Quarta-feira (18/02/2026) — O Carnaval de Salvador 2026 tem sido utilizado como plataforma de mobilização social para reforçar campanhas contra o assédio, a violência de gênero e o feminicídio, por meio de ações coordenadas pela Secretaria das Mulheres do Estado (SPM). As iniciativas, realizadas em articulação com o Ministério das Mulheres e a rede estadual de enfrentamento à violência, incluem tendas de acolhimento, distribuição de materiais educativos e campanhas de conscientização em diferentes circuitos da festa e bairros da capital baiana.
Segundo a secretária das Mulheres, Neusa Cadore, a visibilidade da maior festa popular do mundo contribui para ampliar o alcance das campanhas e fortalecer o debate público sobre a proteção das mulheres. A gestora destacou a integração entre diversos órgãos do Estado, como a Secretaria da Segurança Pública, e as equipes que atuam diretamente nos circuitos para prestar apoio e orientação.
Campanhas educativas e distribuição de materiais
Durante o período oficial da folia, a Secretaria das Mulheres promoveu as campanhas “Oxe, me respeite” e “Se liga ou eu ligo 180”, voltadas ao combate ao assédio e à importunação sexual. As ações foram desenvolvidas nos principais circuitos carnavalescos e também em bairros da cidade.
Ao longo dos dias de festa, foram distribuídos mais de 150 mil materiais informativos, entre ventarolas, fitas e tatuagens temporárias, com mensagens educativas e orientações sobre canais de denúncia e apoio às vítimas.
A secretária visitou a Tenda “Oxe, me respeite” instalada em Ondina, onde dialogou com as equipes de plantão e acompanhou o atendimento ao público. De acordo com ela, a presença de estruturas especializadas durante o Carnaval amplia o acesso das mulheres a serviços de orientação e acolhimento.
Tendas de acolhimento funcionam durante toda a folia
Uma das principais ações estratégicas foi a instalação das Tendas “Oxe, me respeite” em três pontos da festa:
- Praça do Campo Grande
- Em frente à Câmara Municipal, no Pelourinho
- Praça Eliana Kertész, em Ondina
De quinta-feira até a Quarta-feira de Cinzas, as estruturas somaram 216 horas de funcionamento contínuo, com a atuação de 55 profissionais de diferentes áreas, preparados para oferecer atendimento multidisciplinar.
Durante o período, mais de 160 mulheres buscaram informações nas tendas, especialmente sobre o funcionamento da Casa da Mulher Brasileira, em Salvador, unidade especializada no atendimento a vítimas de violência.
Percepção das foliãs e impacto das ações
A presença das campanhas também foi percebida pelas foliãs que frequentaram os circuitos. Aline dos Santos, abordada pelas equipes na tenda de Ondina, avaliou que o Carnaval é um ambiente propício para ações de conscientização, em razão da diversidade de público.
Ela destacou a importância de iniciativas educativas para promover mudanças de comportamento e ampliar o debate sobre respeito às mulheres, especialmente em espaços de grande concentração de pessoas.
A atendente Sueli Miranda, frequentadora assídua da festa, afirmou que observa uma evolução na abordagem masculina ao longo dos anos e atribui esse movimento às campanhas de conscientização realizadas durante o Carnaval. Para ela, as ações educativas são essenciais para reduzir casos de violência e reforçar a segurança das mulheres.
Articulação institucional e rede de proteção
De acordo com a Secretaria das Mulheres, as ações realizadas no Carnaval fazem parte de uma estratégia permanente de enfrentamento à violência de gênero. O trabalho envolve a integração de diferentes órgãos públicos e serviços especializados, com foco em prevenção, acolhimento e orientação.
A articulação com a rede de enfrentamento à violência contra a mulher inclui equipes de segurança, profissionais de saúde, assistência social e canais de denúncia, garantindo suporte durante todos os dias e noites da festa.









Deixe um comentário