A CPI do Crime Organizado do Senado Federal aprovou na quarta-feira (25/02/2026) a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa Maridt Participações S.A., da qual o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli é sócio. A decisão foi tomada no âmbito das investigações sobre possíveis conexões entre agentes públicos e o Banco Master, instituição financeira investigada por suspeitas de irregularidades e lavagem de dinheiro. O colegiado também aprovou a convocação de familiares do magistrado, além de convites para autoridades do Judiciário, do governo federal e ex-integrantes da equipe econômica de diferentes gestões.
Investigação avança sobre empresa ligada ao ministro do STF
A decisão da CPI atende a requerimento apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O pedido determina que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) envie à comissão o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) da empresa Maridt Participações, além de documentos referentes às movimentações financeiras da companhia.
A quebra de sigilo compreende o período de janeiro de 2022 a 8 de fevereiro de 2026. Entre os dados requisitados estão:
- registros de contas bancárias, aplicações financeiras e investimentos
- declarações fiscais e informações tributárias
- registros de ligações telefônicas realizadas e recebidas pela empresa
- informações sobre bens, direitos e valores mantidos em instituições financeiras
Segundo o senador Alessandro Vieira, a medida busca esclarecer eventuais conexões financeiras e societárias relacionadas ao negócio envolvendo o resort Tayayá, empreendimento turístico localizado no estado do Paraná.
Relação com venda de resort no Paraná
O foco da investigação envolve pagamentos realizados à Maridt Participações em decorrência da venda do resort Tayayá a um fundo de investimentos que posteriormente foi vinculado ao Banco Master.
De acordo com as informações analisadas pela CPI, o empreendimento turístico foi adquirido por um fundo denominado Arleen, que integrou uma rede de fundos ligada ao banco investigado. Esse fundo, por sua vez, teria como estrutura societária outro fundo chamado Leal, apontado como pertencente a Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, associado ao Banco Master.
Durante cerca de quatro anos, entre 2021 e 2025, a empresa dos irmãos de Toffoli manteve participação societária no resort juntamente com esse fundo de investimentos.
O ministro Dias Toffoli declarou anteriormente que o negócio foi regular e lucrativo para os compradores. Ele também afirmou não ter conhecimento de que o fundo envolvido estivesse ligado a pessoas associadas a Vorcaro.
Convocação de familiares e autoridades
Além da quebra de sigilo da empresa, a CPI aprovou a convocação de dois irmãos do ministro do STF, que também são sócios da Maridt Participações:
- José Carlos Dias Toffoli, conhecido como Padre Carlão
- José Eugênio Dias Toffoli, engenheiro
O colegiado decidiu ainda convidar o próprio ministro Dias Toffoli para prestar esclarecimentos à comissão.
Também foi aprovado convite ao ministro do STF Alexandre de Moraes e à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado. O motivo é a revelação de que o escritório de advocacia do qual ela é sócia firmou contrato com o Banco Master.
De acordo com informações divulgadas na imprensa, o contrato teria valor mensal de R$ 3,6 milhões, podendo atingir cerca de R$ 129 milhões ao longo de três anos.
O acordo envolveria atividades de consultoria jurídica, representação institucional e coordenação estratégica em processos administrativos e judiciais relacionados à instituição financeira.
Depoimentos previstos de autoridades e ex-integrantes do governo
A CPI também aprovou convocações e convites a autoridades que ocuparam cargos relevantes na condução da política econômica e financeira do país.
Entre os nomes convocados ou convidados estão:
Ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro
- Paulo Guedes, ex-ministro da Economia
- Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central
- João Roma, ex-ministro da Cidadania
Integrantes ou ex-integrantes de governos do PT
- Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central
- Rui Costa, ministro da Casa Civil
- Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda e do Planejamento
O empresário Daniel Vorcaro, associado ao Banco Master, também deverá prestar depoimento à comissão, assim como seu ex-sócio Augusto Lima.
Pressão levou Toffoli a deixar relatoria de caso
O avanço das investigações ocorre após o ministro Dias Toffoli ter deixado a relatoria de um processo relacionado ao Banco Master no Supremo Tribunal Federal.
A decisão foi tomada após pressão institucional e questionamentos levantados durante as investigações da Polícia Federal. Relatório entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, incluiu mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro que mencionariam o magistrado em conversas relacionadas ao negócio envolvendo o resort.
A consulta da Polícia Federal ao Supremo buscava avaliar eventual suspeição do ministro para conduzir processos ligados ao banco.
Argumentos apresentados pela CPI
Na justificativa do requerimento aprovado, o senador Alessandro Vieira afirmou que a medida é necessária para aprofundar a investigação sobre possíveis redes de influência envolvendo agentes públicos e instituições financeiras.
Segundo ele, a comissão pretende examinar eventuais fluxos financeiros, relações societárias e estruturas empresariais que possam ter sido utilizadas para movimentações de recursos.
O parlamentar também declarou que a investigação não implica condenação prévia, mas busca esclarecer fatos que envolvem transações financeiras relevantes e eventuais vínculos institucionais.
Já o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que a comissão inicia uma fase considerada decisiva das investigações.
De acordo com o parlamentar, o objetivo é compreender os mecanismos financeiros e institucionais que permitiram a expansão de operações suspeitas associadas ao Banco Master.
*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agência Brasil.








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