O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realiza nesta quinta-feira (19/02/2026) em Washington a primeira reunião oficial do seu Conselho da Paz, criado no mês anterior com o objetivo declarado de atuar na resolução de conflitos internacionais e supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza. A iniciativa, que já conta com a adesão de mais de 20 países, ocorre em meio a críticas sobre sua legitimidade, ausência de representantes palestinos e possível sobreposição de funções com a Organização das Nações Unidas (ONU).
O encontro ocorre no US Institute of Peace, rebatizado em dezembro como “Donald J. Trump Institute of Peace”, após o governo republicano assumir o controle da instituição e substituir grande parte de sua direção no início de 2025. Ainda não está claro quantos membros participarão presencialmente da reunião.
A proposta do conselho foi apresentada inicialmente em setembro de 2025, como parte de um plano de 20 pontos de Trump para encerrar o conflito entre Israel e Hamas. Posteriormente, uma resolução do Conselho de Segurança da ONU endossou a criação de um mecanismo temporário para Gaza — embora a carta constitutiva do novo órgão não mencione explicitamente o território palestino.
Estrutura e composição do Conselho da Paz
O Conselho da Paz foi formalmente lançado em 22 de janeiro de 2026, à margem do Fórum Econômico Mundial, em Davos. Na estrutura atual, Trump atua como presidente vitalício, com ampla autoridade decisória.
Além do órgão principal, foram criados dois conselhos executivos subordinados:
- Founding Executive Board, voltado a investimentos e diplomacia;
- Gaza Executive Board, responsável pela supervisão operacional da reconstrução e da governança temporária do território.
Entre os integrantes do conselho fundador estão:
- Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA;
- Steve Witkoff, enviado especial para o Oriente Médio;
- Jared Kushner, assessor da Casa Branca;
- Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido.
A presença de Blair é considerada controversa por sua atuação na Guerra do Iraque, em 2003, quando o Reino Unido apoiou a invasão sob alegações de armas de destruição em massa que não foram confirmadas.
Não há representantes palestinos em nenhum dos conselhos executivos.
Países participantes e posições divergentes
Dos 60 países convidados pela Casa Branca, mais de 20 confirmaram adesão, entre eles Israel, Catar, Arábia Saudita, Turquia, Egito e Indonésia. Nenhum dos principais aliados europeus dos EUA — como Reino Unido e França — formalizou participação.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, condicionou eventual adesão à inclusão de representantes palestinos na direção do órgão. Em entrevista concedida em 05/02, Lula afirmou que a ausência de palestinos comprometeria o caráter de comissão de paz. O governo brasileiro ainda não formalizou posição oficial.
Segundo documento interno citado pela agência Reuters, a comissária europeia Dubravka Suica participará como observadora. A missão policial da União Europeia poderá contribuir com treinamento e capacitação da polícia civil palestina no âmbito da futura Força Internacional de Estabilização.
Financiamento e compromissos militares
Trump afirmou que os membros permanentes deverão pagar uma taxa de adesão de US$ 1 bilhão, destinada à reconstrução de Gaza. Segundo o presidente, países participantes já prometeram cerca de US$ 5 bilhões e o envio de contingentes militares para uma força internacional de estabilização.
A Indonésia anunciou que cerca de 8 mil soldados estarão prontos até junho para eventual destacamento humanitário e de paz — o primeiro compromisso público de tropas.
A reconstrução de Gaza pode ultrapassar US$ 70 bilhões, de acordo com avaliação conjunta da ONU, União Europeia e Banco Mundial. Estima-se que 80% dos edifícios do território tenham sido destruídos ou danificados, gerando aproximadamente 61 milhões de toneladas de escombros.
Reconstrução e impasses políticos
Durante a cerimônia de lançamento em Davos, Jared Kushner apresentou um plano diretor que prevê arranha-céus, novas cidades e zona turística costeira. Segundo ele, o projeto poderia ser executado em dois a três anos, com investimento mínimo estimado em US$ 25 bilhões, além de assistência humanitária imediata.
Trump reiterou que o desarmamento do Hamas é condição central para a implementação do plano. O Hamas, por sua vez, declarou que só aceitará desmilitarização no contexto de um acordo mais amplo que inclua a criação de um Estado palestino. Israel condiciona a retirada de suas tropas ao desarmamento do grupo.
Críticas e controvérsias internacionais
A iniciativa tem sido alvo de críticas quanto à legitimidade e à governança. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, declarou que o conselho carece de mecanismos de responsabilização e não reflete integralmente a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU.
O político palestino Mustafa Barghouti afirmou que a ausência de representantes palestinos compromete a representatividade do órgão. O governo de Israel declarou que a composição dos conselhos executivos não foi coordenada previamente com o país.
O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que a estrutura contraria sua política oficial. O líder da oposição, Yair Lapid, classificou a iniciativa como fracasso diplomático. Já o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, defendeu postura mais dura em relação à Faixa de Gaza.
