FNE impulsiona emprego no Nordeste e reduz inadimplência quase pela metade, aponta estudo da Sudene

Um estudo conduzido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) indica que empresas beneficiadas pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) apresentaram crescimento médio de 5,6% no número de empregados, quando comparadas a empresas semelhantes que não tiveram acesso ao crédito. A pesquisa também aponta queda significativa da inadimplência da carteira do Fundo, que passou de 3,3% em 2013 para um patamar entre 1,7% e 1,9% em 2020 e 2021, evidenciando melhora na qualidade das operações e maior sustentabilidade financeira do instrumento de financiamento regional.

O levantamento integra a agenda de avaliação dos instrumentos financeiros da Sudene e será divulgado integralmente em março. A análise foi realizada em parceria com o Núcleo de Estudos em Economia Aplicada ao Semiárido (Neasa), vinculado à Unidade Acadêmica de Serra Talhada da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). O estudo examinou dados referentes ao período de 2000 a 2021, permitindo observar o comportamento das operações ao longo de diferentes ciclos econômicos e comparar os efeitos do crédito entre o Semiárido e os demais territórios da área de atuação da Sudene.

Impacto do crédito no emprego e no desempenho empresarial

O primeiro eixo da pesquisa avaliou a aplicação dos recursos do FNE nos setores de Comércio e Serviços, analisando a eficiência do financiamento e seus reflexos sobre o desempenho das empresas beneficiadas.

Os resultados apontam que o crédito desempenhou papel relevante no fortalecimento das atividades produtivas, favorecendo a ampliação da capacidade operacional das empresas e contribuindo diretamente para a geração de empregos formais.

De acordo com os pesquisadores, o crescimento médio de 5,6% no quadro de funcionários entre empresas financiadas indica que o acesso ao crédito pode funcionar como um mecanismo de estímulo à expansão empresarial e ao dinamismo econômico regional, especialmente em áreas historicamente marcadas por restrições de financiamento.

Queda da inadimplência e sustentabilidade da carteira

O segundo eixo do estudo concentrou-se na avaliação das políticas de renegociação de crédito e seus efeitos sobre o nível de inadimplência do Fundo.

Os dados mostram que as medidas adotadas ao longo dos últimos anos contribuíram para a redução do indicador global de inadimplência da carteira do FNE. O índice, que era de 3,3% em 2013, caiu gradualmente até atingir patamares entre 1,7% e 1,9% em 2020 e 2021, refletindo melhora na gestão do crédito e maior equilíbrio financeiro do Fundo.

Para a especialista da Coordenação de Avaliação e Estudos da Sudene, Gabriela Nascimento, os resultados reforçam a relevância estratégica do instrumento. Segundo ela, as avaliações permitem compreender melhor os fatores associados à inadimplência e ao risco moral, possibilitando que as renegociações sejam conduzidas com critérios técnicos e preservando a sustentabilidade da política pública.

Base científica para políticas de desenvolvimento regional

O economista Kleyton Siqueira, coordenador da pesquisa pela UFRPE, destacou que o estudo fornece elementos técnicos importantes para o aperfeiçoamento das políticas de financiamento voltadas ao Nordeste.

Segundo o pesquisador, a análise permite avaliar com maior precisão o impacto das políticas de crédito sobre o desenvolvimento regional e oferece subsídios para aprimorar a alocação de recursos públicos voltados ao setor produtivo.

A avaliação do FNE integra uma agenda mais ampla da Sudene voltada ao monitoramento sistemático de seus instrumentos financeiros, que também inclui o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e os programas de incentivos fiscais regionais, utilizados para estimular investimentos produtivos e reduzir desigualdades econômicas no Nordeste.

FNE é principal instrumento de financiamento produtivo da Sudene

Criado com base na Lei Complementar nº 125/2007, o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste é atualmente o principal mecanismo de crédito da Sudene voltado ao estímulo da atividade produtiva na região.

Para o exercício de 2026, o Fundo contará com um orçamento previsto de R$ 52,6 bilhões, destinados ao financiamento de projetos produtivos em diferentes setores da economia.

Desse total, 62% dos recursos — cerca de R$ 32,6 bilhões — serão direcionados a pequenos produtores rurais, microempreendedores e empresas de pequeno porte, segmento considerado prioritário nas políticas de desenvolvimento regional.

A estratégia busca ampliar o acesso ao crédito produtivo, estimular investimentos e fortalecer a estrutura econômica de áreas historicamente marcadas por menor dinamismo econômico.


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