O presidente francês Emmanuel Macron afirmou nesta quinta-feira (19/02/2026) que França e Brasil estão unindo esforços para promover uma inteligência artificial responsável e com mecanismos de segurança. A declaração ocorreu após reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, realizada à margem da Cúpula sobre o Impacto da IA, na capital indiana.
Durante o encontro bilateral, os chefes de Estado discutiram temas da agenda global, integração transfronteiriça e cooperação no combate ao narcotráfico e ao garimpo ilegal na fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa, além de políticas para regulação tecnológica.
Macron também convidou Lula para participar da próxima cúpula do G7, prevista para junho, ampliando o diálogo entre o Brasil e as principais economias industrializadas.
Cooperação em inteligência artificial
Em publicação nas redes sociais, Macron destacou o reencontro com Lula e reforçou o compromisso conjunto com o desenvolvimento de uma IA segura e a proteção de crianças no ambiente digital. O presidente francês defendeu a construção de padrões internacionais para reduzir riscos associados às plataformas tecnológicas.
Segundo ele, a definição de regras claras e a coordenação entre aliados são essenciais para o uso responsável da tecnologia. O governo francês tem defendido a criação de marcos regulatórios que conciliem inovação e segurança.
A expectativa é que, ao final da cúpula, seja assinada uma declaração conjunta voltada à regulação do uso da inteligência artificial, com princípios de governança e supervisão internacional.
Posição brasileira e governança global
Em discurso na plenária do evento, Lula afirmou que as Nações Unidas devem liderar a governança internacional da IA, defendendo um modelo multilateral e inclusivo.
O presidente brasileiro declarou que a ausência de coordenação coletiva pode ampliar desigualdades históricas, especialmente em países em desenvolvimento. Para ele, a tecnologia deve ser orientada ao desenvolvimento social e econômico.
O encontro reuniu ainda lideranças governamentais e representantes do setor privado, consolidando o debate sobre padrões globais para uso da IA em diferentes áreas.
Participação internacional e impactos econômicos
O anfitrião da cúpula, o primeiro-ministro Narendra Modi, defendeu a democratização do acesso à inteligência artificial, com foco na inclusão de países do Sul Global.
O governo indiano anunciou a meta de atrair até US$ 200 bilhões em investimentos de empresas de tecnologia nos próximos dois anos, com prioridade para infraestrutura de dados e projetos de IA.
Entre os aportes previstos, estão investimentos de companhias como Google e Microsoft, voltados à construção de centros de dados no país, que já se destaca pela oferta de mão de obra especializada em serviços digitais.
Mercado de trabalho em debate
Um dos temas centrais do encontro envolve os impactos da inteligência artificial sobre o emprego, especialmente em setores de atendimento remoto e serviços técnicos, áreas que concentram milhões de trabalhadores na Índia.
Especialistas presentes na cúpula apontaram a necessidade de qualificação profissional e políticas de transição tecnológica para mitigar efeitos da automação.
A discussão reforça o desafio de equilibrar crescimento econômico, proteção social e inovação tecnológica em escala global.
*Com informações da RFI.








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