Em entrevista concedida ao portal UOL, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (05/02/2026) que a política externa brasileira continuará pautada pelo diálogo, pela defesa da soberania nacional e pela busca de soluções diplomáticas para conflitos internacionais. O chefe do Executivo também defendeu maior integração entre países da América Latina, destacou a necessidade de participação palestina em eventual conselho de paz proposto pelos Estados Unidos para tratar da situação em Gaza e afirmou que pretende realizar uma visita oficial a Washington no início de março para reunião com o presidente Donald Trump.
Segundo Lula, o Brasil mantém abertura para discutir todos os temas com os Estados Unidos, desde que seja preservada a autonomia nacional. “A única coisa que eu não discuto é a soberania do meu país. Essa é sagrada”, declarou o presidente, ao comentar a relação bilateral e as perspectivas de negociação com o governo norte-americano.
Antes da viagem aos Estados Unidos, o presidente informou que cumprirá agenda internacional na Índia e na Coreia do Sul ainda em fevereiro, com o objetivo de ampliar oportunidades comerciais e fortalecer laços diplomáticos com os dois países.
Relação com os Estados Unidos e agenda diplomática
Ao comentar o diálogo com o governo norte-americano, Lula afirmou que pretende tratar diretamente com Donald Trump dos interesses de ambos os países. O presidente destacou a importância de negociações diretas para identificar convergências e reduzir eventuais tensões.
Segundo ele, a estratégia brasileira consiste em buscar acordos pragmáticos, baseados em interesses comuns, sem abrir mão de princípios considerados essenciais pelo governo brasileiro. A visita a Washington, prevista para março, integra essa agenda de aproximação diplomática.
Proposta de conselho de paz e participação palestina
Condição para engajamento brasileiro
Ao tratar dos conflitos no Oriente Médio, Lula afirmou que o Brasil tem interesse em participar de iniciativas voltadas à promoção da paz, incluindo o conselho proposto pelos Estados Unidos para tratar da situação em Gaza. Contudo, o presidente estabeleceu uma condição para o engajamento brasileiro.
De acordo com ele, a iniciativa precisa ser inclusiva e representativa, com a presença da Autoridade Palestina nas negociações. O presidente relatou que tratou do tema com o líder palestino Mahmoud Abbas e reforçou que, sem a participação dos palestinos, a comissão não poderia ser considerada um verdadeiro conselho de paz.
Integração latino-americana e autonomia regional
Defesa de instituições regionais fortes
Ao abordar a situação da América Latina, Lula defendeu a criação de instituições regionais robustas e maior integração política e econômica entre os países do continente. Segundo o presidente, a região precisa atuar de forma conjunta para ampliar sua relevância no cenário internacional.
Ele afirmou que, sem um bloco articulado e instituições fortes, os países latino-americanos correm o risco de permanecer em posição periférica no sistema global. “Ou nós, latino-americanos, criamos coragem e criamos instituições fortes e montamos um bloco para trabalharmos conjuntamente com o resto do mundo, ou estamos fadados a mais um século de pobreza e de esquecimento”, declarou.
Situação da Venezuela e defesa da democracia
Ênfase na participação popular
Sobre a crise política venezuelana, o presidente afirmou que o foco do debate deve estar na capacidade de fortalecer a democracia e melhorar as condições de vida da população, e não apenas em disputas políticas ou pessoais.
Segundo Lula, a principal questão é verificar se há condições de assegurar o respeito ao processo democrático e garantir a participação ativa da sociedade venezuelana. O presidente ressaltou ainda a importância de manter a América do Sul como uma região livre de armas nucleares e comprometida com o desenvolvimento econômico.
Para ele, o objetivo comum dos países da região deve ser fortalecer a democracia e elevar a qualidade de vida da população, evitando a perpetuação de desigualdades históricas.










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