Brasília, sábado (07/02/2026) — Os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli teriam atuado nos bastidores para pressionar integrantes do Senado a barrar a instalação da CPMI do Banco Master, segundo relatos de fontes parlamentares. A articulação teria como principal alvo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e ocorre após o protocolo do pedido de comissão mista de inquérito com número de assinaturas superior ao mínimo exigido.
A iniciativa da CPMI foi formalizada na terça-feira (03/02/2026) com o apoio de 281 parlamentares — sendo 42 senadores e 239 deputados. O número supera o patamar necessário para criação da comissão, que é de um terço dos membros de cada Casa. O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, concentrou o maior número de assinaturas, com 89 parlamentares.
Segundo informações de bastidores, a movimentação no Supremo se deve ao receio de que a CPMI abra nova frente de investigação política e institucional, com possíveis convocações de pessoas ligadas aos ministros e aprofundamento de apurações sobre o banco.
Pressão sobre o Senado e estratégia política
De acordo com interlocutores parlamentares, a pressão teria partido de uma ala do Supremo preocupada com o impacto da comissão na imagem da Corte e no andamento das investigações em curso. Os ministros citados não se manifestaram publicamente sobre o assunto.
Nos bastidores do Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, não teria indicado disposição imediata para instalar a comissão. Há relatos de que, caso a pressão política se intensifique, uma alternativa seria autorizar apenas uma CPI exclusiva do Senado, formato sobre o qual a presidência da Casa exerce maior controle.
A CPMI é defendida por parlamentares da oposição, que pretendem ampliar o escopo das investigações para incluir conexões entre agentes públicos, autoridades e operadores financeiros no caso do Banco Master.
Decisões controversas no Supremo
A atuação do ministro Dias Toffoli, relator de processos relacionados ao Banco Master, passou a ser alvo de críticas dentro e fora do tribunal. Entre as medidas que geraram questionamentos estão:
- Imposição de sigilo às investigações;
- Convocação de acareação antes da coleta de depoimentos;
- Determinação de envio de material apreendido diretamente ao gabinete do relator.
Posteriormente, Toffoli recuou na última decisão, ordenando que os dados fossem encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR) para análise.
Aliados da CPMI argumentam que essas decisões reforçam a necessidade de investigação parlamentar, com foco na atuação de instituições e possíveis interferências no sistema financeiro.
Contratos e possíveis conflitos de interesse
Entre os pontos mais sensíveis do caso está o contrato firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, e o Banco Master. O acordo previa pagamento mensal de R$ 3,6 milhões durante três anos, totalizando cerca de R$ 130 milhões.
Segundo relatos, o contrato incluía atuação junto a quatro órgãos do Executivo federal:
- Banco Central;
- Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade);
- Receita Federal;
- Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
As atividades efetivamente desempenhadas pelo escritório nesses órgãos, porém, não teriam sido detalhadas durante depoimentos prestados por representantes do banco ao Supremo.
Ligações empresariais e investigações paralelas
Outro eixo de investigação defendido por parlamentares envolve as relações entre o ministro Dias Toffoli e o resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR). Segundo reportagens, fundos de investimento controlados por empresário ligado à família do dono do Banco Master teriam adquirido parte da participação de irmãos do ministro no empreendimento.
A oposição pretende examinar se houve conexões financeiras indiretas entre o banco e pessoas próximas a integrantes do Supremo.
Pressões sobre o Banco Central e liquidação do banco
O requerimento de criação da CPMI também menciona a necessidade de investigar:
- Omissões regulatórias;
- Possíveis pressões institucionais;
- Tentativas de interferência no processo de supervisão do Banco Central.
O documento cita relatos de que Alexandre de Moraes teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao menos quatro vezes para tratar de questões relacionadas ao Banco Master.
Os parlamentares pretendem esclarecer se houve atuação de autoridades para influenciar a liquidação extrajudicial do banco ou eventual tentativa de aquisição por instituição estatal.
Possíveis desdobramentos no Congresso
Embora o pedido de CPMI já tenha sido protocolado com número suficiente de assinaturas, a instalação da comissão depende de decisão das presidências da Câmara e do Senado.
Até o momento:
- Davi Alcolumbre não indicou intenção de instalar a CPMI;
- Hugo Motta, na Câmara, também não sinalizou movimento concreto.
A oposição afirma que continuará pressionando pela abertura da investigação, enquanto aliados do governo e do Supremo avaliam os impactos institucionais e políticos de uma comissão com esse alcance.
*Com informações do jornal O Globo.










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