Brasil e quase 100 países condenam expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia
O Brasil e cerca de 100 países divulgaram, na quarta-feira (18/02/2026), um comunicado conjunto condenando a decisão de Israel de reabrir o registro de terras na Cisjordânia ocupada. A medida, aprovada no domingo (15) pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, permitirá que colonos israelenses adquiram propriedades definitivas na região. Para os palestinos, a iniciativa representa uma “anexação de fato” do território.
No documento, os países afirmam que a decisão unilateral de Israel viola o direito internacional e compromete os esforços de paz no Oriente Médio. A nota ressalta que mudanças na composição demográfica e no status do Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental, contrariam resoluções da ONU e colocam em risco a solução de dois Estados, considerada a base para um acordo duradouro.
O governo israelense defende a medida como ação de segurança e resposta a registros considerados ilegais pela Autoridade Palestina. Já a liderança palestina classificou a decisão como plano de anexação, destinado a consolidar a ocupação por meio da expansão de assentamentos na Cisjordânia, território reivindicado para a criação de um futuro Estado palestino.
Quem são os membros do Conselho da Paz e dos conselhos executivos associados
Conselho da Paz — Membros (Estrutura Principal)
O Conselho da Paz presidido por Donald Trump foi anunciado como um órgão internacional para mediação de conflitos e reconstrução de Gaza, mas não há lista pública oficial única de todos os membros nos documentos divulgados. A seguir estão os nomes citados em comunicados oficiais e reportagens, incluindo integrantes dos conselhos executivos ligados à iniciativa:
1. Donald Trump
Cargo: Presidente vitalício do Conselho da Paz
Perfil: Político e empresário; Presidente dos Estados Unidos
País de origem: Estados Unidos
Founding Executive Board (Conselho Executivo Fundador)
Grupo com foco em diplomacia e investimentos, ligado ao processo de reconstrução e governança.
- Marco Rubio
- Perfil: Político; Secretário de Estado dos EUA
- País: Estados Unidos
- Steve Witkoff
- Perfil: Enviado Especial dos EUA para o Oriente Médio; empresário do setor imobiliário
- País: Estados Unidos
- Jared Kushner
- Perfil: Assessor da Casa Branca; empresário
- País: Estados Unidos
- Tony Blair
- Perfil: Ex-primeiro-ministro do Reino Unido (1997–2007)
- País: Reino Unido
Gaza Executive Board (Conselho Executivo de Gaza)
Responsável por supervisionar o trabalho de administração temporária e reconstrução em Gaza.
- Steve Witkoff
- Perfil: Enviado Especial dos EUA
- País: Estados Unidos
- Jared Kushner
- Perfil: Assessor da Casa Branca
- País: Estados Unidos
- Tony Blair
- Perfil: Ex-primeiro-ministro do Reino Unido
- País: Reino Unido
- Hassan Rashad
- Perfil: Chefe da Inteligência do Egito
- País: Egito
- Marc Rowan
- Perfil: CEO da Apollo Global Management (empresa de capital privado)
- País: Estados Unidos
- Hakan Fidan
- Perfil: Ministro das Relações Exteriores da Turquia
- País: Turquia
- Reem Al-Hashimy
- Perfil: Ministra de Estado dos Emirados Árabes Unidos para Cooperação Internacional
- País: Emirados Árabes Unidos
- Nickolay Mladenov
- Perfil: Político e ex-Enviado da ONU para o Oriente Médio
- País: Bulgária
- Sigrid Kaag
- Perfil: Coordenadora Especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio
- País: Países Baixos
- Ali Al-Thawadi
- Perfil: Ministro de Assuntos Estratégicos do Catar
- País: Catar
- Yakir Gabay
- Perfil: Bilionário do setor imobiliário (residente no Chipre)
- País de origem: Israel
Participações e Observadores Confirmados
Alguns países confirmaram participação ou envio de delegações à reunião inaugural do Conselho da Paz.
- Israel — Estado participante
- Arábia Saudita — Estado participante
- Catar — Estado participante
- Turquia — Estado participante
- Egito — Estado participante
- Indonésia — Estado participante (anunciou compromisso com até 8 mil militares para missão)
- Brasil — Condicional, com exigência de representação palestina
- União Europeia (observadora) — Representada por Dubravka Suica em caráter não-votante
Aspectos relevantes
Ausência de representantes palestinos nos conselhos executivo principal e de Gaza — um dos principais pontos de crítica internacional.
A composição dos membros inclui políticos, diplomatas, empresários e representantes governamentais, com forte predominância de nacionalidade estadunidense e europeia.
Alguns membros exercem cargos governamentais ativos; outros são ex-funcionários públicos ou líderes empresariais ligados à iniciativa.







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