Brasília, segunda-feira, 09/02/2026 — As investigações sobre o Caso Banco Master avançaram nos primeiros dias de fevereiro de 2026 e atingiram dirigentes de fundos de previdência estaduais responsáveis por aplicações bilionárias em letras financeiras da instituição. A Polícia Federal realizou operações que resultaram em prisões e buscas contra gestores ligados aos dois maiores investidores públicos no banco, o Rioprevidência, do Rio de Janeiro, e a Amprev, do Amapá, ambos com conexões políticas e nomeações associadas a grupos partidários.
Os dados mais recentes do Ministério da Previdência Social, referentes ao período entre outubro de 2023 e dezembro de 2024, indicam que o Rioprevidência aplicou cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master, enquanto a Amprev direcionou aproximadamente R$ 400 milhões ao mesmo tipo de ativo. As letras financeiras não contam com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que amplia o risco de perdas após a liquidação do banco, envolvido em suspeitas de irregularidades.
Operações da Polícia Federal e prisões de dirigentes
As investigações ganharam novo impulso com duas ações da Polícia Federal em fevereiro de 2026:
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03/02/2026 — prisão de Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, em operação relacionada às aplicações do fundo no Banco Master.
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06/02/2026 — operação da PF contra Jocildo Silva Lemos, presidente da Amprev, com cumprimento de medidas judiciais no Amapá.
As duas ações fazem parte do conjunto de apurações federais que investigam suspeitas de irregularidades nas aplicações dos fundos públicos em instrumentos financeiros emitidos pelo Banco Master. As investigações envolvem análises de decisões de investimento, fluxos de recursos e possíveis vínculos políticos nas nomeações de dirigentes.
Amprev e a proximidade com o Senado
Jocildo Silva Lemos assumiu a presidência da Amapá Previdência (Amprev) em janeiro de 2023. Em evento público realizado em 2024, ele declarou ter sido convidado para o cargo pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), hoje presidente do Senado Federal após eleição em fevereiro de 2025.
Segundo registros públicos, Jocildo já atuou como tesoureiro de campanha do parlamentar e teria representado o senador em agendas oficiais no estado. A Amprev também possui Alberto Alcolumbre, irmão do senador, como conselheiro fiscal, embora ele não tenha sido alvo das operações.
Em nota, o governo do Amapá afirmou que a Amprev se considera lesada pelo Banco Master e ingressou com ações judiciais para bloqueio de pagamentos ao banco. Segundo a administração estadual, os investimentos representariam 4,7% da carteira do fundo e teriam sido validados pelo Banco Central.
Rioprevidência e as nomeações políticas no Rio
No caso do Rioprevidência, o ex-presidente Deivis Marcon Antunes foi preso em 3 de fevereiro de 2026, após deixar o cargo em janeiro do mesmo ano. Ele havia presidido o fundo entre julho de 2023 e janeiro de 2026.
Antes da presidência, Deivis ocupou cargo comissionado de assessor-chefe na Secretaria de Transportes do Rio de Janeiro, entre janeiro de 2022 e janeiro de 2023, durante a gestão do governador Cláudio Castro (PL). A pasta era comandada à época pelo advogado André Nahass, ligado ao grupo político do União Brasil.
Relatos de bastidores indicam que a indicação de dirigentes do Rioprevidência teria partido de quadros do União Brasil, partido aliado do governo estadual e o mesmo do senador Davi Alcolumbre. A defesa de Deivis afirma que ele é um quadro técnico, com experiência jurídica em regimes próprios de previdência, e nega indicação política.
Na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputados de oposição pediram a abertura de uma CPI para investigar as nomeações e as operações com o Banco Master.
Risco financeiro e ausência de garantia do FGC
Os investimentos dos fundos no Banco Master foram realizados por meio de letras financeiras, instrumento de captação bancária sem proteção do Fundo Garantidor de Créditos. Com a liquidação da instituição sob suspeita, as aplicações passaram a ser tratadas como ativos de risco elevado, com potencial impacto sobre aposentadorias e pensões de servidores.
Segundo dados oficiais:
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Rioprevidência: R$ 970 milhões aplicados
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Amprev: R$ 400 milhões aplicados
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Período analisado: outubro de 2023 a dezembro de 2024
Os valores colocam as duas entidades entre os maiores investidores institucionais públicos no banco investigado.
*Com informações da Folha de S.Paulo, Estadão, Veja e Agência Brasil.










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