O número de mortes provocadas por ações policiais no Brasil cresceu em 17 estados ao longo de 2025, segundo dados do Ministério da Justiça. Foram 6.519 vítimas no período, o equivalente a 18 mortes por dia, o que representa alta de 4,5% em relação a 2024. Levantamento do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), divulgado pela Folha de S.Paulo, indica que o aumento atinge governos de diferentes partidos e se concentra sobretudo nas regiões Norte e Nordeste.
Avanço da letalidade em diferentes regiões
O estado de Rondônia registrou a maior variação percentual do país, com salto de 8 para 47 mortes em um ano, o que representa alta de 488%. A unidade é governada por Marcos Rocha (PSD).
Na sequência aparecem:
- Maranhão: aumento de 87%, passando de 76 para 142 mortes;
- Rio Grande do Norte: alta de 51%, de 91 para 137 casos.
O governo potiguar atribuiu o crescimento à migração de grupos criminosos do Sudeste para o Nordeste, o que teria intensificado disputas territoriais e confrontos armados. A gestão também destacou a adesão ao programa federal de câmeras corporais, que prevê a distribuição de 793 equipamentos em cidades com mais de 100 mil habitantes.
Até o fechamento do levantamento, os governos de Rondônia e Maranhão não haviam se manifestado sobre os dados.
Bahia lidera em números absolutos
Em termos absolutos, a Bahia permaneceu com o maior número de mortes em ações policiais, totalizando 1.569 vítimas em 2025. Na sequência aparecem:
- São Paulo: 835 mortes;
- Rio de Janeiro: 798 mortes.
O levantamento mostra que o aumento da letalidade não se restringe a uma orientação política específica. Estados governados por PSD, PT, PL, União Brasil, Republicanos, PSB, Novo e MDB registraram crescimento dos índices, indicando um fenômeno nacional e transversal.
Críticas à falta de controle institucional
Para Rafael Rocha, pesquisador do Instituto Sou da Paz, o principal fator por trás do aumento é a falta de vontade política de governadores e secretários de segurança.
Segundo ele, discursos que legitimam o uso excessivo da força e a tolerância institucional contribuem para a escalada da violência. O especialista também critica a atuação do Ministério Público, que, em sua avaliação, frequentemente deixa de exercer o controle externo da atividade policial.
Rocha afirma ainda que muitos governos evitam confrontar a Polícia Militar, permitindo que a corporação mantenha autonomia excessiva sobre punições internas, o que dificultaria a responsabilização de agentes envolvidos em abusos.
Estados com redução e iniciativas federais
Apesar da tendência de alta, nove estados registraram queda na letalidade policial. O destaque foi o Tocantins, com redução de 55%. Também apresentaram recuos expressivos:
- Rio Grande do Sul;
- Roraima.
O Distrito Federal manteve estabilidade, com 15 mortes em 2024 e 2025.
A diretora do Sistema Único de Segurança Pública, Isabel Figueiredo, afirmou que o aumento pode refletir dinâmicas mais amplas da criminalidade. Ela destacou ações federais para reduzir a letalidade, como:
- Expansão do uso de câmeras corporais;
- Projeto de Qualificação do Uso da Força, já adotado por 21 estados.
Segundo a diretora, a resistência ao uso das câmeras tende a diminuir à medida que policiais passam a enxergar o equipamento como instrumento de proteção, e não apenas de controle.








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