Na quarta-feira (25/02/2026), a CPI do Crime Organizado do Senado Federal aprovou um conjunto de convocações, convites e quebras de sigilo com o objetivo de aprofundar as investigações sobre a infiltração de organizações criminosas no sistema financeiro e em estruturas do Estado brasileiro. As medidas incluem a convocação de empresários e ex-autoridades do governo federal, além de convites a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e pedidos de acesso a informações financeiras e societárias.
A decisão foi tomada durante reunião conduzida pelo presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES), e pelo relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Ao todo, os parlamentares aprovaram 63 requerimentos, envolvendo convocações, convites e solicitações de dados a órgãos de controle e instituições financeiras.
Segundo os senadores, o objetivo central das medidas é permitir o cruzamento de dados financeiros, societários e logísticos, ampliando o alcance da investigação sobre possíveis conexões entre operações financeiras e atividades do crime organizado.
Convocações e convites a ministros do STF
Entre os requerimentos aprovados está o convite aos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli para prestar esclarecimentos à comissão.
Além disso, os parlamentares aprovaram a convocação de José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro Dias Toffoli. Os requerimentos foram apresentados pelo relator da CPI, senador Alessandro Vieira, e também receberam apoio do senador Eduardo Girão (Novo-CE).
Outro ponto aprovado foi a quebra de sigilo da empresa Maridt Participações, ligada à família Toffoli, abrangendo o período entre janeiro de 2022 e fevereiro de 2026. A medida busca permitir a análise de eventuais movimentações financeiras e vínculos societários que possam ter relevância para a investigação.
Investigação sobre o Banco Master e operações financeiras
A CPI também aprovou medidas relacionadas ao Banco Master, incluindo a convocação do empresário Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira.
Os senadores autorizaram a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do banco, além da solicitação de relatório de inteligência financeira ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Medidas semelhantes foram aprovadas em relação à empresa CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., anteriormente conhecida como Reag Investimentos, que possui vínculos com o Banco Master.
O objetivo das decisões é identificar eventuais operações atípicas, rastrear fluxos financeiros e verificar possíveis conexões com organizações criminosas.
Convocação de ex-ministros e autoridades econômicas
A comissão também aprovou a convocação de autoridades que integraram o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre elas:
- Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central
- Paulo Guedes, ex-ministro da Economia
- João Roma, ex-ministro da Cidadania
- Ronaldo Vieira Bento, ex-ministro da Cidadania
Além das convocações, foram aprovados convites a outras autoridades e personalidades, incluindo:
- Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda
- Rui Costa, ministro-chefe da Casa Civil
- Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central
- Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes
Ao justificar as medidas, o relator da CPI destacou que a convocação de testemunhas não significa necessariamente que os citados sejam investigados.
“Não necessariamente são pessoas investigadas. Nós convocamos testemunhas também. São personagens fundamentais, porque o crime organizado só prospera com infiltração no mercado financeiro”, afirmou Alessandro Vieira.
Requerimentos rejeitados pela comissão
Durante a sessão, alguns requerimentos foram submetidos a votação nominal após pedido de destaque do senador Marcos Rogério (PL-RO).
Foram rejeitadas as convocações de:
- Letícia Caetano dos Reis, apontada como ex-funcionária do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e irmã de um dos sócios de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”
- José Carlos Oliveira, ex-ministro do Trabalho e Previdência Social do governo Bolsonaro, que adotou o nome Ahmed Mohamad Oliveira após conversão ao islamismo
Governadores deixam de ser convocados
A CPI também decidiu retirar da pauta os requerimentos de convocação de três governadores, por considerar que os pedidos perderam objeto após a aprovação de convites para comparecimento voluntário.
Foram afetados os seguintes chefes de Executivo estadual:
- Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo
- Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro
- Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal
O convite à advogada Viviane Barci de Moraes também já havia sido aprovado anteriormente.
Depoimento de “TH Joias” depende de autorização do STF
A comissão não realizou a oitiva do ex-deputado estadual fluminense Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como “TH Joias”.
Ele está preso desde setembro de 2025, sob acusação de ligação com a facção criminosa Comando Vermelho.
De acordo com a CPI, o depoimento depende de autorização judicial do ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo processo.
O presidente da comissão, senador Fabiano Contarato, informou que a CPI solicitará novamente ao Supremo Tribunal Federal autorização para o comparecimento do investigado, por meio da Advocacia do Senado.








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