O governador Jerônimo Rodrigues afirmou nesta sexta-feira (06/02/2026), em Salvador, que o governo federal retomou a cooperação com a Bahia após um período de “seis anos” sem apoio efetivo a estados e municípios e declarou que as entregas do Novo PAC Saúde não são condicionadas a alinhamento político. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jerônimo disse que o Planalto não “troca ambulâncias por voto”, ao destacar a entrega de 107 ambulâncias do Samu 192, 32 unidades odontológicas móveis, equipamentos cirúrgicos e 575 kits de telessaúde para a rede pública.
A fala de Jerônimo: foco no “Brasil é um só” e recado aos municípios
Em seu discurso, Jerônimo adotou um tom de acolhimento político e simbólico, comparando a visita presidencial à recepção típica do interior baiano. Na sequência, organizou a fala em três eixos: investimentos em infraestrutura e mobilidade, entregas na saúde e relação federativa com municípios, com crítica explícita ao período pós-2016.
“Não se governa assim”: crítica ao período Temer–Bolsonaro
O governador afirmou que, após a saída de Dilma Rousseff, a Bahia teria enfrentado seis anos sem o governo federal “estender a mão”, mencionando a ausência de repasses e de diálogo político-institucional com o Estado. Jerônimo resumiu a crítica com a frase: “Não se governa assim”, ao sustentar que a gestão pública exige articulação permanente com prefeitos, parlamentares e governadores.
Entregas sem filtro político: “não é boicote, é cadastro”
Ao abordar a distribuição de ambulâncias e equipamentos, Jerônimo declarou que a abrangência das entregas — citando 405 municípios contemplados no conjunto do pacote do dia — não teria sido definida por “boicote” e sim por adesão administrativa (cadastros e solicitações). Como exemplo, citou Salvador recebendo 17 ambulâncias e Vitória da Conquista com 11.
O governador reforçou que há prefeitos presentes que não estiveram com Lula em 2022, mas ainda assim seriam atendidos, sob a justificativa de que política pública deve ser universal e não instrumento de punição ou troca.
Jerônimo associa saúde a obras estruturantes e agenda econômica na Bahia
Além das entregas na saúde, o governador conectou a presença de Lula a uma agenda mais ampla de investimentos e retomadas na Bahia.
Indústria naval, Fiol e energia: vitrine de investimentos
Jerônimo mencionou a ida a Maragogipe, no Recôncavo, onde Lula teria dado ordem para a retomada da indústria naval, e relatou reunião em Brasília sobre a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol). Também citou visitas a Camaçari relacionadas a investimentos em energia eólica e solar, com participação de empresas estrangeiras, indicando estratégia de atração de capital e expansão da infraestrutura.
VLT do Subúrbio e macrodrenagem: “não é só um trem”
Um dos pontos centrais do discurso foi o VLT em Salvador. Jerônimo afirmou que a obra vai além da mobilidade, incorporando macrodrenagem numa área historicamente afetada por alagamentos e por estar abaixo do nível do mar em trechos da Cidade Baixa. Segundo ele, a intervenção incluiria também ações habitacionais vinculadas ao Minha Casa, Minha Vida, enquadrando o projeto como requalificação urbana e social.
Contexto do evento e principais entregas do Novo PAC Saúde
A cerimônia marcou o anúncio de novas ações do Novo PAC Saúde, com foco no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as medidas apresentadas, o governo federal informou a ampliação do acesso a exames, cirurgias e transporte sanitário de pacientes. Também foi citada a assinatura de medida provisória para autorizar o uso de recursos do FGTS por entidades hospitalares filantrópicas e instituições sem fins lucrativos que atuam de forma complementar ao SUS.
A agenda reuniu, além de Lula e Jerônimo, o ministro da Saúde Alexandre Padilha, o ministro da Casa Civil Rui Costa, o ministro Eliseu Padilha, e os senadores Jaques Wagner e Otto Alencar, além de prefeitos, parlamentares e gestores municipais.
A assinatura das novas policlínicas e os valores anunciados
Durante o evento, foi registrada a autorização para licitação de policlínicas em Seabra, Botirama e Ipirá. O valor apresentado para cada unidade foi de R$ 30 milhões, sendo R$ 17 milhões para obras e R$ 13 milhões para equipamentos, com foco em atendimento especializado e suporte diagnóstico.










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