O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convenceu nesta quinta-feira (26/02/2026) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a disputar o governo do estado de São Paulo nas eleições de 2026, decisão que altera o tabuleiro político no principal colégio eleitoral do país e impacta diretamente a estratégia de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A articulação ocorreu durante a viagem oficial de Lula à Ásia, onde o presidente utilizou o período fora do Brasil para intensificar conversas políticas e persuadir Haddad a entrar na disputa estadual.
A decisão ocorre após semanas de resistência do ministro da Fazenda, que demonstrava cautela em assumir novamente uma candidatura majoritária em São Paulo diante do favoritismo eleitoral atribuído a Tarcísio de Freitas, que deve disputar a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Ainda assim, o presidente avaliou que a presença de Haddad na disputa é estratégica tanto para fortalecer o campo governista quanto para ampliar o palanque eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT) no estado mais populoso do país.
A eventual candidatura do ministro também altera os cálculos das forças políticas estaduais, especialmente no campo aliado ao governador paulista, que ainda negocia a composição de sua chapa para 2026.
Disputa pelo governo paulista reorganiza cenário eleitoral
A entrada de Haddad na corrida pelo governo paulista muda significativamente a dinâmica eleitoral do estado. Até então, havia avaliações nos bastidores de que o ministro poderia disputar uma vaga ao Senado Federal, cenário no qual aliados do governador Tarcísio avaliavam que Haddad teria alta probabilidade de vitória.
Diante dessa hipótese, o grupo político de Tarcísio vinha estruturando sua chapa majoritária considerando essa possibilidade. Atualmente, o deputado federal Guilherme Derrite (PP) aparece como pré-candidato ao Senado na coligação do governador.
Entretanto, a disputa pela vaga ao Senado dentro da base aliada ainda não está totalmente definida. O PL, partido ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, reivindica maior espaço na composição da chapa e busca tanto a vaga ao Senado quanto a vice-governadoria.
Esse movimento cria um equilíbrio delicado nas negociações internas da base governista paulista, envolvendo diferentes lideranças partidárias e interesses eleitorais.
Negociações pela vice-governadoria e tensões entre aliados
Atualmente, o cargo de vice-governador é ocupado por Felício Ramuth (PSD), aliado do secretário de Governo e dirigente partidário Gilberto Kassab. Nos bastidores políticos, analistas apontam que Kassab precisa reforçar a aproximação com Tarcísio e com o próprio Ramuth para preservar o atual arranjo político da chapa estadual.
A eventual pressão do PL por mais espaço pode alterar esse equilíbrio, especialmente em um cenário de disputa acirrada entre diferentes grupos da direita paulista.
Com a entrada de Haddad na disputa pelo governo, o campo governista em Brasília passa a apostar na possibilidade de uma eleição mais competitiva no estado, que historicamente tem sido um dos principais redutos eleitorais da oposição ao PT.
Estratégia eleitoral de Haddad mira capital paulista
Para tornar a disputa mais equilibrada, aliados de Haddad avaliam que o ministro precisará concentrar esforços no eleitorado da capital paulista, onde possui maior densidade política.
Haddad foi prefeito da cidade de São Paulo entre 2013 e 2016, período que consolidou parte significativa de sua base eleitoral no município. Nas eleições estaduais de 2022, a capital foi decisiva para seu desempenho, registrando vitória do candidato petista sobre Tarcísio de Freitas no município, apesar da derrota no resultado estadual.
A estratégia eleitoral discutida no entorno do governo federal considera que a capital paulista pode novamente desempenhar papel determinante na disputa, ajudando a fortalecer o palanque do presidente Lula em São Paulo nas eleições de 2026.
Além disso, a candidatura de Haddad pode ampliar a presença política do governo federal no estado, que concentra parcela significativa do eleitorado e da atividade econômica nacional.
Impacto no tabuleiro político nacional
A disputa pelo governo paulista em 2026 possui relevância nacional, pois São Paulo reúne o maior colégio eleitoral do Brasil e exerce forte influência sobre a dinâmica política do país.
Uma eventual candidatura competitiva do campo governista no estado também pode influenciar diretamente a configuração da eleição presidencial, ao ampliar a presença de aliados do governo federal em palanques regionais estratégicos.
Por essa razão, a decisão de Lula de incentivar Haddad a disputar o governo paulista é interpretada por aliados como movimento político de longo alcance, voltado à reorganização das forças eleitorais no estado.
*Com informações do UOL.








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