O partido Bhumjaithai, liderado pelo primeiro-ministro Anutin Charnvirakul, obteve ampla vitória nas eleições legislativas realizadas neste domingo (08/02/2026), em um cenário marcado por tensões militares com o Camboja e pelo fortalecimento de um discurso nacionalista. Com mais de 90% das urnas apuradas, o resultado preliminar aponta vantagem significativa sobre os principais adversários, abrindo caminho para a formação de uma coalizão considerada potencialmente mais estável após anos de instabilidade política no país.
Vitória eleitoral em cenário de crise regional
O pleito foi convocado de forma antecipada em meados de dezembro de 2025, em meio ao conflito armado entre Tailândia e Camboja, decisão interpretada por analistas como uma tentativa do governo de capitalizar o sentimento nacionalista entre o eleitorado.
A estratégia ocorreu poucos meses após Anutin assumir o cargo de primeiro-ministro, em substituição a Paetongtarn Shinawatra, afastada do posto em decorrência da crise diplomática e militar com o país vizinho. A transição de poder ocorreu em um contexto de fragilidade institucional e disputas políticas recorrentes no cenário tailandês.
Os resultados preliminares divulgados pela comissão eleitoral indicam que o Bhumjaithai superou com ampla margem o Partido Popular Progressista, que aparece em segundo lugar, e o Pheu Thai, legenda associada à ex-premiê destituída.
Em entrevista coletiva, Anutin declarou que “a vitória do Bhumjaithai hoje é uma vitória para todos os tailandeses”, sinalizando a intenção de apresentar o resultado como um mandato popular para sua agenda política.
Possibilidade de coalizão e governabilidade
Apesar da vantagem expressiva nas urnas, o Bhumjaithai não deve alcançar maioria absoluta no Parlamento, o que torna necessária a formação de alianças para garantir governabilidade.
A expectativa de parte dos analistas políticos é de que o resultado permita a formação de uma coalizão mais estável, capaz de aprovar projetos e reformas prometidos durante a campanha. Nos últimos anos, o país tem enfrentado governos de curta duração e frequentes crises institucionais, o que tem dificultado a aprovação de políticas estruturais.
O Partido Popular Progressista, entretanto, afirmou que não pretende integrar uma coalizão com o partido governista, o que pode limitar as opções de articulação política no Parlamento e manter o cenário de negociações intensas entre as legendas.
Contexto político recente da Tailândia
A política tailandesa tem sido marcada por ciclos de instabilidade, mudanças de governo e intervenções institucionais nas últimas décadas. A destituição da ex-primeira-ministra Paetongtarn Shinawatra ocorreu em meio à escalada de tensões com o Camboja, fator que redefiniu o cenário eleitoral e abriu espaço para o avanço do discurso nacionalista.
A convocação das eleições antecipadas foi interpretada como uma tentativa de buscar legitimidade popular para o novo governo e consolidar uma base parlamentar mais consistente.
Com a apuração ainda em andamento, os resultados definitivos devem confirmar o tamanho da bancada governista e as possibilidades concretas de formação de maioria, fator decisivo para a estabilidade política nos próximos meses.
*Com informações da RFI.










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