O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou no domingo (15/02/2026) no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, o desfile da Acadêmicos de Niterói, que apresentou enredo em homenagem à sua trajetória pessoal e política. A apresentação ocorreu na abertura do Grupo Especial e incluiu referências a adversários e personagens do cenário institucional, provocando reações políticas, ações judiciais e críticas de opositores.
Durante o desfile, Lula assistiu à apresentação no camarote da prefeitura do Rio de Janeiro e, por um breve momento, desceu até a pista para beijar o pavilhão da escola, conduzido pela porta-bandeira. A homenagem foi tema central da apresentação, intitulada “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
Enredo político e representações na avenida
A apresentação da Acadêmicos de Niterói trouxe diferentes momentos da trajetória de Lula, combinando elementos simbólicos de sua origem operária, da ascensão sindical e de sua carreira política. O desfile incluiu, também, representações de figuras públicas e adversários políticos.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi retratado como palhaço na comissão de frente e como presidiário em um dos carros alegóricos. Outras personalidades, como o ex-presidente Michel Temer e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, também apareceram em representações cênicas.
A escolha do enredo gerou repercussão em Brasília. O Partido Novo alegou possível propaganda eleitoral antecipada, enquanto a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) questionaram o uso de recursos públicos e apontaram suposto dano ao patrimônio público. As ações, no entanto, foram indeferidas pela Justiça.
Agenda presidencial no Rio e estratégia de presença institucional
Antes do desfile, Lula participou, no mesmo domingo (15), da inauguração do novo Centro de Emergência 24 horas do Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio. Na ocasião, o governo federal anunciou investimento de R$ 600 milhões na rede hospitalar federal do estado, sendo R$ 100 milhões destinados ao hospital, com a reabertura de 40 leitos e reativação do CTI pediátrico.
Em discurso, o presidente afirmou que hospitais federais foram historicamente usados como “peça de troca” eleitoral e defendeu a reestruturação das unidades. Também mencionou medidas do governo, como a proposta de isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil, o programa Gás do Povo e indicadores econômicos, relacionando as ações ao cenário político de 2026.
Sem citar adversários, declarou que “a verdade vai destruir a mentira” e pediu que a população reaja à desinformação no debate público.
Orientações do Planalto e reação de opositores
Segundo informações divulgadas por integrantes do governo, o Planalto orientou que Lula assistisse aos desfiles das quatro escolas da noite, e não apenas à agremiação que o homenageava, como forma de demonstrar presença institucional no evento.
Ministros também foram orientados a não desfilar e, caso optassem por acompanhar o Carnaval, deveriam viajar por meios próprios, sem uso de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) ou recursos públicos.
Apesar das medidas, o desfile continuou a gerar repercussão política. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou que pretende protocolar nova ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acusando o Partido dos Trabalhadores de utilizar recursos públicos para promover ataques pessoais ao ex-presidente e a familiares.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou uma ala intitulada “neoconservadores em conserva”, afirmando que a representação configurou “escárnio” contra a fé cristã e teria ofendido milhões de brasileiros. A senadora Damares Alves também classificou o conteúdo como “inadmissível”.











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