AGU aciona CNJ para investigar desembargador do TJMG após decisão que absolveu acusado de estupro de vulnerável

A Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério das Mulheres protocolaram, na quarta-feira (25/02/2026), representação junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) solicitando investigação da conduta de um desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O pedido questiona decisão que havia absolvido um homem acusado de estupro de vulnerável contra uma adolescente de 12 anos, além da mãe da vítima.

Segundo os órgãos, a decisão foi tomada no âmbito da 9ª Câmara Criminal do tribunal e teria desconsiderado dispositivos legais de proteção à infância. A manifestação sustenta que o entendimento adotado compromete garantias previstas na legislação brasileira.

O caso ganhou repercussão após a divulgação do voto que fundamentou a absolvição, levando o governo federal a requerer apuração administrativa da conduta do magistrado.

Fundamentação jurídica apresentada pela AGU

Na representação, a AGU afirmou que a decisão afronta a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), normas que estabelecem proteção integral a crianças e adolescentes.

O órgão argumentou que a interpretação utilizada para caracterizar a existência de um suposto núcleo familiar não encontra respaldo no ordenamento jurídico, especialmente em casos que envolvem exploração sexual de menor de idade.

Para a Advocacia-Geral, a situação descrita nos autos não configura relação de afeto, mas indícios de violência e violação de direitos, o que exige tratamento penal adequado.

Pedido de apuração no CNJ

O requerimento encaminhado ao CNJ solicita avaliação disciplinar da conduta do desembargador, com análise da compatibilidade da decisão com os deveres funcionais da magistratura.

O Conselho é responsável por fiscalizar a atuação administrativa e disciplinar do Judiciário, podendo instaurar procedimentos para averiguar possíveis irregularidades.

A iniciativa busca examinar se houve desvio de interpretação jurídica ou afronta a princípios legais de proteção a menores.

Recuo do magistrado e restabelecimento da condenação

Após a repercussão do caso, o desembargador Magid Nauef Láuar proferiu decisão individual revendo o entendimento anterior. O magistrado restabeleceu a sentença de primeira instância, que havia condenado o homem e a mãe da adolescente.

Também foi determinada a prisão dos acusados, retomando os efeitos da condenação original enquanto o processo segue trâmite judicial.

Com a mudança, o caso permanece sob análise das instâncias competentes, enquanto o pedido de investigação administrativa aguarda avaliação do CNJ.

*Com informações da Agência Brasil.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia.
O Jornal Grande Bahia completa 19 anos de atuação contínua no ambiente digital, consolidando-se como referência do jornalismo independente na Bahia. Fundado em 2007, o veículo construiu uma trajetória marcada por rigor editorial, pluralidade temática e compromisso com a informação pública, aliando tradição jornalística, inovação tecnológica e participação qualificada no debate democrático.
Banner da Jads Foto.
Banner de Lula Fotografia.
Banner da RFI.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading