A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal se reúne na quarta-feira (25/02/2026) após o carnaval para deliberar sobre uma série de requerimentos ligados ao Banco Master, incluindo convocações de executivos da instituição e de familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antonio Dias Toffoli. Antes da votação, os parlamentares devem ouvir o ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, investigado por supostos vínculos com organizações criminosas.
A reunião deliberativa ocorre sob a presidência do senador Fabiano Contarato e relatoria do senador Alessandro Vieira, com uma pauta que inclui convocações, pedidos de quebra de sigilo e requisições de dados financeiros e patrimoniais relacionados à instituição bancária e seus dirigentes.
Convocações e pedidos de informações sobre o Banco Master
Entre os requerimentos em análise, os senadores devem votar a convocação de executivos e sócios do Banco Master, com o objetivo de aprofundar investigações sobre possíveis relações da instituição com estruturas de lavagem de dinheiro.
Estão na lista de convocações:
- Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do banco
- Alberto Félix de Oliveira Neto, superintendente de Tesouraria
- Daniel Vorcaro, controlador da instituição
- Luiz Antônio Bull, ex-diretor de áreas estratégicas
- Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio
Os pedidos foram apresentados pelos senadores Eduardo Girão e Marcos do Val, que citam desdobramentos da Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, para justificar as convocações.
Segundo os parlamentares, investigações apontaram que estruturas financeiras ligadas a Vorcaro e seus sócios teriam sido usadas para lavagem de dinheiro de organizações criminosas, com uso de empresas de fachada, contratos simulados e triangulações financeiras. Entre os pontos citados está a participação de 20,2% do controlador do banco na SAF do Clube Atlético Mineiro, adquirida por meio do FIP Galo Forte, com investimento estimado em cerca de R$ 300 milhões entre 2023 e 2024.
Convocação de familiares de ministro do STF
Outro eixo da investigação envolve a análise de operações societárias relacionadas ao Tayayá Resort, no Paraná. A CPI pode votar requerimentos para convocar:
- José Eugênio Dias Toffoli
- José Carlos Dias Toffoli
- Mario Umberto Degani, primo do ministro
Os irmãos de Dias Toffoli são apontados como sócios do ministro em empresa que vendeu participação no resort a fundos ligados ao Banco Master. Degani é fundador do empreendimento, criado em 1999.
A intenção dos senadores é aprofundar a investigação sobre as transações envolvendo o resort e possíveis conexões com os controladores da instituição financeira.
Convites a autoridades e ex-ministros
A pauta também inclui convites para que compareçam à CPI:
- Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central
- Rui Costa, ministro-chefe da Casa Civil
- Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda e integrante do conselho consultivo do Banco Master
Os senadores pretendem ouvir as autoridades para esclarecer aspectos regulatórios, econômicos e políticos relacionados às operações do banco.
Quebra de sigilos e requisições a órgãos públicos
Além das convocações, a CPI deve votar requerimentos para ampliar o acesso a dados financeiros e patrimoniais.
Entre as medidas previstas:
- Solicitação ao Coaf de Relatório de Inteligência Financeira (RIF)
- Transferência de sigilos do Banco Master, no período de janeiro de 2022 a janeiro de 2026
- Requisição ao Senado de registros de entrada e saída de Augusto Ferreira Lima
- Pedido à Anac de informações sobre ativos aeronáuticos ligados a Daniel Vorcaro, à empresa Viking Participações e ao Banco Master
As medidas buscam mapear movimentações financeiras, patrimoniais e eventuais conexões com o sistema político.
Oitiva do ex-deputado TH Joias
Antes da deliberação dos requerimentos, a CPI deve ouvir Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, convocado a pedido do relator Alessandro Vieira.
O ex-deputado estadual foi indiciado pela Polícia Federal por crimes ligados a facções criminosas e preso em setembro de 2025. Segundo as investigações, ele teria intermediado negociações de armas para o Comando Vermelho e participado de ações de favorecimento à organização.
A CPI busca apurar o suposto uso do comércio de joias como instrumento de lavagem de dinheiro, com movimentações milionárias em favor de facções.
Investigação financeira e tensão institucional
A pauta da CPI revela uma convergência de temas sensíveis: investigações sobre lavagem de dinheiro, sistema financeiro, relações empresariais e conexões com o poder público. O foco no Banco Master e em seus dirigentes indica que a comissão pretende avançar sobre estruturas financeiras que, segundo parlamentares, poderiam ter sido utilizadas por organizações criminosas.
A inclusão de familiares de um ministro do STF na lista de convocações amplia a dimensão institucional do caso. Ainda que a CPI não tenha deliberado sobre convite direto ao ministro, a presença de parentes em operações sob análise cria um ambiente de tensão entre Poder Legislativo e Judiciário, especialmente em um cenário de disputas políticas e narrativas concorrentes sobre o funcionamento das instituições.
O desfecho das convocações, dos pedidos de sigilo e das oitivas poderá definir o alcance real da comissão. Dependendo das provas obtidas, a CPI pode se limitar a um diagnóstico do sistema financeiro ou evoluir para recomendações legislativas e encaminhamentos ao Ministério Público, com impactos políticos e institucionais mais amplos.








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