CPMI do INSS: relator afirma que família Camisotti movimentou valores cinco vezes superiores aos do “Careca do INSS”

Nesta quinta-feira (26/02/2026), durante sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes relacionadas a descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), parlamentares afirmaram que a família Camisotti teria movimentado valores significativamente superiores aos atribuídos a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado anteriormente como principal operador financeiro do esquema. Segundo o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), empresas ligadas ao grupo familiar teriam recebido cerca de R$ 350 milhões, provenientes de entidades investigadas, valor que, segundo ele, seria até cinco vezes maior do que os recursos associados ao operador financeiro já investigado.

Depoimento de Paulo Camisotti e silêncio durante a oitiva

O empresário Paulo Camisotti, filho de Maurício Camisotti, compareceu à CPMI na condição de testemunha, conforme informou o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Amparado por habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o depoente optou por permanecer em silêncio diante da maior parte das perguntas formuladas por deputados e senadores.

Durante a oitiva, diversos parlamentares questionaram o empresário sobre ligações empresariais, relações societárias e eventuais vínculos com entidades investigadas por realizar descontos sobre benefícios previdenciários. Em repetidas ocasiões, Paulo Camisotti respondeu apenas que permaneceria em silêncio, direito assegurado pela decisão judicial.

A postura adotada pelo depoente gerou críticas entre integrantes da comissão e levou alguns parlamentares a defenderem a alteração de sua condição processual, de testemunha para investigado.

Relator aponta repasses milionários a empresas ligadas à família

De acordo com o relator Alfredo Gaspar, três entidades investigadas pela CPMI teriam repassado mais de R$ 800 milhões no total. Desse montante, cerca de R$ 350 milhões teriam sido destinados diretamente a empresas vinculadas à família Camisotti.

O parlamentar argumentou que a atenção concentrada anteriormente no chamado “Careca do INSS” teria desviado o foco de outros operadores que teriam participação financeira mais expressiva no esquema investigado.

Segundo Gaspar, o nome da família Camisotti deveria receber maior atenção no âmbito da investigação.

“Essa família, com mais de R$ 350 milhões dessas três entidades, é três, quatro, cinco vezes mais forte do que o Careca do INSS”, declarou o relator durante a sessão.

O deputado também defendeu que a comissão analise a possibilidade de que Paulo Camisotti passe a figurar formalmente como investigado, diante dos elementos apresentados durante os trabalhos da CPMI.

Estrutura empresarial sob investigação

Durante os questionamentos, parlamentares destacaram que Paulo Camisotti aparece como presidente ou representante de mais de 20 empresas, algumas delas citadas em investigações relacionadas ao fluxo financeiro de entidades associativas que realizavam descontos em benefícios previdenciários.

Entre as empresas mencionadas na sessão estão:

  • Benfix
  • Brasil Dental Serviços Compartilhados
  • Rede Mais Saúde

Essas empresas teriam recebido recursos provenientes de associações que, segundo apurações preliminares, operavam descontos diretamente nas folhas de pagamento de aposentados e pensionistas do INSS.

O relator argumentou que a estrutura empresarial associada ao depoente movimenta valores elevados, mas que não teriam sido apresentados esclarecimentos detalhados sobre a natureza das atividades ou sobre a origem dos recursos.

Questionamentos sobre o pai e tensão na sessão

Durante a sessão, o senador Izalci Lucas (PL-DF) afirmou que Maurício Camisotti teria estruturado um complexo sistema empresarial que, segundo ele, teria sido utilizado para operar fraudes contra aposentados.

O parlamentar questionou o depoente sobre sua relação com o pai, que está preso. Inicialmente, Paulo Camisotti permaneceu em silêncio, mas posteriormente confirmou ter visitado Maurício Camisotti na prisão.

A resposta ocorreu após discussão entre parlamentares sobre os limites do habeas corpus concedido pelo STF, que garante ao depoente o direito de não responder perguntas que possam gerar autoincriminação.

Parlamentares sugerem colaboração com as investigações

Durante o debate, os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF) sugeriram que Maurício e Paulo Camisotti considerem colaborar com as investigações por meio de acordos de delação premiada.

Segundo Damares, há investigados presos no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, que já estariam negociando colaboração com as autoridades responsáveis pelas investigações.

A senadora afirmou que a colaboração poderia antecipar a apresentação de informações relevantes para o avanço das apurações conduzidas pela CPMI.


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