Na quarta-feira (11/02/2026), a Polícia Federal deflagrou a terceira fase da Operação Barco de Papel, com mandados de busca e apreensão em Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina, para apurar supostos crimes contra o sistema financeiro envolvendo recursos do Rioprevidência, fundo responsável pelas aposentadorias e pensões dos servidores do Estado do Rio de Janeiro. Durante a ação, foram apreendidos R$ 429 mil em espécie, celulares, documentos e dois veículos de luxo, além de registros que, segundo os investigadores, podem indicar obstrução das apurações e ocultação de provas ligadas ao ex-presidente do fundo, Deivis Marcon Antunes, preso na fase anterior.
Terceira fase mira ocultação de provas
A operação teve como objetivo localizar e recuperar bens, valores e documentos que teriam sido retirados de imóveis ligados ao principal alvo da investigação após a primeira fase, realizada em janeiro. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
Segundo a Polícia Federal, os alvos desta etapa são pessoas suspeitas de auxiliar na ocultação de provas e na obstrução das investigações. Durante o cumprimento de uma das ordens judiciais em Balneário Camboriú, um ocupante do imóvel arremessou pela janela de um apartamento uma mala com dinheiro em espécie. O material foi recuperado pelos agentes.
No total, foram apreendidos:
- R$ 429 mil em dinheiro vivo
- Dois carros de luxo
- Dois celulares
- Documentos diversos
Os itens passarão por perícia para auxiliar no rastreamento de eventuais movimentações financeiras e na identificação de possíveis envolvidos.
Prisão do ex-presidente e suspeitas de interferência
A terceira fase é desdobramento da prisão, em 3 de fevereiro, do ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes. Segundo a Polícia Federal, a detenção ocorreu após indícios de que ele teria atuado para retirar documentos de imóveis, manipular provas digitais e reorganizar patrimônio após o início das investigações.
Outros dois homens, irmãos, também foram presos na mesma data em Itapema (SC). De acordo com os investigadores, eles teriam auxiliado o ex-dirigente na retirada de documentos do Rio de Janeiro.
A defesa de Deivis afirmou que analisava a situação e, em manifestações anteriores, o ex-presidente declarou ter atuado com espírito público e dentro dos preceitos legais durante sua gestão.
Investimentos de quase R$ 1 bilhão no Banco Master
O foco central da investigação é a aplicação de recursos do Rioprevidência em letras financeiras do Banco Master, títulos de renda fixa sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
De acordo com a Polícia Federal:
- Entre novembro de 2023 e julho de 2024, o fundo teria investido cerca de R$ 970 milhões nesses papéis.
- O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após escândalo envolvendo emissão de títulos falsos para inflar o patrimônio da instituição.
Os investigadores apuram se as aplicações:
- Foram aprovadas sem respaldo técnico adequado
- Estavam em desacordo com o perfil conservador esperado de um fundo previdenciário
- Envolveram favorecimento a interesses privados
Entre os crimes investigados estão:
- Gestão fraudulenta
- Desvio de recursos
- Corrupção passiva
- Associação criminosa
- Fraudes contra o sistema financeiro
Contexto político e administrativo
Após a primeira fase da operação, em janeiro, Deivis pediu demissão e foi exonerado pelo governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Informações apuradas por veículos de imprensa indicam que a indicação dele para o cargo teria partido de integrantes do partido União Brasil, aliado da gestão estadual — fato negado pela defesa.
Registros oficiais apontam que o ex-presidente havia ocupado anteriormente um cargo comissionado na Secretaria Estadual de Transportes, entre janeiro de 2022 e janeiro de 2023.
O Rioprevidência informou, à época das aplicações, que o Banco Master possuía autorização de funcionamento e que os investimentos foram realizados em conformidade com as normas vigentes. O órgão também declarou estar em negociação para substituir as letras financeiras por precatórios federais.
Déficit estrutural do fundo
Além das suspeitas envolvendo o Banco Master, dados mencionados no contexto das investigações apontam que o Rioprevidência enfrenta um déficit estrutural superior a R$ 20 bilhões anuais, valor significativamente superior às perdas associadas às aplicações investigadas.
Esse quadro amplia o debate sobre a sustentabilidade financeira do sistema previdenciário estadual e os critérios de gestão de recursos do fundo.
*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agência Brasil.










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