A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (25/02/2026) a Operação Vassalos, investigação destinada a apurar um suposto esquema de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, com indícios de crimes licitatórios, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e envolve o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão nos estados de Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal. Entre os alvos citados nas apurações estão o ex-senador Fernando Bezerra Coelho, o deputado federal Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil).
A operação foi desencadeada a partir de investigações que indicam a existência de uma organização composta por agentes públicos e privados suspeitos de desviar recursos federais vinculados a emendas parlamentares, mediante manipulação de processos licitatórios e contratos administrativos.
Investigação aponta suposto direcionamento de licitações
De acordo com a Polícia Federal, a apuração indica que o grupo investigado teria estruturado um esquema de direcionamento de procedimentos licitatórios para empresas vinculadas aos envolvidos, possibilitando a contratação previamente definida para execução de obras ou serviços financiados com recursos públicos.
Segundo os investigadores, o mecanismo permitiria que empresas associadas ao grupo obtivessem contratos públicos de forma irregular, com posterior utilização de parte dos recursos para pagamento de vantagens indevidas a agentes envolvidos no esquema.
Além disso, a PF aponta indícios de estratégias de ocultação patrimonial e dissimulação da origem dos recursos, práticas associadas à tentativa de dificultar o rastreamento financeiro do dinheiro desviado.
Mandados de busca são cumpridos em cinco estados
A Operação Vassalos mobiliza equipes da Polícia Federal em diferentes regiões do país. Ao todo, 42 mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, em razão da presença de investigados com foro por prerrogativa de função.
As diligências estão sendo realizadas simultaneamente nas seguintes unidades da federação:
- Pernambuco
- Bahia
- São Paulo
- Goiás
- Distrito Federal
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os agentes buscam documentos, registros contábeis, equipamentos eletrônicos e dados financeiros que possam esclarecer a estrutura e o funcionamento do suposto esquema investigado.
Crimes investigados pela Polícia Federal
Segundo a corporação, a investigação envolve suspeitas da prática de diversos crimes relacionados à contratação pública e ao uso irregular de recursos federais.
Entre os delitos investigados estão:
- Frustração do caráter competitivo do procedimento licitatório
- Fraude em licitação e contratos administrativos
- Peculato
- Corrupção
- Lavagem de dinheiro
- Organização criminosa
Caso os indícios sejam confirmados ao longo das investigações, os envolvidos poderão responder civil e criminalmente, além de eventuais medidas destinadas à recuperação de recursos públicos desviados.
Apuração concentra-se em contratos financiados por emendas parlamentares
As emendas parlamentares ao Orçamento da União constituem instrumentos por meio dos quais deputados e senadores direcionam recursos federais para projetos e obras em estados e municípios.
Segundo a Polícia Federal, as suspeitas investigadas concentram-se na fase de contratação de empresas responsáveis pela execução de projetos financiados com esses recursos, considerada um dos pontos mais sensíveis da gestão orçamentária.
A hipótese investigativa aponta que processos licitatórios teriam sido estruturados para favorecer empresas vinculadas ao grupo investigado, permitindo a celebração de contratos públicos que posteriormente possibilitariam o desvio parcial dos valores.
Próximos passos da investigação
Com a execução das buscas e apreensões, a Polícia Federal pretende aprofundar a análise de documentos, registros contábeis e dados eletrônicos coletados durante a operação.
O material apreendido poderá subsidiar novas diligências investigativas, incluindo pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal, além da possibilidade de novas fases da operação.
Até o momento, a operação possui caráter investigativo e não há condenações judiciais, prevalecendo o princípio constitucional da presunção de inocência para todos os citados nas apurações.
*Com informações da Polícia Federal (PF), O Globo e Estadão.








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