Carnaval 2026: desfile que homenageia presidente Lula, satiriza Jair Bolsonaro e provoca reação da oposição com foco de disputa eleitoral

O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que abriu no domingo (16/02/2026) a primeira noite do Grupo Especial no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, transformou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em enredo e colocou a política no centro do Carnaval carioca. A apresentação, acompanhada de perto pelo próprio presidente, incluiu homenagens aos programas sociais petistas, críticas a adversários políticos e encenações satíricas envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, gerando reações da oposição e questionamentos sobre eventual propaganda eleitoral antecipada.

Enredo narra trajetória de Lula e exalta políticas sociais

A escola levou à avenida um desfile de 79 minutos, estruturado em setores que contaram a história de Lula desde a infância pobre no interior de Pernambuco até sua terceira eleição para a Presidência da República.

Artistas conhecidos do público, como Paulo Vieira, Dira Paes e Juliana Baroni, interpretaram o presidente, sua mãe, dona Lindu, e a ex-primeira-dama Marisa Letícia. O desfile foi dividido em 25 alas, com cerca de 150 integrantes cada, além de cinco carros alegóricos, incluindo um boneco gigante de Lula no encerramento.

O enredo também destacou programas sociais associados aos governos petistas, como:

  • Bolsa Família
  • Prouni
  • Luz para Todos
  • Minha Casa, Minha Vida

Segundo a sinopse da escola, o desfile apresentou as políticas públicas como parte de uma “luta histórica por melhores condições de vida para a classe trabalhadora”.

Samba-enredo exaltou origem popular e programas sociais

O samba-enredo acompanhou a narrativa biográfica apresentada nas alegorias e alas, destacando a trajetória de Lula desde a infância até a Presidência, além das políticas sociais associadas aos seus governos.

A letra fez referências à viagem do futuro presidente ainda criança em um pau de arara, ressaltando o percurso de 13 dias até São Paulo, menção indireta ao número histórico do Partido dos Trabalhadores, que não apareceu visualmente nas fantasias por orientação jurídica.

Trechos do samba também exaltaram:

  • A origem operária do presidente
  • A fundação do Partido dos Trabalhadores
  • Os programas sociais implantados durante seus mandatos
  • A ideia de mobilidade social e inclusão como marca de sua trajetória política

A narrativa musical reforçou a construção simbólica de Lula como personagem central da história política recente, combinando elementos biográficos com referências às políticas públicas associadas ao partido.

Ala sobre jornada de trabalho e taxação de ricos

Uma das alas finais foi dedicada à proposta de fim da escala 6×1, promessa atribuída ao governo federal. Os figurinos traziam relógios e elementos simbólicos para representar o controle do tempo de trabalho.

Outra ala celebrou medidas de isenção de imposto de renda para os mais pobres e taxação dos mais ricos, representadas por cartolas de banqueiros e células de dinheiro.

Sátiras a adversários e referências políticas

O desfile também incluiu provocações a adversários políticos. Em uma alegoria, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi retratado como um palhaço preso com tornozeleira eletrônica, o que gerou reação de aliados nas redes sociais.

Na comissão de frente, um ator caracterizado como o palhaço Bozo fez gestos com as mãos simulando armas e apareceu cercado por cruzes, em referência às mortes por covid-19 no Brasil.

O enredo ainda trouxe:

  • Representação de Lula passando a faixa para Dilma Rousseff em 2010.
  • Encenação do impeachment de 2016 com personagem de Michel Temer.
  • Ala com fantasias de personagens da Disney, em referência ao deputado Eduardo Bolsonaro.

Presença de Lula na avenida e ausência de Janja no desfile

O presidente acompanhou a maior parte dos desfiles no camarote da Prefeitura do Rio, ao lado do prefeito Eduardo Paes e de ministros. Em determinado momento, desceu à pista para beijar o pavilhão da escola e cumprimentar os integrantes.

A presença direta na avenida ocorreu apesar da orientação inicial para que ele permanecesse apenas no camarote, a fim de evitar questionamentos de natureza eleitoral.

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, não desfilou, como estava previsto. Segundo informações divulgadas pela imprensa, ela teria sido aconselhada a evitar a participação para não gerar controvérsias jurídicas. A cantora Fafá de Belém ocupou o lugar no carro alegórico.

Reações da oposição e ameaça de ação eleitoral

O desfile provocou críticas de parlamentares e partidos de oposição, que acusaram o evento de configurar propaganda eleitoral antecipada.

O Partido Novo anunciou que pretende acionar a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade de Lula. O senador Flávio Bolsonaro afirmou que o presidente teria usado recursos públicos para promover a própria imagem, enquanto o senador Sergio Moro classificou o desfile como um “espetáculo de abuso de poder”.

Outros parlamentares também criticaram a mistura entre política e Carnaval, apontando possível irregularidade eleitoral.

Orientações para evitar desgaste político

Diante do risco de questionamentos jurídicos, o Palácio do Planalto orientou ministros a não desfilar e a evitar exposição excessiva nas redes sociais durante o evento.

O próprio presidente não concedeu entrevistas e manteve postura discreta, apesar de ter descido à avenida em determinado momento. A primeira-dama também permaneceu no camarote.

Entre os convidados presentes estavam artistas, autoridades e empresários, como o banqueiro André Esteves, além de dirigentes de estatais e bancos públicos.


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