Caso Banco Master: relatório da PF cita Toffoli, expõe suspeita de pagamentos e reacende debate sobre corrupção e eleições 2026

Quinta-feira (12/02/2026) — O avanço das investigações relacionadas ao caso Banco Master e o relatório da Polícia Federal que cita diálogos envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro ampliaram a pressão sobre a Corte e elevaram a tensão política às vésperas das eleições presidenciais de 2026. O material, entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, traz menções a pagamentos discutidos em 2024 e alimenta pedidos de suspeição do ministro, enquanto o episódio passa a influenciar o ambiente político, discursos de campanha e o debate público sobre corrupção e gestão estatal.

Relatório da PF amplia questionamentos no STF

O relatório da Polícia Federal, com cerca de 200 páginas, reúne mensagens, ligações telefônicas e conversas encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Entre os registros, há diálogos com o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que tratariam de pagamentos relacionados ao resort Tayayá, empreendimento ligado à empresa Maridt, da qual o ministro Dias Toffoli é sócio.

Segundo o material, as conversas ocorreram em dezembro de 2024, três anos após a venda de parte das cotas da empresa para um fundo controlado por Zettel. Esse dado é considerado relevante porque contrasta com a versão apresentada por Toffoli, segundo a qual os repasses teriam ocorrido apenas em razão de operações societárias anteriores.

O documento foi entregue pessoalmente ao presidente do STF pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e está sendo analisado pela Corte. Embora o relatório não peça formalmente a suspeição do ministro, integrantes do Supremo avaliam que o conteúdo pode inviabilizar sua permanência na relatoria do caso.

Defesa do ministro e encaminhamento à PGR

Em nota oficial, o gabinete de Dias Toffoli afirmou que o relatório da PF se baseia em “ilações” e sustentou que a corporação não tem legitimidade para pedir sua suspeição, por não ser parte no processo. O ministro também confirmou ser sócio da empresa Maridt, administrada por familiares, e afirmou ter recebido apenas dividendos declarados à Receita Federal, sem exercer funções de gestão.

Segundo a assessoria, a empresa vendeu parte de sua participação no resort em 2021 para o fundo Arleen, ligado a Zettel, e encerrou totalmente sua participação em fevereiro de 2025, quando o restante das cotas foi vendido a outra empresa. Toffoli afirma que todas as operações ocorreram a valores de mercado.

O presidente do STF encaminhou o relatório à Procuradoria-Geral da República (PGR) e informou que o tema será discutido internamente pelos ministros. O caso poderá resultar em decisão sobre eventual afastamento de Toffoli da relatoria.

Decisões controversas e tensão com investigadores

Antes mesmo do relatório, o ministro já enfrentava pressões para deixar o caso. Desde que assumiu a relatoria, após menção ao nome de um parlamentar com foro privilegiado, o magistrado tomou decisões consideradas controversas por investigadores.

Entre elas:

  • Determinação de sigilo da investigação;
  • Centralização de oitivas no STF;
  • Restrição do acesso da PF a materiais apreendidos;
  • Definição de prazos considerados exíguos para depoimentos.

A Polícia Federal chegou a criticar a condução do caso, apontando dificuldades operacionais decorrentes das decisões judiciais. O embate institucional ampliou o clima de tensão entre a Corte e os investigadores.

Impacto político e discurso eleitoral

O caso Master passou a ocupar espaço central no debate político, sobretudo diante da proximidade das eleições de 2026. O episódio tem sido utilizado por setores da oposição como símbolo de supostas irregularidades envolvendo o sistema financeiro e o poder público.

Em paralelo, o governo federal tem buscado reforçar programas sociais e medidas de impacto direto na renda, como:

  • Propostas de isenção tributária para rendas até R$ 5 mil;
  • Ampliação de subsídios ao gás de cozinha;
  • Debate sobre a mudança da jornada de trabalho para o modelo cinco dias de trabalho e dois de descanso.

Essas iniciativas integram a estratégia política de fortalecimento de apoio popular, em meio ao ambiente de desgaste provocado por investigações e denúncias.

Ambiente institucional e pressão sobre órgãos de controle

Nos bastidores, segundo relatos políticos e institucionais, cresce a expectativa sobre o papel da Polícia Federal e do Ministério Público na condução das investigações. Há pressão por avanços nas apurações, bem como preocupação com a repercussão do caso sobre a credibilidade das instituições.

A depender dos desdobramentos, o episódio pode gerar:

  • Instalação de comissões parlamentares de inquérito;
  • Novos pedidos de suspeição ou afastamento de autoridades;
  • Ampliação do impacto eleitoral e institucional do caso.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Dupla de profissionais de saúde sorrindo, vestindo uniformes, com uma cidade ao fundo e texto promocional sobre saúde.
Banner promocional da JADS FOTO, destacando serviços de fotografia e personalização, incluindo contatos e lista de produtos.
Logo da RFI em português, com as letras 'rfi' em vermelho sobre fundo branco e a palavra 'português' em vermelho, abaixo com uma linha horizontal.
Imagem comemorativa de 19 anos do Jornal Grande Bahia, destacando seu compromisso com jornalismo independente e informação precisa.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading