A Polícia Federal identificou nesta terça-feira (10/02/2026) indícios de possível vazamento de informações sobre uma operação de busca e apreensão realizada contra o diretor-presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Silva Lemos, no âmbito das investigações sobre aportes de aproximadamente R$ 400 milhões do fundo previdenciário no Banco Master, instituição posteriormente liquidada pelo Banco Central. O caso integra um conjunto de desdobramentos institucionais que envolvem investigações, auditorias, mudanças de governança e medidas emergenciais para recompor perdas no sistema financeiro.
PF vê sinais de alerta prévio e possível ocultação de provas
Segundo relatório enviado à Justiça Federal, a Polícia Federal registrou indícios de que o investigado poderia ter tomado conhecimento antecipado da operação, realizada na sexta-feira (06/02/2026). Os agentes chegaram à residência de Jocildo por volta das 6h da manhã, mas foram informados de que ele havia saído pouco antes para realizar atividade física, levando consigo o telefone pessoal.
A investigação aponta que, ao retornar ao imóvel, o dirigente entregou voluntariamente aos policiais um aparelho telefônico recém-habilitado, sem registros de mensagens, chamadas ou arquivos. Questionado, afirmou que havia repassado seu celular antigo, com a tela trincada, a um amigo na noite anterior.
Contato telefônico antes da operação
O amigo mencionado, Mauro Júnior, atua como procurador jurídico da Amprev. Durante a operação, a Polícia Federal determinou a entrega do aparelho que estava com ele. Além disso, os agentes apreenderam o celular da esposa do investigado após identificarem ligações feitas por Mauro Júnior às 5h42, minutos antes do início das diligências.
Para os investigadores, esse contato pode indicar ciência antecipada da ação policial, o que teria motivado a substituição ou ocultação do telefone originalmente utilizado pelo diretor.
A Polícia Federal classifica Jocildo como mentor intelectual e principal articulador das operações no Comitê de Investimentos da Amprev. Os aportes no Banco Master, segundo a investigação, teriam sido realizados ignorando alertas técnicos e riscos identificados previamente.
O diretor afirmou ter sido indicado ao cargo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que não é investigado nem foi alvo da operação.
TCU apura atuação do Banco Central na liquidação do Master
Em paralelo às investigações policiais, o Tribunal de Contas da União (TCU) abriu dois processos para analisar a atuação do Banco Central em relação ao Banco Master.
O presidente da Corte, ministro Vital do Rêgo, afirmou que agentes públicos poderão ser responsabilizados caso sejam identificados erros ou condutas irregulares. Segundo ele, a análise envolve:
- A rejeição da tentativa de compra do Banco Master pelo BRB
- O processo de liquidação da instituição
Vital do Rêgo destacou que o TCU não possui competência para reverter a liquidação, atribuição exclusiva do Banco Central, mas poderá apontar responsabilidades administrativas.
O relatório técnico da inspeção deve ser submetido ao plenário da Corte, com julgamento previsto após a conclusão das análises.
FGC aprova plano emergencial para recompor caixa após rombo
A liquidação do Banco Master provocou impacto significativo no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por ressarcir depositantes e investidores.
Para recompor a liquidez do fundo, o conselho aprovou um plano emergencial que prevê:
- Antecipação imediata de cinco anos de contribuições dos bancos
- Novos adiantamentos em 2027 e 2028
- Aumento temporário das contribuições mensais entre 30% e 60%, por no mínimo cinco anos
Até o momento, o FGC já desembolsou cerca de R$ 36 bilhões para ressarcir credores do Banco Master, de um total superior a R$ 40 bilhões estimados. O fundo ainda deverá arcar com aproximadamente R$ 6,3 bilhões relacionados ao Will Bank, integrante do mesmo conglomerado.
O setor financeiro discute também mudanças de governança, incluindo:
- Maior fiscalização dos balanços das instituições
- Limitação de alavancagem
- Redução da concentração de produtos em plataformas específicas
BRB enfrenta crise e troca diretor jurídico
No Banco de Brasília (BRB), a crise decorrente do envolvimento com o Banco Master provocou mudanças na diretoria. O banco informou a renúncia do diretor jurídico Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, cuja saída será efetivada em 14 de fevereiro.
A mudança ocorre após investigações indicarem que o BRB adquiriu, entre 2023 e 2024, carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões, compostas por ativos considerados superfaturados ou inexistentes.
O Banco Central rejeitou, em setembro de 2025, a tentativa do BRB de adquirir o controle do Banco Master. Pouco depois, a instituição foi liquidada.
Segundo depoimento prestado à Polícia Federal por diretor do BC, as operações teriam provocado rombo estimado em R$ 5 bilhões no balanço do banco público. Para enfrentar a crise, o BRB apresentou plano de capitalização que pode exigir aporte mínimo de R$ 5 bilhões em até 180 dias.
O banco também anunciou a nomeação de Ana Paula Teixeira como nova diretora de Controles e Riscos, com a justificativa de reforçar a governança e a integridade institucional.
*Com informações da Polícia Federal (PF), jornal Folha de S.Paulo, Estadão, Metrópoles e Agência Brasil.










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