O Governo da Bahia intensificou na quarta-feira (04/02/2026), nas últimas semanas, um conjunto de ações, investimentos e articulações institucionais voltadas ao fortalecimento da cacauicultura, uma das atividades agrícolas mais tradicionais e estratégicas da economia estadual. Como parte dessas medidas, foi instalada a Comissão para Discussões Iniciais da Cacauicultura, por determinação do governador Jerônimo Rodrigues, reunindo representantes do setor produtivo, órgãos técnicos, entidades e parlamentares para a construção de soluções emergenciais e estruturantes.
A criação da comissão ocorre em meio a um cenário de desafios econômicos e sanitários para a lavoura cacaueira, que envolve questões de mercado, preços ao produtor e riscos fitossanitários. O governo estadual passou a realizar reuniões estratégicas em diferentes regiões produtoras, com a participação de representantes federais, prefeitos, produtores e lideranças do setor.
No dia 30 de janeiro, o município de Gandu sediou um encontro com autoridades e integrantes da cadeia produtiva, com a presença do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Já em 4 de fevereiro, em Salvador, uma nova reunião consolidou encaminhamentos práticos. O encontro ocorreu na sede da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), e definiu uma agenda de ações urgentes junto ao governo federal.
Medidas emergenciais e articulação institucional
Durante a reunião em Salvador, foram estabelecidos encaminhamentos para enfrentar os principais desafios do setor, com foco em recomposição da renda do produtor, transparência no mercado e proteção sanitária da lavoura.
O diretor-presidente da CAR, Jeandro Ribeiro, integrante da comissão, afirmou que a pauta recebeu prioridade do governo estadual e que um grupo de trabalho coordenado diretamente pelo governador já atua na formulação de soluções. Segundo ele, reuniões com produtores, prefeitos, ministérios e órgãos federais permitiram avanços em pontos considerados estratégicos.
Entre os encaminhamentos, está a retomada da previsão oficial de safra, instrumento considerado essencial para o equilíbrio das negociações entre produtores e indústrias moageiras. A medida busca ampliar a transparência de mercado e fortalecer o poder de barganha dos agricultores.
Ribeiro também destacou a experiência da metodologia Cacau+, já aplicada no Baixo Sul, que deverá ser expandida para outras regiões produtoras como estratégia de aumento de produtividade e sustentabilidade da lavoura.
Ações prioritárias definidas pela comissão
As deliberações da comissão incluem medidas de caráter econômico, técnico e sanitário, com articulação direta junto a ministérios e órgãos federais. Entre as principais ações, destacam-se:
- Solicitação de revisão do regime de Drawback, que influencia o preço pago ao produtor;
- Pedido de esclarecimentos sobre a Instrução Normativa nº 125/2021, relacionada a questões fitossanitárias;
- Articulação para enfrentar o deságio no mercado interno e coibir práticas consideradas prejudiciais aos agricultores;
- Ampliação da assistência técnica e extensão rural;
- Expansão da metodologia Cacau+;
- Realização de análises de solo e foliar;
- Fortalecimento institucional da CEPLAC;
- Construção de um plano nacional de contenção da Monilíase, doença que ameaça plantações em países produtores.
A retomada da previsão oficial de safra foi apontada como medida central para reorganizar o mercado, reduzir assimetrias de informação e fortalecer o diálogo entre os diferentes elos da cadeia produtiva.
Investimentos estaduais na cadeia do cacau
Além das ações emergenciais, o governo estadual mantém uma política contínua de investimentos no setor. Desde 2015, por meio da CAR, foram aplicados cerca de R$ 90 milhões em iniciativas voltadas ao fortalecimento da cacauicultura.
Os recursos foram direcionados para:
- Apoio à base produtiva;
- Implantação de agroindústrias familiares;
- Ampliação da assistência técnica.
A criação do grupo de trabalho marca o início da elaboração de um programa estadual permanente para o fortalecimento da cadeia produtiva do cacau, com foco na defesa dos produtores e na sustentabilidade econômica da atividade.
Perspectivas para o setor
A expectativa do governo estadual e dos representantes do setor é que as medidas articuladas produzam efeitos no curto e médio prazo, contribuindo para a recuperação da renda dos produtores, o equilíbrio de mercado e a proteção sanitária das lavouras.
O conjunto de ações também busca preservar o papel histórico da cacauicultura na economia baiana, atividade que moldou o desenvolvimento de diversas regiões do estado e continua sendo fonte de emprego, renda e identidade produtiva.









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