PF encontra menções a políticos e supostos pagamentos a ministro em celular de dono do Banco Master; caso permanece no STF

A Polícia Federal concluiu nesta quarta-feira (11/02/2026) a perícia nos celulares do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e identificou menções a políticos com foro privilegiado e referências a supostos pagamentos a autoridades, incluindo o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). As mensagens, segundo relatos de investigadores, remontam a conversas mantidas desde 2022 e podem manter o processo sob competência da Corte.

Perícia aponta citações a parlamentares com foro privilegiado

De acordo com informações obtidas por investigadores e relatadas à imprensa, a análise dos aparelhos revelou conversas de Vorcaro com deputados e senadores, incluindo ao menos um presidente de partido político. Também foram identificadas menções a parlamentares em trocas de mensagens entre o empresário e Fabiano Zettel, seu primo e também alvo das investigações.

Segundo fontes envolvidas no caso, o volume de referências a políticos foi descrito como uma “tempestade” de menções, comparável à repercussão das delações de executivos da Odebrecht durante a Operação Lava Jato. A presença de autoridades com foro privilegiado no material periciado tende a manter o caso sob análise do STF, afastando a possibilidade de envio à primeira instância.

O material analisado faz parte das investigações relacionadas ao colapso do Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central em novembro.

Mensagens citam pagamentos envolvendo ministro do STF

A perícia também identificou menções a pagamentos relacionados ao ministro Dias Toffoli. Segundo relatos de investigadores, o nome do magistrado aparece em mensagens trocadas entre Vorcaro e Zettel, com referências a transferências de recursos.

Fontes ligadas à investigação afirmaram que, em algumas mensagens, os pagamentos teriam sido mencionados de forma cifrada. A linha de apuração considera a possibilidade de que os recursos tenham origem em uma empresa que foi sócia de um fundo vinculado ao Banco Master no resort Tayaya, empreendimento frequentado pelo ministro e anteriormente pertencente a familiares dele.

A Polícia Federal encaminhou o material ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, no contexto de pedido de declaração de suspeição de Toffoli no caso.

Defesa de Toffoli contesta pedido de suspeição

O gabinete do ministro afirmou, em nota, que o pedido de suspeição apresentado pela PF se baseia em “ilações” e não possui respaldo jurídico. Segundo a manifestação, a corporação não teria legitimidade para formular esse tipo de requerimento por não ser parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil.

A nota também informa que a resposta formal ao pedido será apresentada pelo ministro ao presidente da Corte, a quem compete analisar a solicitação.

Em declarações a interlocutores, Toffoli afirmou que os recursos recebidos foram lícitos, provenientes da empresa Maridt, da qual seria sócio junto com familiares. A empresa controlava 33% do resort Tayaya e teria vendido sua participação a um fundo ligado a Vorcaro.

Segundo o ministro, as transferências ocorreram ao longo de vários anos, foram declaradas à Receita Federal e possuem origem rastreável.

Defesa de Vorcaro critica vazamentos e pede respeito ao devido processo

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou, em nota, ter preocupação com o que classificou como vazamento seletivo de informações, que poderia gerar constrangimentos indevidos e prejudicar o direito de defesa.

Os advogados sustentam que o respeito ao contraditório e ao devido processo legal é condição essencial para a apuração dos fatos, destacando confiança no funcionamento das instituições e na condução técnica das investigações.

Operação investiga investimentos de quase R$ 1 bilhão do Rioprevidência

O avanço das perícias ocorre no contexto da Operação Barco de Papel, que investiga crimes contra o sistema financeiro relacionados a investimentos do fundo de pensão Rioprevidência no Banco Master.

Entre novembro de 2023 e julho de 2024, a autarquia teria aplicado aproximadamente R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas pela instituição, posteriormente liquidada.

A terceira fase da operação, deflagrada em 11 de fevereiro, cumpriu mandados de busca em Santa Catarina. Segundo a PF, durante a ação, uma mala com dinheiro em espécie foi jogada pela janela de um apartamento. Também foram apreendidos veículos de luxo e aparelhos celulares.

A investigação apura suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos, fraude à fiscalização, associação criminosa e corrupção passiva.

O Banco Central determinou a liquidação do Banco Master em 19 de novembro. À época, o Rioprevidência afirmou que o investimento não comprometeria o pagamento de aposentadorias e pensões, garantido por receitas de royalties e participações especiais.

*Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Poder360, Metrópoles, CNN, Revista Veja e Agência Brasil.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.




Deixe um comentário

Dupla de profissionais de saúde sorrindo, vestindo uniformes, com uma cidade ao fundo e texto promocional sobre saúde.
Banner promocional da JADS FOTO, destacando serviços de fotografia e personalização, incluindo contatos e lista de produtos.
Logo da RFI em português, com as letras 'rfi' em vermelho sobre fundo branco e a palavra 'português' em vermelho, abaixo com uma linha horizontal.
Imagem comemorativa de 19 anos do Jornal Grande Bahia, destacando seu compromisso com jornalismo independente e informação precisa.

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading