Nesta segunda-feira (23/02/2026), durante missão oficial na Coreia do Sul, a secretária da Saúde do Estado da Bahia, Roberta Santana, acompanhou a assinatura de três Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) destinadas à produção nacional de medicamentos estratégicos. Os acordos contemplam transferência de tecnologia e internalização da fabricação no Brasil de fármacos utilizados no tratamento de doenças graves e raras. A iniciativa, formalizada durante o Encontro Empresarial Brasil–Coreia do Sul, organizado pela ApexBrasil, prevê investimento estimado de até R$ 1,104 bilhão no primeiro ano por parte do Ministério da Saúde.
Os medicamentos contemplados nas parcerias são bevacizumabe, eculizumabe e aflibercepte, utilizados principalmente no tratamento de câncer, doenças raras e enfermidades oftalmológicas. A estratégia integra a política federal de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, voltada à ampliação da produção nacional de medicamentos e à redução da dependência de importações.
Transferência de tecnologia para produção no Brasil
Entre os acordos firmados está a PDP para transferência de tecnologia do eculizumabe, medicamento indicado para o tratamento da Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN), doença rara que afeta o sistema sanguíneo e pode provocar complicações graves.
A parceria reúne Bahiafarma, Bionovis S.A. e a empresa sul-coreana Samsung Bioepis Co., Ltda., e prevê a internalização gradual do processo produtivo no Brasil.
A formalização dessa cooperação busca fortalecer a capacidade tecnológica e industrial do país, permitindo que medicamentos de alto custo passem a ser produzidos nacionalmente, com impacto direto no abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Também foi formalizada a parceria para produção do bevacizumabe, medicamento amplamente utilizado no tratamento de diversos tipos de câncer e em indicações oftalmológicas. Nesse caso, a estrutura da parceria reúne novamente Bahiafarma, Bionovis e Samsung Bioepis, consolidando um modelo de cooperação internacional voltado à transferência de conhecimento e tecnologia farmacêutica.
Estratégia para fortalecer o complexo industrial da saúde
Durante a cerimônia, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que as parcerias representam um avanço relevante para a política industrial do setor de saúde no Brasil.
Segundo ele, os acordos têm como objetivo ampliar a autonomia produtiva do país e garantir maior previsibilidade para o mercado farmacêutico.
“As parcerias firmadas têm um significado muito relevante. Representam a transferência de tecnologia, a produção local no Brasil, o fortalecimento da base industrial nacional e a redução de vulnerabilidades do sistema de saúde. Representam também previsibilidade para o setor privado e compromisso de longo prazo do Estado brasileiro”, afirmou o ministro.
A política de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) foi estruturada pelo governo federal para estimular a cooperação entre laboratórios públicos e empresas privadas, com foco na produção de medicamentos considerados estratégicos para o sistema público de saúde.
Bahiafarma amplia capacidade tecnológica
A secretária da Saúde da Bahia, Roberta Santana, ressaltou que a missão internacional reforça o papel da Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico, Fornecimento e Distribuição de Medicamentos (Bahiafarma) como polo estratégico de produção farmacêutica no país.
Segundo ela, os acordos firmados ampliam o número de medicamentos com transferência de tecnologia destinados à produção na Bahia.
“A Bahiafarma sai dessa missão com quatro medicamentos com transferência de tecnologia para a produção na Bahia, levando o desenvolvimento econômico e social para a região Nordeste”, afirmou.
A ampliação da produção farmacêutica no estado também pode contribuir para a geração de empregos qualificados, fortalecimento da indústria local e consolidação da Bahia como um dos polos brasileiros de biotecnologia aplicada à saúde.
Agenda técnica inclui visitas a hospitais e indústrias farmacêuticas
Durante a agenda oficial na Coreia do Sul, a comitiva brasileira também programou visitas técnicas a instituições de saúde e unidades industriais.
Entre os compromissos previstos está a visita a uma rede hospitalar coreana especializada em tratamentos ortopédicos não cirúrgicos, que atende mais de 300 mil pacientes por ano.
A programação inclui ainda visita ao hospital inteligente da Samsung, conhecido pela integração de tecnologias digitais e automação hospitalar, além de inspeção à planta industrial responsável pela produção de medicamentos que também deverão ser fabricados pela Bahiafarma.
Segundo Roberta Santana, o objetivo dessas visitas é ampliar o intercâmbio tecnológico e conhecer modelos avançados de gestão hospitalar e produção farmacêutica.
“Vamos conhecer tanto a parte de assistência clínica quanto a parte de equipamentos. Visitaremos o hospital inteligente da Samsung e depois seguiremos para visita à planta de produção de medicamentos que também serão produzidos na Bahiafarma”, explicou a secretária.









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