O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, acompanha nesta quarta-feira (18/02/2026) o presidente Lula em missão oficial à Índia e à Coreia do Sul com o objetivo de firmar acordos internacionais para viabilizar a produção de medicamentos de alto custo na Bahiafarma, laboratório público estadual sediado em Simões Filho. A iniciativa busca consolidar o estado como polo nacional de biofármacos oncológicos e para doenças raras, reduzindo a dependência de importações e ampliando a capacidade produtiva do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o governador, a agenda internacional insere a Bahia em um movimento estratégico de fortalecimento da soberania farmacêutica. “A Bahia está assumindo um papel estratégico na soberania farmacêutica do Brasil. Não podemos depender exclusivamente de importações para garantir vida e dignidade às pessoas”, declarou.
Ao lado da secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, e da diretora-presidente da Bahiafarma, Ceuci Nunes, Jerônimo apresenta a parceiros estrangeiros um projeto estruturante que visa modernizar o parque industrial da fundação e internalizar gradualmente a produção de biofármacos estratégicos.
Parceria internacional e fortalecimento da Bahiafarma
O plano ganhou impulso em 2024, quando a Bahiafarma selecionou a empresa nacional Bionovis para integrar uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP). A partir dessa base, a missão internacional formaliza entendimentos com três gigantes do setor biofarmacêutico:
- Samsung Bioepis
- Dr. Reddy’s Laboratories
- Biocon Biologics
Os acordos envolvem quatro biofármacos estratégicos: eculizumabe, pertuzumabe, nivolumabe e bevacizumabe, utilizados principalmente no tratamento de câncer e doenças raras. Juntos, esses medicamentos representam mais de R$ 1,7 bilhão por ano em aquisições do SUS, atualmente concentradas no mercado internacional.
A internalização da produção, de forma gradual e supervisionada, permitirá transferência de tecnologia, capacitação técnica e fortalecimento da cadeia produtiva nacional, reduzindo vulnerabilidades históricas associadas à dependência externa.
Impacto econômico e tecnológico
Com a modernização do parque fabril da Bahiafarma, localizado em Simões Filho, o governo estadual projeta economia estimada entre 20% e 25% nas compras do Ministério da Saúde relacionadas aos medicamentos contemplados na PDP.
Além do impacto fiscal, a iniciativa tende a impulsionar:
- Geração de empregos qualificados na área de biotecnologia
- Formação de mão de obra especializada
- Ampliação da capacidade de pesquisa aplicada
- Consolidação da Bahia como referência nacional em inovação farmacêutica
A estratégia dialoga com uma política industrial voltada à reindustrialização e à valorização de cadeias produtivas estratégicas, especialmente no setor de saúde pública, considerado sensível em cenários de crises sanitárias globais.
Biofármacos estratégicos e soberania sanitária
A produção local de medicamentos de alto custo integra um movimento mais amplo de fortalecimento da soberania sanitária brasileira. O histórico recente demonstrou os riscos de interrupções no fornecimento internacional, especialmente em produtos biológicos complexos.
Os quatro biofármacos contemplados na iniciativa são amplamente utilizados no tratamento de câncer e doenças raras, segmentos que concentram elevado custo orçamentário e impacto social direto. A produção nacional tende a reduzir oscilações cambiais no preço final, garantir previsibilidade logística e ampliar a segurança terapêutica para pacientes do SUS.










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