenação regional, investimentos em defesa e uma estratégia diplomática voltada à diversificação de parcerias.

Alertas sobre direitos humanos e Estado de Direito

Organizações internacionais de direitos humanos também avaliam o primeiro ano do novo mandato de Trump como um período de erosão institucional. Relatórios recentes apontam impactos sobre liberdade de imprensa, acesso à informação, funcionamento do sistema jurídico e espaço cívico, além do uso ampliado de mecanismos de repressão interna.

Segundo essas análises, a consolidação de práticas autoritárias segue um padrão observado em outros contextos internacionais, marcado por concentração de poder, restrição à dissidência e enfraquecimento de mecanismos de controle.

O alerta central é para o risco de normalização dessas práticas, com efeitos duradouros sobre a democracia e a credibilidade internacional dos Estados Unidos.

*Com informações da RFI e Agência Brasil.


Descubra mais sobre Jornal Grande Bahia (JGB)

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


Avatar de Redação do Jornal Grande Bahia

Valorize o jornalismo crítico, plural, rigoroso e comprometido com a verdade factual, a democracia, o Estado de Direito e o interesse público. Escolha o Jornal Grande Bahia (JGB) como fonte preferida no Google: clique aqui.

Sua confiança também fortalece nosso trabalho: avalie o JGB

Selecione o JGB e receba nossas notícias com mais destaque.


Deixe um comentário


Banner de Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.
Banner com tema Assine o JGB no Google.