A Polícia Federal (PF) pediu nesta quarta-feira (11/02/2026) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a suspeição do ministro Dias Toffoli como relator das investigações envolvendo o Banco Master, após a identificação de menções ao magistrado em conversas apreendidas no celular do empresário Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira. O pedido foi formalizado no âmbito do inquérito que apura supostas irregularidades relacionadas ao banco. Fachin já intimou Toffoli a se manifestar sobre o requerimento, enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) mantém posição contrária ao afastamento.
Pedido da Polícia Federal e reação no Supremo
A solicitação da PF baseia-se em mensagens encontradas no telefone de Vorcaro, nas quais o nome de Toffoli teria sido citado. As informações sobre o conteúdo das conversas vieram a público inicialmente por meio do portal UOL.
O ministro, segundo interlocutores, afirma não ver motivo para se afastar da relatoria e sustenta que sua atuação permanece dentro dos parâmetros legais. A análise do pedido agora depende da tramitação interna no STF.
No Supremo, há divergências quanto à legitimidade da PF para apresentar a arguição de suspeição. Ministros da Corte avaliam que esse tipo de pedido seria prerrogativa exclusiva da PGR, o que poderia invalidar a iniciativa da polícia. Mesmo assim, Fachin determinou a notificação de Toffoli, cumprindo o rito processual.
Posição da PGR e manifestações de ministros
Um pedido semelhante já havia sido apresentado anteriormente à Procuradoria-Geral da República, mas o procurador-geral Paulo Gonet rejeitou a solicitação. Segundo ele, o caso já estava sendo acompanhado regularmente pela PGR no Supremo, não havendo providência adicional a ser tomada.
Na ocasião, o ministro Gilmar Mendes manifestou apoio público a Toffoli, classificando a decisão da PGR como “madura” e afirmando não haver razão para questionar a conduta do colega.
Em manifestação pública, o decano do STF ressaltou a importância do devido processo legal e das garantias institucionais para a estabilidade democrática e a confiança da sociedade nas instituições.
Pressões internas e controvérsias na condução do inquérito
Apesar das manifestações de apoio, Toffoli enfrenta pressões internas no Supremo em razão de sua atuação no caso. Entre os pontos citados por interlocutores estão:
- Regime rigoroso de sigilo imposto às investigações;
- Viagem em jatinho ao lado de um dos advogados do processo;
- Negócios envolvendo o resort Tayayá, que teriam ligação indireta com um fundo associado ao Banco Master e a familiares do ministro.
A condução do inquérito também tem sido classificada como incomum por integrantes da PF, do Banco Central, da PGR e do próprio STF, que reconhece internamente uma crise de imagem relacionada ao episódio.
Debate sobre o foro e possíveis desdobramentos
Como alternativa para reduzir o desgaste institucional, ministros passaram a defender o envio da investigação à primeira instância como uma possível “saída honrosa” para o relator. Toffoli, contudo, resiste à hipótese.
O ministro sustenta que sua imparcialidade não está comprometida e afirma que, na primeira instância, haveria maior risco de vazamentos, o que, segundo ele, poderia comprometer o andamento das apurações.
Interlocutores do magistrado indicam que o destino do processo dependerá do avanço das investigações. Entre as possibilidades consideradas estão:
- Manutenção integral do caso no STF;
- Remessa total à primeira instância;
- Desmembramento do processo, com o Supremo responsável por investigados com foro privilegiado e a Justiça Federal pelos demais.
O que dizem as regras sobre impedimento e suspeição
O Código de Processo Penal prevê hipóteses objetivas de impedimento, como situações em que:
- O juiz ou ministro tenha atuado anteriormente no caso;
- Haja participação de cônjuge ou parente;
- O magistrado ou seus familiares tenham interesse direto no processo.
Já a suspeição possui caráter subjetivo, aplicando-se a situações como:
- Amizade íntima com partes ou advogados;
- Recebimento de benefícios ou presentes;
- Aconselhamento a envolvidos no processo.
Caso Toffoli fosse declarado suspeito ou impedido, todas as decisões já tomadas no inquérito seriam anuladas, o que levaria a investigação a reiniciar praticamente do zero, incluindo depoimentos, acareações e mandados de busca já cumpridos.
*Com informações da Folha de S.Paulo.










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