Indústria cresce em sete estados acima da média nacional em 2025; Bahia avança, mas abaixo do índice do país

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na terça-feira (10/02/2026), os resultados da Pesquisa Industrial Mensal Regional, indicando que sete estados brasileiros apresentaram crescimento industrial acima da média nacional em 2025, que foi de 0,6%. O levantamento aponta Espírito Santo e Rio de Janeiro como principais destaques, enquanto a Bahia registrou avanço de 0,3%, abaixo da média do país, mas ainda em território positivo em um cenário de desempenho desigual entre as unidades da federação.

Os dados são calculados a partir de informações coletadas em 18 localidades, incluindo 17 estados com participação mínima de 0,5% na produção industrial nacional e a Região Nordeste como conjunto regional. O levantamento permite observar as diferenças de desempenho entre os polos industriais brasileiros e identificar os setores responsáveis pelas variações.

Sete estados superam média nacional

Em 2025, a indústria brasileira cresceu 0,6% em relação a 2024. Sete estados superaram esse índice:

  • Espírito Santo: 11,6%
  • Rio de Janeiro: 5,1%
  • Santa Catarina: 3,2%
  • Rio Grande do Sul: 2,4%
  • Goiás: 2,4%
  • Minas Gerais: 1,3%
  • Pará: 0,8%

O Espírito Santo liderou o ranking nacional, com expansão de dois dígitos, seguido pelo Rio de Janeiro, que também registrou desempenho superior ao índice nacional.

Setores extrativos impulsionam Sudeste

De acordo com o analista do IBGE Bernardo Almeida, o desempenho do Rio de Janeiro foi fortemente influenciado pelo setor extrativo, especialmente com o aumento da produção de petróleo e gás natural. O estado tem peso de 11,38% na economia nacional, o que ampliou seu impacto positivo sobre a média brasileira.

No Espírito Santo, o crescimento foi impulsionado pela extração de petróleo, minério de ferro e gás natural, consolidando o papel do setor de commodities energéticas e minerais como motor da atividade industrial.

Já Santa Catarina, terceira maior influência positiva, teve avanço sustentado pelos setores de alimentos e de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, com destaque para a produção de carnes congeladas, conservas de peixe e embutidos de suínos.

Bahia cresce, mas abaixo da média nacional

Entre os estados que apresentaram crescimento industrial em 2025, porém abaixo da média nacional, estão:

  • Bahia: 0,3%
  • Paraná: 0,3%
  • Amazonas: 0,1%

O resultado baiano indica expansão moderada da atividade industrial, em contraste com o desempenho mais robusto observado em estados impulsionados pelo setor extrativo mineral e energético. Ainda assim, o dado positivo coloca a Bahia em posição mais favorável do que diversas unidades da federação que registraram retração.

Oito localidades registram queda industrial

O levantamento do IBGE mostra que oito localidades apresentaram recuo na produção industrial em 2025, com destaque negativo para:

  • Mato Grosso do Sul: -12,9%
  • Rio Grande do Norte: -11,6%
  • Mato Grosso: -5,8%
  • Maranhão: -5,1%
  • Pernambuco: -3,8%
  • São Paulo: -2,2%
  • Região Nordeste: -0,8%
  • Ceará: -0,6%

Queda em São Paulo pressiona média nacional

Por concentrar cerca de um terço da produção industrial brasileira, o desempenho de São Paulo exerceu a principal pressão negativa sobre o resultado nacional. Em 2025, o estado registrou queda de 2,2%.

Segundo o IBGE, os setores que mais contribuíram para o recuo paulista foram:

  • Derivados do petróleo, com queda na produção de:
    • Álcool etílico
    • Óleo diesel
    • Gasolina automotiva
    • Asfalto de petróleo
    • Naftas
  • Indústria farmacêutica, com redução na fabricação de medicamentos

Quedas acentuadas ligadas a combustíveis

Nos estados com retrações superiores a dois dígitos, o principal fator foi o desempenho negativo da fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis.

  • Rio Grande do Norte: queda de 23,2%, puxada pela produção de diesel e gasolina
  • Mato Grosso do Sul: retração de 61,5%, influenciada pela baixa produção de álcool etílico

Esses resultados evidenciam a forte dependência de algumas economias estaduais em relação a segmentos específicos da indústria energética.


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